UnB economiza 14% no consumo em ano de crise hídrica

Ao todo, Universidade reduziu em cerca de 38 milhões de litros o gasto de água em 2017, na comparação com 2016

Para racionalizar o uso da água, equipes de limpeza e conservação aboliram uso de mangueiras e reduziram frequências de lavagem. 

Economia de R$ 472 mil na conta anual e de 38.579 m³ no volume gasto de água. Esse é o saldo da UnB em 2017, ano de crise hídrica e racionamento no Distrito Federal. A título de comparação, só a diferença no volume de água economizado pela Universidade daria para abastecer cinco mil casas, com três habitantes cada, durante um mês.

Em 2016, a média mensal do consumo de água na instituição foi de 25.255,83 m³. O preço da conta atingiu a média aproximada de R$ 557 mil por mês. Em 2017, esses índices foram de 22.042,33 m³ e R$ 518 mil, respectivamente.

O balanço positivo é resultado da som de esforços da Prefeitura da UnB (PRC) e da administração superior que, desde o início do ano passado, trabalham medidas para racionalização do uso da água nos campi. Vistorias para detectar vazamentos e problemas estruturais, monitoramento estatístico da conta de água, mudanças nos procedimentos de limpeza e na rotina de irrigação são exemplos de ações adotadas.

Outro fator que influenciou a economia foi a efetivação, também em 2017, de contrato para manutenção e instalação hidráulica. Em 2016, a Universidade passou por um período sem a prestação de serviços desta natureza por equipes terceirizadas. “A falta da empresa de manutenção dificultava a solução de vazamentos e outros reparos”, observa Rodrigo Endres, coordenador de Elétrica da PRC.

No campus Darcy Ribeiro, o Pavilhão Multiuso I e o Centro Olímpico lideram a lista de locais que mais economizaram na conta de água. Em contrapartida, o Instituto Central de Ciências (ICC) e o Centro Comunitário Athos Bulcão aumentaram os valores consumidos. Endres explica que a economia no Pavilhão Multiuso é reflexo direto da manutenção hidráulica, após a contração da empresa terceirizada. Em relação aos espaços com elevação na conta, o servidor ressalta que, até certo ponto, o aumento é natural, pois as tarifas são reajustadas anualmente. No entanto, reconhece o ICC como ponto crítico de vazamentos.

Ainda na avaliação dos servidores da PRC, o Centro Comunitário é um local com especificidades. “No ano passado, o espaço recebeu vários encontros. Alguns com cerca de três mil participantes, usando torneiras e dando descarga. Isso eleva o consumo. Os eventos são importantíssimos, mas precisam entrar no planejamento”, analisa Cleiton Torres, coordenador de Zeladoria e Mudança da PRC.

AÇÕES – Para resolver essas e outras questões, a Prefeitura atua em várias frentes. Uma delas é o acompanhamento da conta de água por prédio. “Se houver um aumento exagerado de consumo de um mês para o outro, vistoriamos o local. Muitas vezes, o vazamento não é perceptível e, por isso, é necessário monitoramento técnico para detectar o problema”, comenta Endres. Além disso, a equipe de manutenção planeja a instalação de torneiras com temporizador e outros equipamentos mais modernos para auxiliar na economia e promover o uso consciente.

Racionalizar o uso da água nos serviços de limpeza também foi prioridade nos últimos meses. A frequência da lavagem das salas administrativas e internas passou de semanal para mensal. “Para uma sala de 20 m², gastava-se algo em torno de 60 litros de água para a lavagem. Só neste tipo de atividade, a economia de água chega a 300 mil m³ e isso, com certeza, tem impacto no consumo”, ressalta Cleiton Torres.

Segundo o coordenador, a PRC faz levantamentos periódicos para mapear as áreas que necessitam de frequência maior de lavagens, como laboratórios, e para identificar os espaços nos quais é possível aumentar ainda mais o intervalo de limpeza.

Outra medida foi a abolição do uso da mangueira nas lavagens, que passaram a ser feitas com baldes ou garrafas de plástico furadas. “A conscientização parte do princípio que o recurso não é da Universidade, mas de todos. O que falta aqui, falta para qualquer um de nós”, lembra Torres.

