Enem 2010 não está livre de problemas, diz ex-presidente do Inep

Enem 2010 não está livre de problemas, diz ex-presidente do Inep

Apesar das mudanças que permitem mais controle de todo o processo que envolve a prova do Enem, o ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), autarquia do MEC responsável pelo exame, Reynaldo Fernandes ressalta que o exame, assim como nenhum outro concurso, seja com locais de prova ou mesmo no momento da aplicação.

– É normal, ainda mais com esse número de inscritos (4,5 milhões de estudantes) – avalia.

Fernandes, que dirigiu o órgão por cinco anos, ressalta que até 2009, a logística de aplicação do Enem era de responsabilidade da empresa que tivesse vencido a licitação. Após o problema do ano passado, o MEC mudou a forma de contratação de serviços para o Enem.

Uma das principais mudanças foi a dispensa de licitação para algumas etapas do processo. O MEC alegava que a obrigatoriedade impedia a escolha de empresas que pudessem garantir a segurança necessária ao exame, já que desde 2009 ele substitui o vestibular de várias universidades públicas do país.

Reynaldo Fernandes acredita que com o novo modelo é mais fácil ter o controle de todas as etapas, desde a impressão das provas até a divulgação dos resultados. Ele defende que há motivos importantes para que a licitação seja a forma de contratação adequada ao setor público, mas acredita que a dispensa pode ser mais interessante em alguns casos.

– Se você fosse contratar alguém para cuidar da sua segurança pessoal, você iria licitar? – compara.

Ele lembra que após o roubo, foi necessário um grande esforço do Inep e do MEC para reorganizar toda a logística do exame em apenas dois meses.

– Tínhamos metade do tempo e uma pressão não sei quantas vezes maior, sob um ambiente muito mais complexo – afirma durante entrevista à Agência Brasil.

Em 2009, o Inep contratou em caráter emergencial o consórcio Cespe/Cesgranrio, que ficou responsável pela aplicação e correção do Enem 2009. As provas foram distribuídas pelos Correios e a logística de segurança foi feita pela Polícia Federal, com o apoio da Polícia Militar de cada estado.

Em 2010, são essas mesmas empresas e entidades que farão o Enem. Até mesmo a gráfica de segurança máxima que imprimiu as provas em 2009, após o roubo, fará o mesmo trabalho neste ano. A RR Donelley venceu a licitação de 2010 após uma disputa judicial que desclassificou a Gráfica Plural, primeira colocada no pregão eletrônico. (Leia mais: MEC ainda não recebeu dinheiro que havia pago ao consórcio em 2009).

Fernandes deixou o cargo de presidente do Inep cerca de um mês depois da aplicação da prova. Ele voltou a lecionar na Universidade de São Paulo (USP). Em maio, assumiu uma cadeira no Conselho Nacional de Educação (CNE).

Fernandes lembra que estava em São Paulo para uma palestra quando recebeu a notícia do vazamento do exame. Funcionários do consórcio contratado para a aplicação do Enem tinham tentado vender um caderno de provas ao jornal O Estado de S.Paulo, depois de tê-lo roubado de dentro da gráfica que imprimia o material.

– Foi chocante, a gente não esperava nunca – contou.

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