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Especialistas apresentam panorama da pandemia ao Conselho Pleno da Andifes

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As professoras Ethel Maciel (UFES) e Lúcia Pellanda (UFCSPA) apresentaram o panorama da pandemia aos reitores e reitoras durante reunião do Conselho Pleno da Andifes.

Durante a 140ª Reunião Extraordinária do Conselho Pleno da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), realizada nessa quinta-feira (8), os reitores e reitoras das universidades federais receberam as especialistas em epidemiologia Lúcia Campos Pellanda (UFCSPA) e Ethel Leonor Noia Maciel (UFES) para que apresentassem um panorama da pandemia de Covid-19. A reunião foi realizada virtualmente.

De acordo com Lúcia Pellanda, a situação está descontrolada no Brasil e isso amplia a possibilidade de surgirem novas variantes em todos os estados. “O número de óbitos por Covid-19 mostra que 2021 já começou de uma forma bastante trágica. É delicado falarmos em projeção de infectados, porque isso depende de diversos fatores. Mas, se as pessoas continuarem não cumprindo as orientações, como usar adequadamente a máscara, podemos chegar ao mês de julho com mais de 500 mil mortes.”

A professora de epidemiologia afirmou que os países que têm se destacado na contenção das infecções pelo Coronavírus possuem características em comum, como comunicação unificada, decisões rápidas e baseadas na ciência, testagem e rastreamento para o rápido isolamento de infectados, isolamento social eficiente para prevenção da transmissão respiratória, além da vacinação. “Há duas estratégias básicas: a prevenção, como foi o caso da Nova Zelândia, que realizou a contenção e não deixou a doença avançar no país. E a outra é a mitigação. Depois que já existe a transmissão comunitária e não se pode mais identificar a origem da infecção, é preciso reduzir o impacto sobre a população. Por essa estratégia passa, por exemplo, o aumento de leitos hospitalares, mas que sozinho não é o suficiente porque trata-se de um recurso finito. Em um país em curva exponencial como o nosso, o número de casos acaba sendo infinitamente maior do que a oferta de leitos para tratamento dos infectados. Vai aumentando a mortalidade devido ao esgotamento do sistema.”

Pellanda reforçou que a estratégia mais eficaz na contenção da transmissão por vias respiratórias é o uso de máscaras de forma adequada, distanciamento interpessoal, proibição de aglomerações e ventilação, pois ambientes fechados potencializam a possibilidade de transmissão do vírus. “Por aglomeração, eu me refiro ao encontro de quaisquer pessoas que não morem juntas. Ou seja: uma aula, um encontro familiar de parentes que moram em casas distintas ou entre amigos, mesmo que com poucas pessoas, já configura aglomeração e potencial risco de transmissão”, detalha.

Segundo Ethel Maciel, nesse momento, o Brasil vive um colapso generalizado com sistemas hospitalares incapazes de absorver o número de doentes, profissionais da saúde adoecendo por infecção pelo Coronavírus ou por outros fatores, como stress de jornadas múltiplas de trabalho. E há, ainda, a falta de insumos para o tratamento adequado da população infectada, como medicamentos para sedação e equipamentos para ventilação mecânica, por exemplo.

A epidemiologista chama atenção ao fato de que as variantes têm causado novos sintomas e afetado à população mais jovem e, inclusive, levando a óbito pessoas sem doenças pré-existentes. “A princípio, achávamos que se conseguíssemos imunizar os adultos e pessoas com comorbidades que mantém contatos com crianças e outros jovens que poderiam levar o vírus para casa, já teríamos um cordão de proteção e então poderíamos pensar em um retorno à rotina mais seguro. Com essas variantes, esse cenário muda e o que nós vemos são jovens tendo problemas graves ou indo a óbito”, lamenta.

Sobre as vacinas, Ethel explica que as duas disponíveis para aplicação hoje no Brasil possuem eficácias diferentes e isso modifica a estratégia de vacinação da população. “A eficácia da vacina é um parâmetro para que possamos avaliar a imunidade coletiva. Como as vacinas que estamos usando no Brasil possuem eficácias distintas, e mais baixas que as estão sendo usadas em outros países, precisamos vacinar mais pessoas para atingir um nível de imunidade seguro. Então, se antes estávamos pensando em algo em torno de 70% da população, agora precisamos considerar, pelo menos, 85% de brasileiros vacinados.”

Os reitores lembraram que três vacinas foram desenvolvidas por universidades federais e estão em processo de pesquisa laboratorial. Se avançarem nos testes, poderão ir para as fases clínicas em breve. Desde o início da pandemia, toda a estrutura física e humana dessas instituições está à disposição da população no enfrentamento da pandemia.

Façamos todos a nossa parte: use máscara, mantenha o distanciamento, vacine-se no momento oportuno e, se puder, fique em casa.

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