“Empresas precisam unir-se às universidades”, diz Mercadante.

“Empresas precisam unir-se às universidades”, diz Mercadante.

Ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação anunciou medidas para fomentar a pesquisa e a inovação em reunião com reitores

Um país na vanguarda do desenvolvimento tecnológico sustentável. É o que o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, espera com as medidas que anunciou aos reitores das universidades federais em reunião nesta quarta-feira, dia 14 de setembro, na Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Mercadante espera que o País saia da condição de “mero produtor de commodities” para a de um futuro produtor de tecnologia verde. Para isso, pediu que as universidades unam-se às empresas.

Para o ministro, o setor industrial brasileiro patina quando se fala em inovação em comparação com outros países. “Os empresários estão acostumados a importar e não investem”, disse. Para ele, as universidades devem direcionar suas pesquisas às necessidades nacionais, aproveitando o momento único de atração de talentos. “Temos que adotar medidas que os países desenvolvidos tomaram há muito tempo”, disse.

Mercadante considera o futuro do pré-sal o ponto principal dessa discussão. “Os R$ 5 trilhões gerados precisam ser investidos na educação”, disse. Ele considerou o pré-sal “a ida à Lua” do Brasil e mostrou que o dinheiro não pode ser jogado fora “como é feito com os royalties gastos em calçadas de mármore em vez de educação”.

Mercadante quer transformar a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em um banco de fomento nos moldes do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). Em 2012, a fundação terá aumento considerável de recursos: dos R$ 1,5 bilhões para R$ 5 bilhões. O MCT terá aumento de R$ 1,7 bilhões.

Por isso, Mercadante aposta no ministério como indutor da expansão na inovação. Como exemplo, citou a criação do Parque de Construção Sustentável na UnB Gama, a futura Embrapii – espécie de Embrapa da inovação – e a CEITEC, empresa pública federal que irá produzir chips. “Temos que conectar o mercado interno com a busca por inovação”, disse. Para lembrar o papel dos Institutos de Educação nesse novo caminho, citou a relação entre o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e a Embraer, ambos na cidade de São José dos Campos (SP). “Foram 60 anos investidos em conhecimento nessa parceria”, disse.

Ele fez questão de aliar seu discurso com o desenvolvimento sustentável. Mencionou o potencial do Brasil na produção de renovável e ressaltou a importância de criar valor agregado para a biodiversidade. “Se não gerar valor, as pessoas continuam desmatando”.

PÓS-GRADUAÇÃO
– Após a apresentação de Mercadante, o pró-reitor de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio Grande (RS), Danilo Giroldo, apresentou estudos que mostram disparidades entre os Estados brasileiros em relação a cursos de pós. Algumas áreas são muito bem providas de cursos, como São Paulo e Rio de Janeiro. Mas grande parte da região Norte e do Nordeste apresenta poucos cursos. A boa notícia é que há uma crescente migração de doutores para essas regiões. “As redes de pesquisa têm papel importante nessa capilaridade”, disse Danilo.

Outro estudo mostrou o peso das universidades federais na educação brasileira. Mesmo que tenha somente 25% das matrículas em cursos de graduação, as pós-graduações estão concentradas na federais, com cerca de 80% das matrículas. A pesquisa também mostra que certas regiões dependem inteiramente das federais. “Temos que consolidar o papel das federais na pesquisa e pensar na sustentabilidade do crescimento”, disse, José Ivonildo do Rego, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

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