Diploma gringo

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Nem vestibular nem Enem: mais brasileiros se preparam para ir para fora

DE SÃO PAULO
Em um passado recente, ainda era preciso cursar um colégio internacional -em que as disciplinas brasileiras são opcionais- se o objetivo do estudante de ensino médio fosse se candidatar a um lugar em uma faculdade fora do país.
Essa realidade começa a mudar, pelo menos em São Paulo. O número de brasileiros que decidem cursar a graduação no exterior aumentou nos últimos anos.
Os dados do EducationUSA-Alumni (centro de orientação de estudantes vinculado ao governo dos EUA) comprovam essa mudança. Em 2006, apenas 26% dos atendimentos tinham como foco de interesse a graduação no país; em 2010, esse número quase dobrou: 48%.
Na Universidade Stanford, nos EUA, o crescimento desse mesmo grupo foi de 17% apenas no último ano. No Canadá, o número de brasileiros matriculados nos cursos de bacharelado na Universidade da Columbia Britânica cresceu 58% nos últimos cinco anos.
A vice-cônsul do Canadá, Heather Bystryk, atribui o alto índice de procura das universidades do país à qualidade do ensino oferecido.
“Temos nove universidades entre as 200 melhores no ranking Times Higher Education. Somos bastante inovadores e investimos em pesquisa. Nossas credenciais valem para o mundo inteiro.”
“Antes os alunos mais talentosos pensavam em USP e Unicamp. Isso mudou”, explica Ronaldo Fogo, coordenador de olimpíada do Colégio Objetivo, em São Paulo.

VESTIBULAR X SAT
Foi esse fenômeno que levou o colégio Dante Alighieri, na zona oeste de São Paulo, e o Bandeirantes, na zona sul, a se tornarem centros de aplicação do SAT, o exame em que o Enem se inspirou e que habilita os estudantes a postularem por uma vaga nas universidades americanas.
No Bandeirantes, o coordenador de relações internacionais, José Olavo de Amorim, afirma que 19 alunos prestaram o SAT em junho. No ano passado, sete alunos do colégio foram aceitos em universidades americanas.
No Objetivo, Fogo estima que cerca de 25 alunos do terceiro colegial vão se candidatar para estudar fora. “É um número gigante se comparado com um ou dois que faziam isso”, diz.
A Escola Internacional de Alphaville, também em São Paulo, organiza pela primeira vez um “tour” para pais e alunos pelas melhores universidades dos EUA, como Harvard, Yale e Princeton -tudo para responder à demanda.
Mas não é só a etiqueta do diploma estrangeiro que atrai os alunos. A flexibilidade do currículo também. “O aluno não precisa estar totalmente decidido sobre a área que quer estudar. Ele só vai decidir sua ‘especialidade’ no final do segundo ano”, diz Thaïs Burmeister, gerente do EducationUSA-Alumni.
É o caso de Catarina Neves, 18, que diz se preparar desde os 13 para fazer faculdade nos EUA. Aprovada em engenharia elétrica na USP, ela preferiu ir para a Universidade John Hopkins (EUA). “Nos EUA posso tentar novas experiências, tenho mais tempo para decidir o que fazer.”

OUTROS CURSINHOS
Não são apenas os colégios e universidades que reagem ao interesse dos alunos. Os cursos preparatórios para o SAT também.
A Bespoke Education, empresa baseada em Nova York e especializada nos exames americanos, começa a oferecer cursos para pequenos grupos no país já neste mês. Mas quer expandir além do universo de alunos das escolas internacionais.
Segundo seu coordenador operacional, Isaac Foster, “estamos apenas no início”.

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