Coronavírus: servidor da UFSC produz vídeos em Língua Brasileira de Sinais

Coronavírus: servidor da UFSC produz vídeos em Língua Brasileira de Sinais

Uma das principais ferramentas contra a disseminação do Coronavírus é a informação de qualidade, mas há um público que tem pouco acesso a essas informações e orientações produzidas pelos especialistas: as pessoas surdas e que se comunicam somente na Língua Brasileira de Sinais (Libras). Pensando nestas pessoas, o servidor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Carlos Grahamhill Maciel de Moura tomou a iniciativa de elaborar vídeos sobre a Covid-19 em Libras.

Inicialmente, os vídeos são produzidos de forma simples, com poucos recursos e sem edição, nos estúdios da TV UFSC. Lá são gravadas lives na rede social Instagram. Esse formato foi pensado de modo a minimizar o deslocamento e aglomeração de pessoas no estúdio, levando em conta as estratégias de distanciamento social. “Porém, percebemos que um número grande de pessoas queriam visualizar este conteúdo num outro momento do dia, por isso começamos também a disponibilizar o material gravado no YouTube, com livre acesso para todos”, diz o servidor. Assim surgiu o canal do Youtube Viva Mais Libras.

A ideia é comentar notícias do dia com relação ao novo coronavírus, sem limitar-se à questão da saúde. Os vídeos também pretendem abordar como a “quarentena” afeta o mercado de trabalho, o mercado financeiro e as atividades do dia-a-dia. Como exemplo, ele cita projetos de lei e negociações entre inquilinos e locadores de imóveis sobre aluguel. “Isso o surdo precisa saber para ter a oportunidade de fazer o mesmo, essas informações precisam chegar até ele”, diz o servidor.

Moura diz que há um esforço para produzir um programa por dia, na tentativa de acompanhar a velocidade dos fatos, das decisões governamentais e das medidas tomadas em relação à Covid-19. “Digo sempre no programa que informação é poder, e os surdos precisam ter esse poder para tomarem suas decisões de forma correta e assim resguardarem a sua saúde física e emocional”.

O formato dos vídeos é o de conversa, com a apresentação de informações produzidas diretamente em língua de sinais. Essa é a melhor forma de passar as informações para pessoas surdas, afirma Moura, baseado nas experiências de seu trabalho – ele é servidor tradutor intérprete de Libras na UFSC. Quando se faz apenas uma tradução de notícias e informações produzidas em língua portuguesa, “ela dificilmente irá possuir uma linguagem adequada aos surdos, e com isso o objetivo daquela mensagem acaba se perdendo”, afirma o apresentador.

Atualmente, quem conversa com Moura nos vídeos é uma pessoa surda, o professor formado pela UFSC Rui Zuzza. “Após tudo isso passar, poderemos repensar todo o projeto, fazer um balanço da sua importância e do seu alcance e trabalhar melhor no seu formato, periodicidade, trazer convidados diferentes para participar de nossas ´conversas informativas`”, finaliza Moura.

Outra iniciativa para este público na universidade é o Instagram UFSC Acessível, desenvolvido pelo programa de extensão de acessibilidade em Libras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O perfil traz informações sobre a doença e de ações da instituição.

Outras iniciativas

Outras universidade federais também produzem conteúdos em Libras. A Universidade Federal do Piauí (UFPI), por meio da Coordenação Geral dos Curso de Letras-Libras, produziu vídeos informativos sobre o Coronavírus em Libras para a comunidade surda em geral. Os vídeos abordam informações sobre sintomas da doença, características do vírus, uso de máscaras, dúvidas sobre medicação e vacinas, entre outros.

Fonte: UFSC

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