Dilma promete ao movimento estudantil preservar recursos da universidades

Dilma promete ao movimento estudantil preservar recursos da universidades

Em sua primeira reunião com representantes do movimento estudantil, ontem, no Palácio do Planalto, a presidente da República, Dilma Rousseff, afirmou que o corte de R$ 3,1 bilhões no orçamento do Ministério da Educação (MEC) não afetará as atividades-fim das universidades (ensino, pesquisa e extensão). Segundo representantes da categoria, Dilma disse que essas áreas não serão atingidas.

Quando a tesourada foi anunciada, em fevereiro, o secretário de Ensino Superior do MEC, Luiz Cláudio Costa, chegou a se reunir com reitores de universidades e informou que havia sido estipulado um corte de 10% nas verbas de custeio e de 50% nos gastos de diárias e passagens. Ontem, entretanto, Costa confirmou a determinação da presidente em preservar essas áreas e, ao Correio, disse ainda que os recursos destinados às instituições de ensino superior deverão aumentar este ano. “A verba de custeio das universidades saltou de R$ 2,4 bilhões em 2010 para R$ 3,1 bilhões este ano. A verba de capital, que era de R$ 1,5 bilhão, vai passar para R$ 2,8 bilhões. Temos expressa recomendação da presidente que educação e pesquisa não devem sofrer cortes.”

No encontro de ontem entre integrantes do movimento estudantil e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, a presença de Dilma foi uma surpresa, pois não estava prevista. Ela compareceu ao evento e conduziu a reunião por cerca de 40 minutos. Duas demandas principais foram apresentadas: a destinação de 50% do fundo social do pré-sal para a educação e o investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na área. O saldo do debate, que ocorreu após a marcha de 2 mil estudantes ao Congresso Nacional, foi considerado positivo.

Segundo o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Augusto Chagas, Dilma não se comprometeu diretamente com as reivindicações, mas foi receptiva. “Saímos confiantes em relação ao pré-sal. Se conquistarmos isso no Legislativo, acreditamos que a presidente não vetará a proposta”, disse. Em dezembro do ano passado, o Congresso aprovou a lei que criava o Fundo Social do Pré-Sal, estipulando um repasse de 50% da reserva à educação pública. No entanto, esse artigo foi vetado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o movimento estudantil, Dilma apoiou o percentual previsto anteriormente, quando ainda era ministra da Casa Civil, e prometeu, após a reunião de ontem, estudar o veto do antecessor.

Espelho d’água
Cerca de 2 mil estudantes de nível médio e do ensino superior invadiram o espelho d’água do Congresso ontem para protestar contra as verbas destinadas à educação. Observados por agentes das polícias legislativas da Câmara e do Senado e por policiais militares, os jovens mergulharam e fizeram uma roda no lago artificial. A maioria dos estudantes estava uniformizada, com roupas de escolas públicas do Distrito Federal. A manifestação também contou com a participação de três paraquedistas, que estavam com bandeiras de entidades estudantis. Em nenhum momento a polícia reprimiu a manifestação.

Dilma anuncia a construção de 718 creches
A presidente Dilma Rousseff anunciou, ontem, a construção de 718 unidades de educação infantil em 418 municípios do país a partir deste ano. A solenidade encheu o Palácio do Planalto de prefeitos, que assinaram termos de compromisso com o governo federal para a implementação das creches. A promessa é investir cerca de R$ 800 milhões nas instituições, que atenderão quase 140 mil crianças. “Reconhecemos que os municípios e os estados são fundamentais para o desenvolvimento social. Não olhar a origem partidária (dos prefeitos) é algo imprescindível se quisermos uma democracia sólida”, afirmou a presidente. (Leandro Kleber)

Compartilhar