Centro Cultural da UFSJ comemora 10 anos de fundação

Centro Cultural da UFSJ comemora 10 anos de fundação

Um dos espaços culturais mais importantes da região e que pertence à UFSJ comemorou dez anos no último dia 28. Localizado no Largo do Carmo, o Centro Cultural Risoleta Neves desenvolve diversas atividades artísticas abertas ao público, como exposições, mostras, recitais e performances. Para celebrar a data, a Pró-Reitoria de Extensão (Proex), coordenadora do espaço, planeja uma exposição durante o 23º Inverno Cultural que retrate os momentos marcantes da história do local.

  

No ano de 1995, a Funrei (hoje UFSJ) adquiriu um casarão colonial no centro histórico de São João del-Rei, com o objetivo de instalar ali sua diretoria executiva (equivalente à reitoria). Em 1998, o então diretor executivo, professor Mário Neto Borges, optou por transformar o espaço em um centro de cultura que possibilitasse o estímulo à produção cultural. Um ano depois, o Ministério da Cultura aprovou o projeto de implantação do Centro Cultural da Funrei, um trabalho desenvolvido pela vice-diretora de assuntos comunitários, Maria Ângela de Araújo Resende.

 

Na manhã de 28 de abril do ano 2000, o espaço foi inaugurado com a presença de diversas autoridades que contribuíram para a criação do centro. A cerimônia contou com os diretores da Funrei; Maria Josina Neves de Resende, representante de Dona Risoleta Neves; e José Luiz Gattas Hallack, diretor da empresa Telemar, patrocinadora das obras de restauração. O Centro Cultural Risoleta Neves recebeu esse nome como homenagem prestada à esposa de Tancredo Neves, grande idealizador da Universidade.

 

A implantação do Centro promoveu um ganho expressivo para a vida cultural da cidade e da região. Estima-se que, a cada ano, cerca de 15 mil pessoas de todo o Brasil usufruam das atividades oferecidas. A constância das atividades, ininterruptas desde a fundação, fez com que o Centro Cultural da UFSJ se transformasse num dos mais privilegiados espaços de promoção cultural na região das Vertentes.

Mentalidade
Uma das funções desse espaço é tornar real o compromisso da Universidade em oferecer arte e cultura para a comunidade sanjoanense. O pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários, Marcos Vieira Silva, reforça que o Centro “cumpre um papel importante porque forma uma mentalidade cultural na região, oferece oportunidades de acesso a bens culturais à população que não teria esse acesso se não fosse a UFSJ”.

 

A comunidade tem a oportunidade de participar de projetos como o “Segunda no Solar”, que apresenta, todas as segundas-feiras, uma análise do cinema a partir da exibição de filmes nacionais e internacionais, seguida de debate entre docentes e a plateia. Além desse, no segundo andar do prédio encontra-se o Espaço Koellreuter, uma exposição interativa e permanente organizada a partir de um importante acervo do músico Hans Joachim Koellreuter. Essa exposição foi adquirida a partir de uma doação feita pela viúva do artista, Margarita Schack, em 2006.

 

Atualmente, a Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários desenvolve um projeto de ampliação do Centro aos campi da UFSJ, tanto na sede quanto fora dela. Segundo o pró-reitor Marcos, “o Centro Cultural amplia as suas perspectivas e áreas de atuação com os reflexos da expansão da Universidade. O surgimento de novos cursos proporcionou um aumento da participação do público nas nossas atividades”.

Solar da Baronesa
A história do casarão que abriga o Centro passa por três séculos. Segundo registros, é quase certo que Francisco de Paula de Almeida Magalhães, falecido em 1848, tenha sido quem de fato mandou construir o casarão. O casarão já serviu como quartel de um contingente militar e como hospedaria para imigrantes italianos quando aqui chegaram, em 1888.

 

Outra importante instituição sediada no local foi o Colégio Conceição, fundado em 1881. De acordo com pesquisas do professor e historiador Antônio Gaio Sobrinho, o Barão de Itaverava, Alexandre José da Silveira, adquiriu vários imóveis em São João del-Rei. É possível que, após sua morte em 1880, sua esposa, a Baronesa Ana Eugênia, tenha vivido no local, fato que fez o sobrado se tornar conhecido como “Solar da Baronesa”.

O casarão, tombado pelo Iphan em 1938, possui três pavimentos e apresenta uma arquitetura colonial típica dos casarões urbanos, com belas ornamentações, tanto externa quanto internamente. Os cômodos do sobrado foram adaptados para a instalação do Centro Cultural, com uma sala multimídia para 45 pessoas e uma sala para reuniões no terceiro andar. No térreo encontra-se a galeria, usada para exposições de diversos segmentos, onde grandes nomes da arte brasileira já expuseram seus trabalhos.

 

O artista plástico Rogério Godoy apresentou, nessa galeria, sua exposição em cerâmica. “Para mim este evento foi muito importante por ter sido minha primeira exposição individual. Fiquei surpreso com a acolhida do público”, relembra. Wanderley Guilherme dos Santos, o Wangui, também já teve a oportunidade de expor seu trabalho. Para ele, a UFSJ faz um bonito trabalho ao manter este espaço para constantes exposições. Ele enfatiza a importância da arte em sua vida. “A arte é uma inspiração divina. Posso dizer que quando assino um quadro, eu o considero como um filho”, declara Wangui.

 

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