De Humboldt ao mundo da inovação

De Humboldt ao mundo da inovação

“Novos ingredientes alteram os temas selecionados para a geração de conhecimentos, a forma de produzi-los e também as metodologias de ensino”

A instituição universidade tem sua origem na Idade Média, e sua versão moderna tem como referência a Universidade de Berlim, criada em 1810 por Humboldt. A novidade da universidade humboldtiana é a incorporação da atividade de pesquisa à prática pedagógica.

Uma alteração, incluindo como missão da universidade o desenvolvimento econômico regional, ocorre com a criação do MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos Estados Unidos, em 1862. Posteriormente, essa nova dimensão influenciou outras instituições, inclusive europeias e asiáticas. A universidade brasileira, por sua vez, passou quase imune por essa última influência, tendo permanecido sempre de alma pretensamente humboldtiana.

Se os 200 anos que nos separam da criação da Universidade de Berlim estão plenos de mudanças, as próximas décadas reservam alterações ainda mais drásticas e rápidas.
Entre as transformações em curso, o papel da inovação chama a atenção pela centralidade que ocupa. Inovação compreende um produto ou processo novo, bem como a introdução de uma qualidade ou funcionalidade inédita.

Assim, inovação implica tecnologia e máquinas, mas vai além, contemplando também melhorias na gestão e novos modelos de negócios. Como ficam as universidades brasileiras nesse novo contexto de um mundo centrado em inovação?

Nas últimas décadas, em sua maioria, elas têm se caracterizado pelas funções educativas clássicas e secundariamente pelas pesquisas convencionais. As universidades do presente e do futuro tendem a se transformar expressivamente, agregando às suas missões tradicionais de ensino e pesquisa a missão de servirem também como centros indutores de inovação.
Esses novos ingredientes alteram os temas selecionados para a geração de conhecimentos, a forma de produzi-los e afetam também as metodologias de ensino.

Até recentemente, a figura típica do docente investigador tem sido a de um competente profissional que, em sua linha específica de pesquisa, tem por meta explorar os limites do estado da arte, tendo como referência única de sucesso as publicações em conceituadas revistas internacionais.
Muitas vezes trabalha isoladamente, às vezes com um estudante de pós-graduação e muito raramente em equipe. A partir desta década, pela natureza complexa dos problemas a abordar, são inviáveis, em geral, as abordagens do ponto de vista de uma linha exclusiva de pesquisa, demandando, na maioria dos casos, a formação de equipes multidisciplinares e o trabalho em equipe, com redes de pesquisadores.
Na universidade pós-humboldtiana, a demanda social passa a ser, gradativamente, o elemento central que define prioritariamente as áreas de pesquisa em curso e modula tanto a forma de pesquisar como a de transmitir conhecimentos. Ou seja, temos um longo e estimulante caminho pela frente.

RONALDO MOTA, professor titular de física da Universidade Federal de Santa Maria, é secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia.

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