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“As possibilidades são infinitas para o Promover Andifes”, afirma presidente Edward Madureira

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A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior – Andifes lançou, em janeiro, a edição piloto do Programa de Mobilidade Virtual em Rede de Instituições Federais de Ensino Superior (Promover Andifes). A partir dos conceitos e possibilidades testados por quatro universidades, a associação agora irá expandir o programa e, no próximo dia 6 de maio, lançará novo edital com 12 universidades participantes.

Em entrevista, o presidente da Andifes, reitor Edward Madureira (UFG), afirmou que o programa é um novo marco no Ensino Superior Público, com enorme potencial a ser explorado. O programa é aberto a todos os estudantes de graduação matriculados nas universidades federais brasileiras, com potencial de expansão do público-alvo.

Conheça o Promover Andifes na íntegra da entrevista feita com o presidente da entidade.

Qual é o impacto do Promover Andifes para o Ensino Superior Público?
Reitor Edward – Os impactos do Promover Andifes já podem ser sentidos no dia a dia das universidades e na expectativa que o programa gerou entre estudantes, que estão cada vez mais interessados em cursar disciplinas em outras universidades. Agora, também os docentes começam a se mobilizar para oferecer disciplinas em conjunto. E o impacto, sem nenhuma dúvida, será extraordinário na integração das universidades federais. Imagine nós termos estudantes circulando pelo país de maneira virtual, trocando experiências, professores colaborando na oferta de disciplinas: a riqueza dessa interação nacional, que certamente vai trazer também para os estudantes uma percepção muito maior da dimensão da graduação, das dificuldades, das possibilidades, do potencial do nosso país. Eu vejo o Promover Andifes como um elemento estruturante na criação de um Sistema Nacional de Educação Superior no Brasil.

Como o programa foi desenvolvido?
Reitor Edward – O programa se iniciou inspirado no Programa de Mobilidade Estudantil da Andifes, que era a mobilidade física dos estudantes. Quando nós começamos a experimentar as atividades remotas, inclusive a partir das próprias reuniões da diretoria da Andifes, que se tornaram diárias e de maneira remota, nós começamos a vislumbrar outras possibilidades. Nesse momento, as primeiras universidades (UFSB, UFG, UFMA, FURG, UFABC, Unifei e UFAC) foram convidadas para uma reunião. Porém, em função de calendários e de mudanças dentro da própria gestão, três universidades não puderam participar do projeto piloto, que foi implementado com quatro instituições nas diferentes regiões brasileiras. Há muito trabalho ainda, mas a Andifes está buscando elementos fundamentais e construindo um grande programa.

Qual é o público-alvo?
Reitor Edward – O público-alvo, no primeiro momento, são todos os estudantes de graduação das universidades federais, matriculados em qualquer curso e em qualquer etapa desses cursos. A única limitação é a quantidade de disciplinas, para que não haja sobrecarga dos estudantes e também para que haja compatibilidade com os cursos de origem, de forma que eles possam cursar as novas disciplinas concomitantemente. O programa é extremamente ambicioso e a ideia é que ele se expanda para a pós-graduação, uma vez que já existem algumas experiências positivas e que serão incorporadas. O Promover Andifes dialoga com a internacionalização, com a extensão, com a pesquisa e, certamente, levará a uma integração em outras áreas, como a gestão de maneira geral, gestão de TI, de pessoas, entre outros. As possibilidades são infinitas para o Promover Andifes.

Qual é a diferença desse em relação aos outros programas de Mobilidade Acadêmica da Andifes?
Reitor Edward – A diferença desse programa para outros é justamente o fato de ele ser remoto e de estar sendo concebido a partir do CIM, que é o comitê de implantação, com uma discussão envolvendo cada vez mais as universidades, os pró-reitores de graduação e de TI e, com isso, aprofundando em questões fundamentais, como a validação de disciplinas. Toda a parte acadêmica está sendo pensada no bojo dessa iniciativa. E também, um grupo está trabalhando na Comunicação Integrada, com a participação de todas as universidades que integram o programa se unindo, por meio dos seus gestores de comunicação, para conceber uma campanha única, que motive estudantes e professores a participarem do Promover. Dessa forma, o Programa começa com grande fôlego e tenho certeza de que será uma iniciativa extremamente exitosa, considerando ainda que as limitações de natureza econômica são menores por usar uma plataforma virtual.
 
