Governo desistiu da prova do meio do ano; só haverá um teste, após as eleições de outubro
RIO e BELO HORIZONTE. A prova do Exame Nacional do Ensino Médio 2010 (Enem) será aplicada depois do segundo turno das eleições (31 de outubro), possivelmente no mês de novembro. O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou ontem em Belo Horizonte que a decisão de desistir de fazer uma edição do Enem no meio do ano foi tomada por questão de segurança, na tentativa de evitar fraudes ou vazamento da prova, como ocorreu ano passado.
Segundo Haddad, o Ministério da Educação (MEC) fez levantamento e concluiu que poucas instituições de ensino têm dois processos de seleção por ano.
Segundo o ministério, o objetivo é diminuir riscos de fraude, já que nas eleições o esquema de segurança da prova - que conta com o apoio de PF, Correios e outros órgãos - ficaria reduzido. No ano passado, o MEC suspendeu a prova do Enem depois que o conteúdo das questões vazou. O caso é investigado pela Polícia Federal, que indiciou cinco suspeitos.
- Entre colocar em risco o exame fazendo licitação nos moldes do ano passado, correndo risco de uma empresa sem qualidade ganhar a licitação eventualmente sem condições de realizar o exame, se imaginou que, para a segurança do sistema, fosse mais adequado realizar uma única edição do exame - ressaltou o ministro.
"Temos que ter cautela, os criminosos se organizam" Ele acrescentou que o MEC seguiu a recomendação da PF: - Temos que considerar recomendação de pessoas especializadas em segurança. Não podemos negligenciar as recomendações da Polícia Federal, feitas pela pessoa destacada pelo ministro Tarso Genro (Justiça) - acrescentou Haddad, lembrando que houve vazamento no exame da OAB no mês passado. - Temos que ter cautela porque os criminosos se organizam.
Temos que continuar avançando, mas em condições realistas. Tem gente que está com 100% do tempo dedicado ao crime. Há quadrilhas se organizando em torno da questão.
A maior diferença em relação à última prova será a introdução de língua estrangeira. Apesar de o MEC ter confirmado na última semana que o exame teria questões de inglês, espanhol e francês, o Inep estuda se cobrará o último idioma.
As instituições que optaram por usar a nota do Enem em vez do vestibular serão as maiores prejudicadas com a decisão de fazer uma única edição do exame, pois terão que planejar outra forma de ingresso. Haddad afirmou, durante evento na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que poucas universidades têm dois ingressos.
Haddad afirmou também que há possibilidade de estudantes que receberam auxílio do Programa de Financiamento Estudantil e estão inadimplentes renegociarem as dívidas. Ano passado, a Caixa Econômica Federal acionou cerca de 37 mil fiadores de universitários de baixa renda por inadimplência.
- Há possibilidade de renegociação.
A lei prevê a extensão do prazo de pagamento. A Caixa está cobrando por determinação legal.
Mudança terá reflexo no ingresso na Unirio
UFRRJ usou Sisu para preencher vagas
No Rio, a decisão do MEC de realizar só uma edição do Enem atingiu a UniRio, que contava com a realização da prova em abril para preencher vagas no segundo semestre.
A pró-reitora de ensino e graduação, Loreine Hermida da Silva e Silva, disse que a universidade se valerá do Sistema Integrado de Seleção Unificada (Sisu) para convocar candidatos aptos às 1.160 vagas em 30 cursos: - Na UniRio, o Sisu será a única forma de ingresso. Vamos terminar o processo de seleção para o primeiro semestre hoje e vamos ver como usaremos a lista de espera para o segundo - explicou Loreine.
A UFRRJ, outra que havia adotado o Enem como fase única do vestibular, usou o Sisu para preencher as 3.450 vagas do primeiro e segundo semestres. Nídia Majerowicz, pró-reitora de ensino e graduação, justifica: - Percebemos que não haveria tempo para dois exames e fizemos a chamada integral para os dois semestres, colocando todas as vagas à disposição. Não há diferença, pois sempre fizemos apenas um processo seletivo para os dois períodos.
O Globo
Lauro Neto.


