Apenas 46% dos universitários do país se formam em quatro anos

Apenas 46% dos universitários do país se formam em quatro anos

Dados de 2010 são inferiores aos 51% de 2005, segundo o Censo da Educação Superior do MEC

Já o volume total de matrículas nas universidades mais que dobrou na década passada

O número de matriculados no ensino superior mais que dobrou em dez anos no país. O sistema, porém, perdeu eficiência, pois menos alunos concluíram o curso em quatro anos, tempo ideal para formação na maioria dos casos.
Segundo o Censo da Educação Superior, divulgado ontem pelo MEC, o número de formandos em 2010 equivalia a 46% dos ingressantes quatro anos antes. Em 2005, essa taxa era de 51%.
A proporção de concluintes caiu nas universidades privadas (de 48% para 45%), nas federais (62% para 52%) e nas estaduais (60% para 41%).
Evasão e/ou a reprovação geralmente puxam a redução da proporção de formados.
“A queda mostra que há problemas nas aulas e na assistência ao aluno”, afirmou Oscar Hipólito, pesquisador do Instituto Lobo e ex-diretor do Instituto de Física da USP-São Carlos. Não é possível detalhar as causas da queda porque o MEC não divulgou todos os dados.

PONDERAÇÃO
O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou que a taxa de conclusão -utilizada em estudos acadêmicos- superestima a evasão. É preciso considerar, disse ele, que muitos trocam de opção no meio do curso e são duplamente contados como ingressantes, mas apenas uma vez como concluintes.
Segundo o ministro, no caso do ProUni (programa federal que dá bolsas em instituições privadas), descobriu-se que metade dos alunos que supostamente evadiram haviam trocado de curso.
A queda na taxa de concluintes não significou redução no total de formados, que cresceu 145% na década, nem de matrículas, que subiu 110%. O que ocorreu é que, para cada grupo de ingressantes, caiu o volume de formados.
Pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, o ministro disse que a década passada “talvez tenha sido a melhor no acesso à educação superior”.
O crescimento dos últimos anos foi puxado pelos ensinos a distância e tecnológico. Haddad disse que o primeiro só não subiu mais porque o MEC segura a expansão, para garantir a qualidade.

Matrículas em matemática caem 9% em dois anos

Área com carência de professores na educação básica, a matemática teve uma leve queda do número de matrículas entre 2008 e 2010 (9%) em universidades do país. Segundo o Censo da Educação Superior, eram 95 mil alunos em 2008, ante 86 mil dois anos depois. O número, porém, é superior ao de 2002, quando eram 66 mil alunos.
O ministro da Educação, Fernando Haddad, pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, considera como positivo o desempenho das matrículas nas áreas carentes de professores (matemática, física, química e biologia), que cresceram desde 2002. “Só com dados de 2010, estamos formando 230 mil professores ao ano. E os ingressantes chegaram à casa de 452 mil nos cursos de licenciatura”, afirmou o ministro.

Resultados do censo do MEC têm duas ressalvas

O Censo da Educação Superior do MEC, divulgado ontem, tem duas ressalvas. O número de concluintes no ano passado (959 mil) está inflado. Naquele ano, o Inep orientou universidades a informar o número antes do final do ano para apressar a tabulação. Só depois o Inep percebeu que alguns alunos não concluíram o curso.
A outra ressalva é que houve queda de 144 mil matrículas na rede estadual de 2009 para 2010. O principal motivo foi o descredenciamento da Universidade do Tocantins para oferta de cursos a distância -havia 138 mil alunos nessa modalidade.

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