Andifes debate conjuntura e perspectivas econômicas e políticas em seminário

Andifes debate conjuntura e perspectivas econômicas e políticas em seminário

A atual situação econômica e política do país e seus desdobramentos foram temas do seminário Brasil, conjuntura e perspectiva, promovido pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), dia 28, em Brasília. Reitores das Universidades Federais, e convidados, receberam especialistas que apresentaram suas análises a respeito do quadro econômico, as perspectivas e implicações no planejamento e na implementação das ações de governo e das políticas públicas vigentes.

Três professores pesquisadores na área de economia contribuíram para o debate. Ricardo Bielschowsky, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), doutor pela University of Leicester, na Inglaterra; Fernando Sarti, doutor, diretor do Instituto de Economia da UNICAMP e Julio Sergio Gomes de Almeida, professor da UNICAMP e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. O economista do Banco Santander, Rodolfo Margato, fechou o grupo de especialistas.

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O professor Julio Sergio Gomes apresentou uma análise econômica, com ênfase na política, dos fatores que levaram ao atual desequilíbrio econômico, depois de um longo período de crescimento. Para ele, todo processo de desenvolvimento traz problemas futuros, e recaem em fases mais difíceis como a que o país enfrenta agora. “ O Brasil é sem dúvida um case na história mundial de mudança social através de um processo de orçamentação, mas é um país que enfrenta um processo acumulativo de retração”, disse o pesquisador.

Julio Gomes destacou que ainda existem problemas na estrutura tributária, um crescimento vegetativo de gastos, alta conta de juros, e um governo que perdeu a capacidade de coalisão com o Congresso. O economista também analisou os impactos do juste fiscal anunciado pelo Governo, e projetou que a reação de recuperação pode acontecer com a melhora na relação política e a retomada da confiança do consumidor, empresários e da indústria.

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O economista do Bando Santander, Rodolfo Margato, iniciou sua avalição contextualizando o Brasil diante de outros cenários internacionais, e fazendo uma análise dos índices das atividades domésticas, como o Produto Interno Bruto (PIB), investimentos e mercado de crédito. “A leitura do mercado tem sido negativa, mas não podemos deixar de considera que o Brasil é o 7º maior mercado consumidor, robusto e que atrai muito investimento internacional”, disse o economista.

EDUCAÇÃO
Margato também utilizou os dados de gastos com educação, salientando que o Brasil é um dos países que mais investe em educação no mundo, com destinação de cerca de 6% do PIB, mas que ainda é preciso buscar novos avanços porque alguns índices educacionais são usados negativamente nos indicadores de mercado. “A educação é um investimento de longo prazo que permitirá impulsionar a competitividade, desenvolver a economia e restaurar a produtividade”, avaliou.

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O diretor do Instituto de Economia da UNICAMP, professor Fernando Sarti também destacou o papel da educação, colocando as universidades públicas como parte da solução do problema econômico. “Estas instituições têm que está à frente da sua sociedade e trazer soluções. Se hoje não se faz um bom debate sobre o cenário econômico, que as universidades façam”, disse.

Em uma análise técnica, Fernando Sarti apresentou explicações para a mudança na economia e disse que o maior problema do Brasil é a taxa de juros. Ele avaliou que para o país voltar a crescer é preciso fazer uma combinação de fatos que envolvem, mais investimentos (infraestrutura), reforma tributária, equilíbrio da relação entre oferta e demanda e ampliação da capacidade competitiva. “O Brasil tem um protagonismo global que precisa ser respeitado. O mundo não nos ver tão mal. Recebemos muito investimento produtivo estrangeiro. Ninguém investe em quem não confia”, disse o economista.

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O professor da UFRJ, Ricardo Bielschowsky, contextualizou o momento econômico analisando-o historicamente e dando ênfase à estratégia social desenvolvimentista adotada nos últimos doze anos. “Tivemos avanços espetaculares, como a queda da pobreza, investimentos em programas sociais, avanço na educação, aumento dos salários, redução na concentração de renda, mas temos problemas para enfrentar”, disse. Para o economista o país precisa melhorar a infraestrutura social, iniciar uma nova etapa de industrialização, investimento em inovação e melhoria nos indicadores fiscais.

Para Bielschowsky a crise foi gerada, principalmente por fatores externos, mas que o quadro não é desastroso, pois a dívida externa líquida e juros internacionais são baixos, assim como a acontece no quadro fiscal. “Neste contexto é preciso observar que este projeto de fazer crescer com investimento social está em cheque, principalmente porque, se instala um ambiente conservador neste país”, afirmou.

Na opinião do secretário executivo da Andifes, Gustavo Balduino, as avaliações levaram a concordância sobre a gravidade do momento econômico. “Foi unânime a opinião de que existe um componente político que complica a gestão econômica e a busca de soluções, assim como, todos advogam a necessidade de uma reforma tributária, e defendem que o Brasil possui um relevante protagonismo no cenário político e econômico internacional ”, avaliou Balduino.

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O secretário executivo destacou, no entanto, que há divergência entre os especialistas quanto às origens da atual crise, as medidas mais relevantes para a superação desta fase, bem como em quanto tempo será retomada uma trajetória de crescimento. “As apresentações foram muito ricas e com dados atualizados e confiáveis”, afirmou.

O então presidente da Andifes, reitor Targino de Araújo, que coordenou o debate, no encerramento do seminário agradeceu a importante colaboração de todos os participantes. “Nesta atividade, a Andifes mais uma vez cumpriu uma das suas missões, que é valorizar o conhecimento e os profissionais de nossa academia. A universidade é sim o ambiente natural da polêmica e busca de respostas para as questões que se apresentam para sociedade”, disse o presidente da Associação.

A iniciativa do colegiado de reitores das Universidades Federais em realizar o seminário Brasil, conjuntura e perspectivas, visa promover debates sobre temas estruturantes para o desenvolvimento do país, e faz parte da proposta da Andifes, de buscar no meio acadêmico, discussões técnicas que contribuam para o aperfeiçoamento das ações e gestões públicas, levando em consideração os fatores sociais, econômicos e seus reflexos, de modo a permitir uma intervenção mais qualificada dos atores políticos na agenda que permeia a sociedade.

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