Delegação brasileira defende gratuidade do Ensino Superior na Conferência Mundial, em Paris

Delegação brasileira defende gratuidade do Ensino Superior na Conferência Mundial, em Paris

Terminou no último dia 8, em Paris, a Conferência Mundial de Educação Superior 2009 (CMES), evento promovido desde 1998 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que este ano teve como tema “O futuro da Educação Superior e da investigação” O presidente da Andifes, reitor Alan Barbiero (UFT) participou da conferência.

Durante três dias, quase mil representantes de órgãos governamentais, universidades, sociedade civil e entidades privadas de 148 países discutiram as novas dinâmicas da educação superior e da área da pesquisa para mudanças e desenvolvimento da sociedade.

Os debates giraram em torno de pontos-chave como a responsabilidade social da educação superior; acesso, igualdade e qualidade; internacionalização, regionalização e globalização; e estudos de pesquisa e inovação. De acordo com o reitor Alan, os debates mostraram um consenso em relação à importância da Educação Superior, da pesquisa e da inovação para o desenvolvimento dos países. 

Segundo o presidente da Andifes, uma polêmica que permeou as discussões refere-se ao status de o ensino superior ser ou não um bem público, e à própria definição do que vem a ser um bem público. Conforme informou o reitor, a delegação da América Latina defendeu que sim, que é dever do Estado a manutenção do Ensino Superior e a gratuidade, para dar condições de estudo a diferentes classes, principalmente nos países com maiores diferenças sociais.

O presidente da Andifes explicou que durante as discussões alguns países argumentaram que o Ensino Superior é um bem público, mas que não necessariamente tem que ser oferecido por instituições estatais, e defenderam a participação do setor privado.

Na carta redigida ao final da Conferência, as duas tendências foram contempladas: buscou-se defender o importante papel do Estado na regulação do Ensino Superior, dando-se também a possibilidade de participação do setor privado, desde que muito bem acompanhado pelo próprio Estado, para manter a qualidade do Ensino.

Obstáculos – Em discurso proferido no último dia da CMES, o ministro da Educação, Fernando Haddad, defendeu a gratuidade do Ensino Superior em países subdesenvolvidos. Haddad falou também na importância de se combater dois grandes obstáculos do setor: o corporativismo, que engessa a expansão e o desenvolvimento de instituições públicas de ensino superior, e as “fábricas de diploma”, que prejudicam os alunos com cursos de “baixíssima qualidade”.

Durante a reunião do Conselho Pleno da Andifes, no próximo dia 15, o presidente fará uma síntese dos debates a título de análise para o conjunto de reitores.

(Com informações do MEC)

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