CEFET-RJ – Transformação em universidade é saída para desafio institucional

O novo mandato da Direção-Geral inicia com o desafio de criar um banco de professor-equivalente da carreira do magistério superior, para assegurar o funcionamento dos cursos de graduação e pós-graduação ofertados pelo Cefet/RJ. O diretor-geral, Carlos Henrique Figueiredo Alves, e o vice-diretor, Maurício Saldanha Motta, consideram que a única solução possível é a transformação da instituição em universidade. Os gestores, que cumpriram o primeiro mandato entre 2011 e 2015 e foram reempossados pelo MEC no dia 29 de julho, traçaram o diagnóstico em entrevista concedida ao #CEFET_RJ, na qual avaliaram a gestão passada e falaram sobre as perspectivas futuras.

#CEFET_RJ: Quais foram as conquistas e os desafios da primeira gestão?

Carlos Henrique Figueiredo Alves: Começamos a gestão com um déficit enorme de professores, com reivindicações de aumento do número de cursos, que não podiam ser atendidas naquele momento.Tínhamos também o árduo dever de adequar a administração para atender nosso projeto acadêmico, pois a mudança de direcionamento era a grande reivindicação institucional. Depois de realizarmos muita pressão, com o apoio da Andifes, houve uma abertura do MEC, com a criação do banco de professor-equivalente do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT) e do quadro de referência de servidores técnico-administrativos. Mas essa não foi uma vitória final, pois o Cefet/RJ não reconquistou seu projeto original, de 1978, quando contava com o financiamento da Secretaria de Educação Superior (Sesu), de onde provêm os professores de magistério superior, e da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), à qual estão vinculados os professores EBTT. O Cefet/RJ foi reposicionado de acordo com a lei de criação dos institutos federais de educação, ciência e tecnologia. Ele foi reenquadrado na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, como pertencente à Setec, e não conseguiu recuperar o que foi perdido com a Sesu. Esta é a grande batalha da nova gestão.

#CEFET_RJ: Então, o déficit de professores não foi suprido?

Alves: Não. O banco de professor-equivalente EBTT permitiu realizar uma expansão considerável dos campi do interior. Muitos deles estavam funcionando somente com um ou dois cursos e puderam dobrar ou até triplicar sua atuação.

Maurício Saldanha Motta: Mas o problema permanece crítico na sede, no Maracanã, que concentra o maior número de professores da graduação. Nosso quadro de docentes do magistério superior está envelhecendo, vários professores estão se aposentando e não encontramos respaldo no banco de professor EBTT. Existe a efetiva necessidade de criação do banco de professor-equivalente do magistério superior, para que se restabeleça o equilíbrio entre as duas carreiras.

#CEFET_RJ: A saída para esse desafio é a negociação com o MEC?

Alves: A saída é a transformação do Cefet/RJ em universidade. Essa é a forma de ganhar autonomia para ter o banco de professor-equivalente do magistério superior, ordenar os cursos ofertados e a expansão dos programas de pós-graduação, na sede e nos campi, levando pesquisa para o interior do estado.

#CEFET_RJ: A transformação em universidade é a principal bandeira da nova gestão?

Motta: Sim. Durante a própria campanha eleitoral houve uma polarização conceitual entre as propostas de transformação em instituto e universidade. Isso está refletido, inclusive, no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) passado e está sendo discutido também no novo PDI.

Alves: No nosso entendimento, não há outro caminho. Nosso grande projeto é terminar esta gestão com a transformação do Cefet/RJ em universidade.

#CEFET_RJ: Há outras propostas para o novo mandato?

Alves: Precisamos consolidar todos os cursos abertos no ano passado, queremos ampliar um pouco mais a expansão nos municípios e queremos formalizar um grande projeto para o Rio de Janeiro: a criação de um Instituto de Pesquisa em Qualidade de Vida. Esta é uma proposta vinculada a cinco instituições de ensino – Cefet/RJ, UFRJ, UFF, UFRRJ e UNIRIO -, que vai aproveitar a expertise de cada uma delas.

#CEFET_RJ: Este projeto tem alguma relação com a Olimpíada?

Alves: A ideia surgiu a partir das reuniões do Consórcio das Instituições Públicas de Educação Superior para o encaminhamento de propostas relacionadas à Olimpíada. O Cefet/RJ tem a possibilidade de abertura de um novo campus na colônia Juliano Moreira e a proposta é construir o instituto junto com esse novo campus.

#CEFET_RJ: Há alguma previsão?

Alves: Ainda é um projeto embrionário. Já introduzimos o tema ao MEC, mas a resposta foi coerente com o momento: a conjuntura não é propícia para a abertura de um campus. Mas o instituto vai ser um investimento compartilhado, dividido por cinco, em uma região que está sendo preparada para isso. Então, acreditamos que o tema ainda possa ser discutido nesta gestão.

#CEFET_RJ: Que outros projetos relacionados aos Jogos Olímpicos o Cefet/RJ está desenvolvendo?

Alves: Nós encabeçamos o Consórcio Acadêmico 2016 (ConRio), que desenvolveu vários projetos vinculados à Olimpíada, em termos de voluntariado, de preparação para os jogos e de educação para o Rio de Janeiro. Entregamos esses projetos ao MEC, que se prontificou a incluí-los no orçamento, mas, com a troca de ministro e a crise orçamentária, não se tocou mais no assunto.

Motta: Por atuar com excelência, o Cefet/RJ foi indicado ao Comitê Olímpico Internacional (COI) pela empresa Rio 2016, que é a organizadora da Olimpíada, para atuar como centro de treinamento para a transmissão dos jogos. O COI tem uma empresa de broadcasting que transmite todas as imagens e informações para as empresas de radiodifusão nacionais e internacionais. O Cefet/RJ e mais quatro universidades treinarão estudantes que serão contratados para trabalhar junto com a equipe profissional de radiodifusão da olimpíada. Para muitos universitários, será a oportunidade de um primeiro emprego, altamente qualificado.

#CEFET_RJ: A nova gestão inicia com o contingenciamento anunciado pelo Governo Federal. Como o Cefet/RJ vai gerenciar os recursos?

Alves: Será um desafio enorme, pois houve um contingenciamento de investimentos de 46%. A grande vantagem é que conseguimos nos organizar no ano passado. Fizemos compras que suprem a necessidade atual dos laboratórios, então o investimento que precisamos fazer em equipamento este ano é pequeno e não haverá prejuízos se os deixarmos para o ano que vem. Com os recursos liberados, conseguiremos manter os investimentos estratégicos, garantindo a possibilidade de conclusão das principais obras em andamento. Quanto aos recursos de custeio, o valor recebido no ano passado foi mantido. Mas a instituição cresceu muito, com a entrada de 500 novos servidores. Então, vamos ter que nos adequar para prover capacitação, participação em congressos e viagens em iguais condições para todos.

 

 

Ascom CEFET-RJ

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