O senhor pode falar um pouco mais a respeito desse comitê de implantação?
Reitor Edward – O CIM-Promover, ou comitê de implantação do Programa de Mobilidade Virtual em Rede da Andifes, é composto pelos reitores e pró-reitores das quatro universidades do projeto-piloto, coordenadores de alguns fóruns assessores, como o Colégio de Pró-reitores de Graduação das IFES (COGRAD), o  Colégio de Gestores de Tecnologia da Informação e Comunicação das IFES (CGTIC), o Colégio de Pró-reitores de Extensão das IFES (COEX), o Colégio de Pró-reitores de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação das IFES (COPROPI), além da própria Diretoria da Andifes, para coordenar todas as atividades ligadas ao Promover, desde a sua concepção, as etapas que vão sendo atingidas, como agora a mudança de quatro para 12 universidades. Dentro desse comitê, há a organização de grupos de trabalho específicos, como, por exemplo, o grupo de trabalho de TI, que já está desenvolvendo o sistema do programa, entre outras atividades. Esse comitê se reúne a cada 15 dias para atualizar as informações e tomar decisões sobre a implementação do Promover Andifes.

A pandemia influenciou na elaboração desse programa?
Reitor Edward – Sem dúvida nenhuma, o programa é um legado dessa pandemia que nos trouxe tanta tristeza e tantos aspectos negativos ao nosso dia a dia. Mas, esse mesmo cenário negativo nos obrigou a recorrermos a tecnologias que já existiam, mas que, de alguma forma, resistíamos a utilizar. Houve, sim, influência da necessidade de nos reinventarmos e estimularmos a nossa criatividade, unida ao compromisso de darmos continuidade ao trabalho que realizamos com muita qualidade e responsabilidade.

Muitas universidades mostraram interesse em integrar o programa. Sendo assim, por que nesse momento apenas 12 das 69 universidades estão participando?
Reitor Edward – Esse é um cuidado especial que nós estamos tendo. Começamos com quatro universidades e ousamos triplicar para 12, mesmo não tendo ainda o sistema pronto. Esse sistema está sendo desenvolvido sob a coordenação do reitor Daniel (UFRN), em parceria com a UFSM, UFMA, FURG e com a participação do CGTIC, e é fundamental para que a gente dê o próximo passo. A expectativa é de que no segundo semestre letivo de 2021, entre setembro e novembro, tenhamos a participação de todas as universidades que queiram integrar o Promover Andifes.

Os números mostram que o programa-piloto teve uma ótima aceitação. A que o senhor credita a alta adesão de alunos e professores?
Reitor Edward – Eu acredito que esse ambiente já estava preparado que alguma forma. Os nossos alunos têm muita intimidade com as tecnologias, a pandemia colocou o ensino remoto emergencial como a única alternativa para que nós pudéssemos garantir a continuidade dos nossos trabalhos e os estudantes perceberam nisso uma possibilidade de adiantar as suas trajetórias, de experimentar novas realidades, com professores de outras universidades, conviver com alunos de outros locais, sem sair de casa ou da sua própria universidade. Então, já estava inerente essa predisposição dos estudantes a utilizar a tecnologia e fez com que a adesão ao programa se desse de forma tão natural. Hoje a gente percebe, inclusive, uma movimentação grande do sentido de participar das outras etapas.

Qual é a expectativa para o lançamento do Promover?
Reitor Edward – Estamos trabalhando com a perspectiva de lançar o edital para esse primeiro semestre de 2021 no dia seis de maio, com as 12 universidades federais já definidas, e com calendário de matrícula, de recursos e de início de atividades entre os meses de maio e julho.  Mais à frente, com a possível regularização do calendário acadêmico em relação ao ano civil*, teremos um fluxo mais natural dessas atividades. *Os calendários acadêmicos sofreram alterações em razão da pandemia.

Se o senhor estivesse lecionando hoje, gostaria de participar do Promover?
Reitor Edward – Sem dúvida nenhuma. Eu gostaria muito de oferecer disciplinas em parceria com outros professores, como um desafio que amplia muito as possibilidades para estudantes. São visões diferentes, professores diferentes, universidades diferentes e essas realidades diferentes certamente enriquecem muito a formação do estudante e desafia muito mais o docente. Então, quando eu retornar as minhas atividades acadêmicas, sem nenhuma dúvida, serei um dos professores a ofertar disciplinas dentro do Promover Andifes.

E se fosse estudante de graduação?
Reitor Edward – Da mesma forma, pelas mesmas razões. A possibilidade de novos horizontes e novas experiências, de ter contato com culturas diferentes, não só regionais, mas as culturas universitárias, é uma experiência enriquecedora e, sem dúvida, o aprendizado é outro. Então, a motivação também seria grande no caso de ser estudante graduação.

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