Dispositivos redefinem e impulsionam cursos a distância

Dispositivos redefinem e impulsionam cursos a distância

Quando estiver próximo a alguém absorto na tela do celular, seja no metrô, em um café ou alguma fila, por favor, faça silêncio. O cidadão pode ser um aluno das centenas de cursos a distância e estar assistindo, por exemplo, a uma aula cujo professor se encontra nos Estados Unidos.
Se estiver de jaleco branco, é possível que esteja conectado a um hospital fora do país ou buscando oportunidades na área médica no Brasil ou no exterior. Neste mês, a Faculdade Ipemed de Ciências Médicas, que já atua nessa área, está lançando o aplicativo Experience Learning (EX) capaz de “informar todas as oportunidades para todos os eventos mundiais relacionados à medicina, tecnologia e negócios”, diz Bernardo de Araújo e Souza, diretor de novos negócios e projetos da Ipemed.

“Nosso público-alvo são médicos pós-graduandos em novas especialidades no Brasil”, diz Souza. Os “alunos” participam como observadores, estagiários de conferências webinar, cursos on-line via aplicativo celular, cursos de preparação de prova de título médico, eventos nacionais e internacionais, treinamento online via celular. “Além da área de medicina, estamos agora avançando em empreendedorismo e tecnologia”, diz o diretor.

São mais de 40 escolas e hospitais parceiros em todo os Estados Unidos. Entre os exemplos citados por Souza, estão a Harvard Medical School, Partners International, Miami University, Children”s Hospital, Columbia University – Physicians and Surgeons Hospital, Presbyterian Hospital and Mount Sinai. Em tecnologia, o parceiro é o Massachusetts Institute of Tecnology (MIT). Na área de empreendedorismo, o diretor cita o Babson College, “escola número um de negócios e empreendedorismo do mundo”.

Ao fazer o download do aplicativo, o médico terá acesso a todas as informações e poderá solicitar, por exemplo, a participação como observador e se especializar no Brigham & Women”s Hospital, “número 1 dos Estados Unidos na área de cardiologia”.

“Já estamos formatando um curso com o Babson College para lançar um programa no Brasil, o qual o aluno entra no aplicativo, clica, matricula-se e faz o curso on-line através do celular”, diz. “O aluno aprende por conta própria e faz o curso no seu tempo e onde quiser. Estamos na era da mobilidade e o ativo não está mais no físico, mas sim no conhecimento”, completa.

Na prática, a tela dos dispositivos móveis, dos computadores e tablets, está substituindo o quadro negro e aulas presenciais. “Seja na graduação ou na pós, o aluno percebe que pode continuar o seu trabalho e estudar onde ele quiser, no horário e espaço que desejar, tendo a mobilidade que precisa”, diz Stavros Xanthopoylos, vice-diretor do Instituto de Desenvolvimento Educacional da Fundação Getulio Vargas (FGV/IDE) .

Responsável pelos cursos a distância e on-line da FGV, o vice-diretor diz que as novas tecnologias permitem que o aluno siga seu curso em qualquer tipo de tela, passando do smarthphone na rua para o micro de casa, sem perder o ponto da aula onde parou.

Com 20 anos de educação a distância, a FGV soma entre 70 mil e 80 mil alunos por ano, em diferentes níveis, em cursos livres, MBA e graduação tecnológica. Segundo o vice-diretor, “esse público já percebeu a oportunidade”. “O número de matrículas em educação à distância no país já ultrapassa 1,5 milhão”, informa. Como se trata de um público mais velho, tablet e computador ainda respondem por 70% das conexões, mas o uso do celular está disparando.

Para Xanthopoylos, o ensino fundamental e médio “precisa acelerar o processo” para que “participe mais rapidamente nesse contexto” de forma “que a tecnologia seja introduzida junto com a pedagogia”.

“O desafio é como fazer disso um processo educativo de forma a criar um cidadão digital efetivo – e não alguém que use a tecnologia de forma burra”, completa.

Com mais de 300 cursos, um milhão de alunos e 25 mil empresas capacitadas em 27 anos, o Grupo Educacional Impacta Tecnologia aproveita a crise para crescer. “É nessa hora que mais alunos nos procuram e isso já vem acontecendo há cinco meses”, diz Célio Antunes, presidente do grupo.

Segundo ele, a empresa é a “primeira a disponibilizar, por meio do iTunes U, o sistema Apple voltado à educação”. “Nossos cursos já são acessados em países de língua portuguesa como Portugal, mas também por brasileiros no Japão, Miami, Austrália, através de dispositivos como tablets, Ipad e IPhone. Esse ano, a demanda deve crescer 250% sobre o ano anterior”, afirma.

As novas ferramentas permitem que os alunos se valham de dispositivo móvel para acessar aulas, interagir com a classe, com o professor e realizar exercícios como se estivesse em uma aula presencial, com o mesmo aproveitamento. “Temos mais de 2 mil alunos por mês que usam todos esses dispositivos”, diz Antunes. Segundo ele, a “cada seis meses dobra o público que acessa via mobile”.

A Kroton, instituição que trabalha em grande escala e que reúne mais de 1,3 milhão de alunos, da educação básica à pós-graduação, “tem cerca de 40% dos portais acessados por dispositivos móveis”. “Isso tem aumentado ano a ano”, diz Ailton Brandão, presidente da Kroton.

“O aluno cada vez mais busca uma interação com a instituição para acessar conteúdos, aulas e listas de exercícios, de forma que possa estudar de qualquer lugar”, explica.

“Cada vez mais o aluno usa dos intervalos no trabalho e de momentos livres para acessar os conteúdos”, diz Brandão. “Entre 15% e 20% de todos os acessos dos 1,3 milhão de alunos são feitos por aplicativos móveis. “Estamos investindo em plataformas para que todo o nosso sistema seja acessível por móbile”, afirma.

Rosangela Capozoli | Valor Econômico

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