Ensino integral avança no país, mas fica longe de meta

Ensino integral avança no país, mas fica longe de meta

Ministério aponta que matrícula na modalidade cresceu 16% em um ano

Percentual de alunos com jornada ampliada é de 6%, muito menor que os 50% previstos pelo governo para 2020

Levantamento divulgado ontem pelo Ministério da Educação aponta que o número de alunos de escolas públicas com período integral cresceu 16% em um ano.

Mesmo com o aumento, só 6% dos alunos têm hoje ao menos sete horas diárias de jornada, ante as tradicionais quatro. Plano Nacional de Educação, enviado pelo Executivo ao Congresso, prevê que suba a 50% até 2020.

O Chile, melhor sul-americano em exames internacionais, já tem a maioria dos alunos do ensino médio em uma jornada ampliada.

O MEC avaliou como positiva a evolução apresentada no Censo Escolar 2010. Segundo a pasta, essa modalidade cresce devido a incentivos financeiros às escolas com jornada maior.

“A evolução é positiva, mas preocupa como a jornada tem sido aumentada”, diz a pesquisadora da USP Maria Letícia Nascimento. “Em geral, não há projeto adequado para as horas extras.”

Em tese defendida na USP, a pesquisadora Ana Maria de Paiva Franco mostrou que quem estuda mais de cinco horas na rede privada alcança melhor nota, mas na pública isso não se repete.

“O desafio para aumentar o crescimento é encontrar professor. Já há dificuldade no tempo parcial, em quantidade e qualidade”, disse o presidente da ONG Todos pela Educação, Mozart Neves.

O Censo mostrou também que caíram as matrículas da educação básica, resultado da redução da repetência e da mudança na metodologia, segundo o governo.

O MEC mostrou preocupação com a queda de 7% na EJA (antigo supletivo).

A redução pode prejudicar o país no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que considera a escolaridade dos adultos.

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