Ao completar um quarto de século de criação, Editora UFMG celebra reconhecimento e prepara infraestrutura para crescer

Ao completar um quarto de século de criação, Editora UFMG celebra reconhecimento e prepara infraestrutura para crescer

Quase 900 títulos publicados e cerca de 700 mil exemplares vendidos depois, a Editora UFMG comemora 25 anos. Se os números parecem expressivos, vale ainda mais o reconhecimento que ela desfruta entre diversos setores. Para ficar apenas em um exemplo recente, enquete do jornal Valor Econômico com críticos literários e professores classificou a editora como a melhor entre as universitárias e a quarta da lista que incluía editoras comerciais.

O sucesso pode ser creditado a fatores como o amadurecimento das áreas de pesquisa e pós-graduação da Universidade e à política de publicar também autores de fora da instituição, incluindo estrangeiros. Essa é a visão do professor Wander Melo Miranda, da Faculdade de Letras, que dirige a Editora há mais de 12 anos, em mandatos sucessivos de dois anos – o nome do diretor é escolhido pelo Conselho Editorial e avalizado pelo reitor.

Os bons resultados do trabalho se refletem na grande procura por parte de autores, que naturalmente não podem ser todos atendidos. O cronograma para 2011 está praticamente fechado, e só poderão ser aceitos novos originais para exame no segundo semestre do ano que vem. Embora tenha lançado número maior nos últimos dois anos, a direção considera que, para trabalhar com tranquilidade, a Editora não deve publicar mais de 80 obras por ano. “Este ano foi preciso frear o ritmo de produção”, conta Wander Miranda.

Mas as perspectivas são de crescimento. Até o final de 2011, a Editora será transferida do prédio da Biblioteca Central para outro de quatro andares do novo complexo de atividades didáticas que está sendo construído atrás da Faculdade de Letras. “Instalados no espaço novo e com problemas de pessoal equacionados, em dois anos a Editora UFMG terá condição de publicar 100 obras por ano”, prevê o diretor.

Perfil
A Editora UFMG foi criada em 1985, com origem no chamado Serviço Editorial e vinculada à Pró-reitoria de Pesquisa. Dois anos depois, a professora Sônia Queiroz, da Fale, assumiu a função, intensificando a relação da produção com a vida da sala de aula, com maior autonomia editorial e preocupação de dar visibilidade à produção acadêmica e didática. “Na época começamos a delinear um perfil para a Editora, com as primeiras coleções e um projeto gráfico”, conta Sônia Queiroz, hoje diretora do Centro Cultural UFMG.

Longe da Editora há 15 anos – ela foi sucedida em 1995 pelo professor Paulo Bernardo Vaz, do Departamento de Comunicação Social –, Sônia vê avanços significativos em todas as áreas. “Houve grande aperfeiçoamento nos aspectos editorial e gráfico, ótima definição de conceitos para as novas coleções. Além disso, a Editora acertou no investimento em distribuição, e deu um salto enorme na questão da visibilidade. Hoje, seus livros são encontrados com facilidade”, analisa Sônia Queiroz.

Quase uma profecia
Quando chegou ao campus Pampulha para trabalhar na Editora UFMG, há 25 anos, Claudia Teles apresentou ao professor Duílio Gomes, então diretor, calhamaço com os originais de um livro do maestro italiano Sergio Magnani, produzido em grande parte, ao longo de vários anos, durante suas viagens de trem entre Montes Claros e Belo Horizonte. Ela havia recebido o material quando atuava na editora Vega, que acabara de fechar. “Era um texto datilografado, com muitos trechos manuscritos, uma preciosidade”, recorda a coordenadora editorial, que hoje trabalha na editora da PUC Minas.

Pouco tempo depois, Claudia teve oportunidade de contar ao maestro que o livro seria publicado pela Editora UFMG. “Ele me disse então uma frase que para mim sintetiza a história da Editora: ‘Se forem rosas, florescerão’ ”. Cinco anos mais tarde, depois de muito trabalho de preparação, a cargo de uma pequena equipe, foi lançada a obra Expressão e comunicação na linguagem da música. “Fico muito feliz em constatar o sucesso da Editora, que, assim como o livro do Magnani, depois de muito trabalho, floresceu”, diz Claudia.

Títulos publicados
2008: 95
2009: 86
2010: 58 (até 15 de setembro)
Total desde 1985: 892
Livros vendidos: cerca de 700 mil
Campeões de vendas (1998 a 2010):
Química na cabeça (Alfredo Luis Mateus) – 35.569 exemplares
Um toque de clássicos (Marx, Durkheim e Weber) – 29.382
Manual para normalização de publicações técnico-científicas
Júnia Lessa França e Ana Cristina de Vasconcellos – 26.539
100 poemas, de Carlos Drummond de Andrade – 15.083
Física mais que divertida (Eduardo de Campos Valadares) – 13.223

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