Cientistas da UnB são aceitos na Academia Brasileira de Ciências

Cientistas da UnB são aceitos na Academia Brasileira de Ciências

A UnB comemora: um professor do Departamento de Química e outro do Departamento de Matemática foram aceitos na seleta Academia Brasileira de Ciências, entidade que congrega as maiores autoridades no assunto, em nível nacional

Apesar de não se tratar exatamente da cadeira de um imortal, ingressar nos quadros da Academia Brasileira de Ciências (ABC) é motivo de muito orgulho para aquele que é indicado, como aconteceu, neste ano, a dois professores da Universidade de Brasília (UnB). De um lado, o cearense Diego Marques Ferreira, do Departamento de Matemática; de outro, o gaúcho Paulo Anselmo Ziani Suarez, do Instituto de Química. Eles estão entre os 29 membros afiliados da entidade que vão ajudar a estimular a curiosidade científica em jovens de todo o país. O período de atividades no “cargo” é de cinco anos. Após esse tempo, o integrante pode chegar a alcançar a honraria de membro titular da Casa.

Aos 40 anos, Suarez pode suspirar orgulhoso ao dizer que conseguiu arrebanhar dois dos maiores prêmios das ciências do Brasil. “Este ano foi muito especial pra mim, porque, além de entrar para Academia, fui eleito comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico”, expõe. “A Ordem tem uns 400 comendadores mais ou menos fixos; então, realmente, é um número bastante reduzido de cientistas que chegam a ter esse tipo de título. Do meu ponto de vista, consegui algo muito grande, ainda mais pensando nos dois juntos, no mesmo ano, com a idade que eu tenho. Então foi muito bom, muito legal esse reconhecimento”, completa.

Paulo Anselmo trabalha na Universidade de Brasília há 10 anos e pretende continuar em Brasília. Segundo ele, ninguém da família chegou a ingressar na Academia, quiçá alcançar feitos de tal magnitude. “Lá em Porto Alegre, onde eu morava, trabalhava com petróleo. Na época, fui me dedicando mais a essa área de combustíveis, de polímeros. Aí decidi vir para a UnB, começar do zero, mudar de área. Foi então que comecei a trabalhar com biomassa. Desenvolvi uma carreira independente aqui, cortando vínculos com meu interior, indo trabalhar com agronegócio, mais para essa área de óleos, gorduras. Até porque eu acho que é a vocação local.”

Solventes
Durante o mestrado e o doutorado, o professor do Instituto de Química da UnB desenvolveu uma nova classe de solventes. “Antes disso, se fazia muita química ou em água ou em solvente orgânico. Tenho muitos trabalhos dessas épocas que são, de longe, os mais citados por outros cientistas no Brasil”, elucida. Em nível de produção de biocombustíveis, Paulo Anselmo trabalhou com alguns tipos alternativos de catalisadores, tendo sido um dos primeiros no mundo a divulgar trabalhos nesse âmbito.

Atualmente, a ABC possui seis vice-presidências regionais que compõem a estrutura administrativa da entidade: Norte, Nordeste, Sul, Minas e Centro-Oeste, Rio de Janeiro e São Paulo. Elas foram criadas em 2007, por meio de proposta da diretoria da entidade. Cada vice-presidência ficou incumbida, entre outras atribuições, de indicar e empossar até cinco jovens pesquisadores promissores, radicados nas regiões relacionadas, para a nova categoria de membro afiliado, criada naquele mesmo ano.

Especialização
O professor Diego Marques Ferreira, também agraciado, equipara o ingresso na ABC à entrada de um escritor na Academia Brasileira de Letras (ABL). “Acho que é tão importante quanto. É um pouco menos conhecido, mas está melhorando, novos cientistas estão entrando. Para mim, significa que estou fazendo algo relevante.” Ferreira tem apenas 26 anos, mas, Mesmo com tão pouca idade, já reúne feitos inéditos, como o fato de ter concluído o doutorado em tempo recorde. Foram precisos apenas três meses e nove dias para ele se transformar em doutor em matemática, com especialização em teoria dos números.

Outra conquista de Ferreira foi solucionar dois problemas que, segundo ele, se encontravam em aberto há 40 anos e até a 100. “Eu não tinha conhecimento deles antes de 2008. Mas, nesse ano, fui para um congresso, e o professor, que é um dos líderes na minha área, indicou-os para um grupo de alunos. Ambos tinham sido estudados por matemáticos, cada um dando a sua contribuição ao longo dos anos. Trabalhei muito neles, com alguns colegas. Em sete deles, tivemos a ideia de como resolver”, conclui.

Durante a graduação na Universidade Federal do Ceará (UFC), Ferreira, conhecido pelos alunos como Diego Marques, fez todas as matérias do mestrado, que concluiu em apenas um ano. “Estou há apenas sete meses na UnB. Entrei como aluno e hoje sou orientador de doutorado”, pondera. “Para me transformar em professor, prestei, em novembro do ano passado, concurso para o Departamento de Matemática e passei em primeiro lugar.” Neste ano, Ele também impressionou os dirigentes da Fundação de Estudos em Ciências Matemáticas (Fenat) com a quantidade incomum de artigos escritos para alguém da idade dele.

Palavra da Reitoria
Para o reitor da Universidade de Brasília, José Geraldo de Sousa Junior, a indicação dos nomes dos professores já seria um registro relevante, considerando o plano de destaque que tem a Academia Brasileira de Ciência no cenário brasileiro. “Eles mostram, ao mesmo tempo, a percepção de trajetórias já consolidadas — que é o caso do professor do Instituto de Química — e como reconhecem o potencial de um intelectual de promessa, que é o caso daquele do Departamento de Matemática, um rapaz jovem, que concluiu seu doutorado quase como sua graduação”, afirma. “Isto é, eles estão atentos às singularidades, à qualidade incomum, que é exatamente o caso desses dois trabalhos. E é fundamental registrar esse reconhecimento, a importância disso para a Universidade de Brasília”, conclui.

CELEIRO DE GÊNIOS
A Academia Brasileira de Ciências foi fundada em 1916 e congrega os mais eminentes cientistas nas ciências matemáticas, físicas, químicas, da terra, biológicas, biomédicas, da saúde, agrárias, da engenharia e sociais.

HONRARIA
A Ordem Nacional do Mérito Científico é uma homenagem concedida apersonalidades brasileiras e estrangeiras como forma de reconhecimento das suas contribuições científicas e técnicas para o desenvolvimento da ciência no Brasil.

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