Brasil sobe 4 posições na ciência

Brasil sobe 4 posições na ciência

Ranking mundial revela país em 13º lugar; patentes ainda são poucas

O Brasil é o 13º maior produtor de ciência do mundo, segundo o Relatório Unesco sobre Ciência 2010, divulgado ontem.

Em oito anos o país subiu quatro posições no ranking de países que mais publicam artigos científicos, passando de 10.521 artigos publicados em 2000 para 26.482 em 2008. O documento elogia a evolução da pesquisa no país, mas aponta também problemas como o baixo número de patentes e a fuga de cérebros: pesquisadores que só encontram no exterior boas oportunidades de emprego.

— As possibilidades de carreiras profissionais para pesquisadores dentro do Brasil são limitadas, o que leva os melhores a aceitarem ofertas fora do país — afirma Vincent Defourny, representante da Unesco no Brasil.

O relatório aponta que o país investe 1,1% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisa e desenvolvimento e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou de cumprir a promessa feita em 2003 de aumentar os recursos para o setor, chegando a 2% até o fim de seu primeiro mandato.

Ainda assim, o investimento proporcional ao PIB que o Brasil faz supera o de seus vizinhos da América do Sul, mas está aquém da média aplicada por países desenvolvidos e por outros emergentes, como a China, que repassa 1,4% de seu PIB para pesquisa e desenvolvimento, e caminha para ter o maior número de pesquisadores do globo.

Em 2008, o Brasil investiu R$ 32,8 bilhões no setor, mais do que a Espanha e a Itália. O montante representa um aumento de 28% em oito anos, mas os recursos estão concentrados em São Paulo, Rio e Minas Gerais. Segundo a Unesco, o governo deve adotar políticas para diminuir as disparidades entre as regiões.

— Nos tornaremos potência em Ciência e Tecnologia quando fazer ciência na Amazônia for tão habitual quanto fazê-lo em Campinas ou Rio — avalia Hernan Chaimovich, um dos autores do relatório.
Setor privado investe pouco em tecnologia
Além disso, a participação do setor privado nos investimentos tecnológicos ainda é tímida. Parte do governo mais da metade (55%) do dinheiro para o setor, característica comum entre os países em desenvolvimento, segundo a Unesco.

— Nos últimos três anos as empresas perderam 10% dos pesquisadores. É um dado preocupante — afirmou Defourny.

No Brasil, 57% dos pesquisadores estão nas universidades, e somente 6% em institutos de pesquisa. O relatório é publicado a cada cinco anos, e esta foi a primeira vez que a Unesco dedicou ao Brasil um capítulo inteiro. Para Defourny, o país “começa a existir” no mapa mundial da Ciência e Tecnologia.

O relatório destaca ainda o fato de as pesquisas terem progredido mais lentamente do que a economia. Em 2009, o Brasil só registrou 103 patentes, enquanto a Índia teve reconhecidas 679, e a Rússia, 196.

Para a Unesco, um dos principais problemas que o país tem de resolver, se quiser ser referência em inovação, é a qualidade da educação. Embora o número de doutores formados venha aumentando, o ritmo diminuiu bastante nos últimos anos. E apenas 16% dos jovens de 18 a 24 anos estavam matriculados no ensino superior em 2008, segundo o documento.

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