Deputados tentam garantir piso salarial de professor

Um grupo de deputados irá se encontrar nesta terça-feira com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, para defender a aplicação integral da Lei 11.738/08, que fixa um piso salarial nacional para o professores – neste ano, o valor estabelecido pelo Ministério da Educação é de R$ 1.187.

A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4167, proposta em 2008 por governadores de cinco estados (Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Ceará), questiona alguns aspectos da norma. Na ação, que está na pauta do plenário do STF, os governadores alegam que a lei do piso do magistério viola o princípio da autonomia das unidades da Federação, além de normas constitucionais que regulam a política orçamentária.

O relator da ADI é o ministro Joaquim Barbosa. Em decisão liminar, o STF suspendeu dois dispositivos da lei. O primeiro determinava que o professor teria um terço da carga horária para atividades extraclasse. O segundo previa que o piso seria o vencimento básico, sem contar vantagens ou gratificações.

Mérito – A presidente da Comissão de Educação e Cultura, deputada Fátima Bezerra (PT-RN), que irá à reunião acompanhada de integrantes da Frente Parlamentar em Defesa do Piso do Magistério, diz que é fundamental reverter essas decisões agora no julgamento do mérito da ação. “São dois artigos que são pilares centrais da lei. Não pode ficar em aberto a possibilidade de que o gestor fique lançando mão de gratificações para pagar o piso. Aí não é piso, é teto”, afirma.

Fátima destaca que o grupo vai deixar clara a necessidade de resgatar o conteúdo original da lei. “Muitos administradores têm se amparado na ADI para não cumprir o piso. A lei, que foi aprovada por unanimidade nesta Casa, é muito importante para a valorização dos mais de 2,5 milhões de profissionais da educação.”

Municípios – Por outro lado, os prefeitos, assim como os governadores, também questionam o piso nacional alegando dificuldade orçamentária.

A Confederação Nacional de Municípios já divulgou nota em que afirma esperar que o Supremo mantenha a posição que adotou nas liminares. Caso contrário, sustenta a entidade, o planejamento orçamentário municipal será prejudicado, gerando um “preocupante” impacto financeiro.