Dispensa de classe

Dispensa de classe

BRASÍLIA – Não são apenas as picaretagens de Carlos Lupi (Trabalho) que ameaçam o plano de Dilma Rousseff de só voltar a mexer na equipe em fevereiro. Razão ainda maior para adiantar a minirreforma ministerial é o envolvimento precoce e intenso de Fernando Haddad (Educação) na campanha para a Prefeitura de São Paulo.
Remanescentes do governo Lula, Lupi e Haddad faz tempo são nomes certos na lista dos que sairão.
Mas o primeiro há meses não tem nada (de útil) para fazer em Brasília. Seu cargo foi desidratado depois de uma auditoria de órgãos federais -são os resultados dessa varredura que alimentam o noticiário e servem para fritar o ministro de vez.
Dilma, além disso, não dá bola para a agenda trabalhista. Nas poucas vezes em que foi demandada, tratou do caso no próprio Planalto. Tanto faz Lupi se declarar à presidente. O amor não é correspondido.
Já a educação aparece na lista das prioridades do governo e dos assuntos caros à presidente.
Por isso, é acintoso que Haddad venha usando o horário de trabalho para sua agenda pré-eleitoral.
Na semana passada, enquanto o MEC divulgava de modo acanhado o censo do ensino superior e ainda lidava com implicações judiciais de mais uma fraude no Enem, o ministro cuidava de criticar a atuação da PM “tucana” na USP e se empenhava nos conchavos para unificar o PT em torno de sua candidatura.
Com a “faxina”, Dilma deu uma contribuição à democracia brasileira. É um marco o desfecho do Paloccigate, nascido do trabalho obstinado de repórteres da Folha. Impõe a autoridades um outro padrão de resposta quando tiverem de lidar com atos ou indícios de corrupção.
Mas um governo alinhado a esses novos parâmetros, pautado pelo bom senso, tampouco pode acolher um ministro concentrado em projeto político pessoal. Renúncia, licença ou reforma, Haddad precisa sair.

melchiades.filho@grupofolha.com.br

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