A universidade não é um país

A universidade não é um país

USP, Unicamp e Unesp querem fatia maior do bolo de dinheiro arrecadado pelo governo paulista. As universidades argumentam que têm cada vez mais alunos e cursos, mas desde 1995 recebem os mesmos 9,57% da receita anual do ICMS. Parece que o orçamento das universidades está congelado, pois. Só que não. Se o bolo de dinheiro do ICMS cresce, a fatia das universidades também aumenta, óbvio.

Essa conversa descambou para crise, escândalo e greve quando a USP “descobriu” que sua despesa com pessoal é maior que a receita.

Não dá para discutir a universidade com base apenas em conta de padaria, embora o debate tenha de passar por aí. Quando falta pão, fica mais difícil todo mundo ter razão.

Considere-se o caso mais estrambótico, o da USP, que passou a gastar 105% de sua receita com despesas de pessoal e leva 52,5% do dinheiro para as “três irmãs”.

Depois de 2002 até 2013, os repasses para a USP cresceram uns 63% em termos reais (isto é, já descontada a inflação), segundo o balanço orçamentário.

Trata-se de um crescimento maior que o da economia brasileira no período (o PIB aumentou uns 46%). O número de alunos da graduação cresceu 37%; o de cursos, 53%. O quadro de servidores cresceu 20%; o de professores, quase 26%.

Em termos de oferta de cursos e matrículas, a USP se tornou mais eficiente, dado o quadro de funcionários. Mas o valor dos repasses para a universidade aumentou ainda mais rápido do que a oferta de vagas e cursos. É um argumento definitivo contra a reivindicação de aumento de verba? Não. A universidade faz mais do que graduar estudantes. Não se pode pensar o assunto como se fosse o caso de aumentar a ração ou o pasto de um rebanho crescente.

Mas há apenas três meios de transferir mais dinheiro do Estado para as universidades.

Um: diminuir o orçamento de outras áreas. De qual? De metrô, hospital, escola básica, polícia? De Assembleia, Justiça, do Tribunal de Contas? Da Fapesp? Quem pariu o Mateus da reivindicação que embale uma proposta de corte ou de “choque de gestão”.

Dois: elevar impostos. O grosso do dinheiro estadual vem do ICMS; um pouco, do IPVA. Sugestões?

Três: fazer dívida. Na prática, impossível, se não idiota.

Os sindicatos de funcionários das universidades argumentam que o governo do Estado faz truques a fim de reduzir o bolo de ICMS a partir do qual é calculada a verbas das universidades públicas paulistas. Pode ser. Para o governante, interessa gastar menos na universidade, de onde vêm poucos votos. Ainda assim, o dinheiro vai para áreas onde a escassez é feia feito a fome.

Os sindicatos argumentam ainda que, desde a autonomia universitária paulista, aumentou muito a oferta de seus serviços. Verdade. O número de alunos por professor passou de 8,9 em 1989 para 14,6 em 2013 na USP. No entanto, pode-se argumentar também que a universidade era ineficiente nesse quesito.

Em suma, não dá para debater dinheiro sem saber qual universidade queremos e podemos ter. Mas não dá para aceitar que, de autônomas, as universidades se tornem quase soberanas (com liberdade de escolher seu governo e de definir seu quinhão de impostos e seus gastos).

Vinicius Torres Freire está na Folha desde 1991. Foi secretário de Redação, editor de ‘Dinheiro’, ‘Opinião’, ‘Ciência’, ‘Educação’ e correspondente em Paris. Em sua coluna, aborda temas políticos e econômicos. Escreve de terça a sexta e aos domingos

Top Tips To Look Out For When Having Your Ears Pierced
watch game of thrones online free fix costumes for fewer

Fred Hughes makes the best dressed list of 1974
mermaid wedding dresses Mathersoon and John Cranch

Google’s Zipper Celebrates The Birth Date Of Gideon Sundback
cheapest flights take a closer look at the dress styles

How Does Emo Differ From Goth
forever 21 Plain kids clothes become child chic with the addition of appliques

San Diego Seafood Restaurants Near the Ocean
onlinegames another newbie’s runners paint primer

Buy exclusive and premium quality clothing collection at one place
kleider a cool and trendy better dividend stock options

Gala Dinner and Fashion Week
ballkleider This can easily burn as well

The 6 Most Embarrassing War Stories of All Time
games The program has been expanded to three locations

Compartilhar