Alicerce para o conhecimento

Alicerce para o conhecimento

Bolsas de Produtividade em Pesquisa dão vigoroso suporte à pesquisa científica nacional;
concessões para a UFSJ crescem com a expansão

A recente trajetória brasileira no desenvolvimento científico pode ser considerada espetacular. Na década de 1950 – como se pode ler em artigo do economista Cláudio de Moura e Castro publicado no Estado de Minas de 13 de fevereiro – não havia um só artigo de pesquisadores brasileiros publicado em periódicos científicos indexados. O influxo vem na década seguinte, quando se desencadeia um processo acelerado de criação de universidades federais e o consequente intercâmbio de formação de pesquisadores no exterior, o que deu origem a cursos de mestrado e doutorado de excelente qualidade.

A cada ano, são formados no país mais de 10 mil doutores e cerca de 40 mil mestres, ou seja: em menos de meio século, “o país sai do quase zero e torna-se o 13o maior produtor de pesquisas publicadas nos melhores periódicos internacionais.” É, segundo o articulista, um resultado extraordinário, que credita aos pesquisadores brasileiros a marca de 2% da produção científica internacional.

Esse avanço quantitativo e qualitativo se deve à estruturação de órgãos de fomento do quilate da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), responsáveis pelo apoio à pesquisa científica e tecnológica e à formação de recursos humanos para a pesquisa no país.

Uma das modalidades de concessão de bolsas mais importantes entre as oferecidas pelo CNPq, o programa Produtividade em Pesquisa (PQ) beneficia cerca de nove mil bolsistas, oferecendo estímulo constante a diversos segmentos de pesquisadores, com foco no aprofundamento da qualidade da investigação científica.

As bolsas, hierarquizadas por categoria e nível, são concedidas individualmente, segundo pré-requisitos de avaliação de mérito propostos pelo CNPq e critérios de qualificação definidos pelos Comitês de Assessoramento, que contemplam os seguintes itens: produção científica do candidato; contribuição científica e tecnológica e para inovação; coordenação ou participação principal em projetos de pesquisa e em atividades editoriais e de gestão científica, além da administração de instituições e núcleos de excelência científico-tecnológicos.

Para concorrer, é necessário o título de doutor ou perfil científico ou tecnológico equivalente, atualizados na Plataforma Lattes. Como a demanda é bastante superior à oferta, o nível de exigência para os candidatos tem sido cada vez mais alto. Qualquer erro, inclusive os de grafia, pode comprometer a classificação no PQ. Para a análise do mérito dos projetos, a qualidade da formação do pesquisador e a relevância do tema a ser pesquisado ganham pontos na criteriosa seleção do Conselho. “Além de inovador, o projeto precisa estar bem fundamentado teoricamente, para destaque de sua viabilidade técnica e adequação metodológica”, afirma o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFSJ, Antônio Luiz Assunção.

As inscrições no Produtividade em Pesquisa são feitas diretamente pelo pesquisador no site do CNPq (www.cnpq.br/bolsas). Este ano, o calendário para esta modalidade abre em 15 de abril e vai até 18 de agosto, com resultado previsto para janeiro do próximo ano. A vigência da bolsa é de 36 meses.

Na UFSJ
A conquista da prestigiosa Bolsa de Produtividade em Pesquisa – que também direciona recursos para projetos de desenvolvimento tecnológico e extensão inovadora – vem registrando tendência constante de crescimento na UFSJ. O salto quantitativo pode ser observado no período 2006-2008, justamente o da criação dos campi fora de sede e da adesão ao Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que possibilitaram aumento exponencial na contratação de docentes altamente qualificados.

Antes disso, as concessões seguiam um ritmo próprio, ligado ao recém-doutoramento de grande parte do corpo docente, no histórico esforço de qualificação que preparou a UFSJ para ser uma das instituições federais de ensino superior que mais cresceu com a expansão da universidade pública.

Os rigorosos critérios de seleção para a Bolsa de Produtividade impediam a habilitação dos jovens doutores da Universidade. Para se ter uma ideia desse rigor, basta lembrar que, para se chegar à categoria Sênior, são necessários, no mínimo, 15 anos consecutivos de ininterrupta produção científica, com projetos enquadrados nos níveis A ou B.

Para enquadramento na categoria inicial dessa modalidade, a de Pesquisador 2, o requisito é ter concluído o doutorado há pelo menos três anos. Como aqui não há especificação de nível, o CNPq avalia a produtividade do pesquisador com ênfase em trabalhos publicados e orientações referentes aos últimos cinco anos. “Foi preciso tempo para que a UFSJ conquistasse mais essa fronteira”, avalia Assunção.

Conquista esta que vai superando barreiras: com o resultado do edital 2010, já são 30 projetos financiados pelo Programa Produtividade em Pesquisa.

 

Compartilhar