A equipe de limpeza ainda atua de forma integrada com outras áreas da PRC. “Muitas vezes, nossos colaboradores são os primeiros a perceber que há vazamentos ou problemas com válvulas e torneiras danificadas. Então, estão constantemente acionando a Prefeitura.” Em 2017, metade do total de cinco mil ordens de serviços abertas na PRC remetia a questões hidráulicas – torneiras, vasos, ralos, chuveiros e afins.

Em relação aos parques e jardins, houve mudanças significativas no processo de irrigação. Antes, as plantas do ICC eram irrigadas por aproximadamente 15 minutos diários. Hoje, são cerca de dois minutos. Nas outras localidades, a periodicidade da rega varia de uma a duas vezes na semana. Há projetos para implementar irrigação automática por gotejamento, o método mais econômico.

Outra estratégia adotada foi a alteração nos hábitos de vegetação no campus Darcy Ribeiro. A ideia consiste em, paulatinamente, mudar as plantas cultivadas nos jardins por espécies nativas, mais resistentes à seca ou que necessitem de pouca água, como explica o coordenador de Parques e Jardins da PRC, Matheus Maramaldo. “Estamos fazendo testes e ajustes. No ICC, por exemplo, Erva-Cidreira não deu certo. A Palma pegou, mas não ficou bonita esteticamente. Já Penicilina e Boldinho apresentaram ótimos resultados”, conta.

Os estudos e testes são feitos no Viveiro da Prefeitura da UnB ou em parceria com outras unidades, com plantas doadas e naturais do Cerrado. “Temos projetos com o Instituto de Ciências Biológicas (IB), com a Fazenda Água Limpa (FAL), na Estação Biológica, além de alguns canteiros experimentais de jardins prontos. O trabalho é gradual. Serão cerca de quatro anos para alcançarmos resultados visíveis de jardins reprojetados”, vislumbra Maramaldo.

Os servidores da Prefeitura ainda destacam como ponto positivo o envolvimento e o compromisso de grande parte da comunidade universitária em relação à economia de água. Por outro lado, reclamam dos casos de desperdício, depredação e vandalismo. “Há muitos registros relacionados à quebra dos filtros de água, roubo das torneiras, falta de cuidado com as descargas e com os vasos sanitários”, aponta Rodrigo Endres.

“Para colocar o planejamento em prática, precisamos do comprometimento das áreas, além da sensibilização da comunidade acadêmica. Muitas ações dependem de uma mudança cultural, do modo como as pessoas convivem e agem dentro do campus. Só um conjunto de ações sinérgicas trará resultados significativos para a promoção do consumo consciente da água, da energia e de outros recursos”, completa o coordenador-geral de Administração da PRC, Wilson Ramos.

INTEGRAÇÃO – Para dar continuidade à atuação integrada e à priorização de temáticas relativas a meio ambiente e sustentabilidade na UnB, foi criada, em fevereiro, a Assessoria de Sustentabilidade Ambiental (ASA), vinculada ao Gabinete da Reitoria (GRE).

Chefiada pelo professor Pedro Zuchi, do Departamento de Economia, a pasta tem como objetivos gerenciar e propor políticas, incorporar procedimentos sustentáveis em âmbitos diversos da Universidade e implementar um Plano de Logística Sustentável, que já está em fase final de elaboração.

“Com a assessoria, a sustentabilidade passa a ser uma estratégia macro da Universidade de Brasília. O foco é formalizar e padronizar os processos, dinamizar o uso de recursos, buscar soluções eficientes e trazer as experiências das pesquisas que já são feitas para o âmbito institucional”, pontua Zuchi.

Além do planejamento logístico, o setor pretende levantar dados e fazer diagnóstico sobre a situação atual da UnB em relação à sustentabilidade. Serão desenvolvidas ações prioritárias nas áreas de espaços verdes; água; energia elétrica; resíduos sólidos e perigosos; e educação ambiental.

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