Assessores participam do 2º módulo do curso de Gestão da Internacionalização Universitária

Assessores participam do 2º módulo do curso de Gestão da Internacionalização Universitária

A Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) promoveu, por meio da Comissão de Relações Internacionais (Cria), o segundo módulo do curso Gestão da Internacionalização das Ifes. Representantes das assessorias de relações internacionais de 40 Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) estiveram reunidos na sede da Andifes nos dias 8 e 9 de outubro.

O curso trouxe uma programação diversificada. No primeiro dia abordou questões técnicas relativas à elaboração de documentos como Protocolos de Cooperação Internacional, Convênios, Termos Aditivos, Editais e Resoluções e a criação e gestão das assessorias de relações internacionais. Participaram como expositores a diretora de RI da Universidade Federal de Minas Gerais Eliana Regina de Freitas Dutra e o assessor de RI da Universidade Federal do Paraná Carlos José de Mesquita Siqueira A primeira mesa-redonda também teve a participação da procuradora da Universidade Federal do Paraná Rosangela Bentivoglio que falou sobre questões jurídicas relacionadas às assessorias.

As representantes das universidades federais da Grande Dourados (UFGD) e de Ciências de Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) ressaltaram a importância destes debates, já que elas vêm de instituições novas, onde os departamentos de relações internacionais estão em construção. “Os assuntos são muito pertinentes. Debates sobre legislação, atuação dos procuradores e a participação da Polícia Federal tornam o curso muito completo”, analisou Olívia Barros (UFCSPA). A chefe do setor de relações internacionais da UFGD Verônica Pieto destacou o aprendizado obtido com as experiências de outras universidades. “São abordadas questões que a gente não tem experiência, então podemos nos preparar, ter uma visão de futuro e já vislumbrar os antídotos”.

No segundo dia, o curso contou com as exposições do chefe da Divisão de Atos Internacionais do Ministério das Relações Exteriores (MRE) Alessandro Candeas, do delegado da Polícia Federal Marcelo Pinto da Costa e da representante da Delegação da Comissão Européia no Brasil Maria Cristina Araújo, que trataram de aspectos políticos, diplomáticos e operacionais pertinentes às assessorias de relações internacionais.

O ministro Marcelo Candeas falou sobre os aspectos culturais e códigos sociais envolvidos nas negociações de acordos das representações diplomáticas estrangeiras no Brasil. Ele descreveu aspectos culturais específicos de cada continente e explicou a etiqueta adequada durante as negociações com cada região. Candeas incentivou os assessores a visitarem as embaixadas brasileiras no exterior, quando em viagem: “O Itamaraty precisa conhecer o potencial das universidades brasileiras”, afirmou.

A representante da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Betania Almeida destacou esta visibilidade da universidade nos países estrangeiros: “Hoje, nós somos demandados”. Porém, Betania, que está há 15 anos na assessoria da UFBA lembrou das dificuldades iniciais e ressaltou a importância do deslocamento de técnicos entre as universidades, para que haja troca de experiências. “As assessorias precisam trabalhar em elo, para a sociedade”, defendeu Betania.

De acordo com o presidente da Comissão de Relações Internacionais da Andifes reitor Carlos Alexandre Netto (UFRGS) o trabalho nas assessorias internacionais é muito específico, não apenas burocrático e exige constante aprimoramento, daí a importância do curso da Cria. Ele destacou a participação de interlocutores do MRE, PF e do corpo diplomático. A assessora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Maria Regina Marques Marinho destacou a dinâmica ágil e a intensa programação do curso: “Nos anima, voltamos com mais entusiasmo”.

Visão de futuro
O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina e membro da diretoria executiva da Andifes Álvaro Prata proferiu a palestra “O setor de relações internacionais das Ifes: visão para o futuro”. Fazendo uma reflexão sobre o papel e a constituição da universidade, o reitor abordou as visões de Newman (educar), Humboldt (pesquisar), Napoleão (profissionalizar) e Tomás de Aquino (organizar o conhecimento) e projetou mudanças para as universidades brasileiras nos próximos anos.

Para o futuro, o reitor Álvaro Prata cogita que as universidades assumirão um forte compromisso social (políticas de apoio estudantil, moradia, alimentação, bolsas, cotas). Além disso, segundo ele, elas terão que oferecer ensino presencial e a distância, estimular os cursos cooperativos (com indústria e diferentes setores da sociedade) e contemplar a mobilidade estudantil (formação em várias instituições) e a internacionalização.

De acordo com o reitor, as universidades internacionalizadas são  “pilares para o desenvolvimento nacional”. Por isso, Prata defendeu o fortalecimento do setor de relações internacionais, que, segundo ele, deve ter o status administrativo elevado. Quanto às inovações acadêmicas, o reitor acredita que a universidade deve promover a multiculturalidade, a mobilidade institucional e internacional, cursos de língua estrangeira, co-titulação e dupla titulação e mecanismos que auxiliem as parcerias internacionais no ensino, na pesquisa e na extensão.

 

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