Estudantes brasileiros do ensino médio buscam experiências em universidades internacionais, onde vivem como acadêmicos e testam sua vocação profissional

Estudantes brasileiros do ensino médio buscam experiências em universidades internacionais, onde vivem como acadêmicos e testam sua vocação profissional

Engenharia no ITA, medicina na USP ou astronomia em Harvard? A última opção foi a escolha de Igor Rosiello Zanker, aluno do terceiro ano do ensino médio do colégio Augusto Laranja. Com apenas 17 anos, Zanker ganhou um prêmio de excelência acadêmica na escola e foi agraciado com um curso de verão de sete semanas, no valor de US$ 11 mil, na conceituada universidade americana. Esse tipo de curso de pré-graduação, em que estudantes do ensino médio têm uma amostra do que é a vida acadêmica em grandes universidades no exterior, não está disponível só para alunos aplicados como Zanker. O Centro de Aconselhamento da Associação Alumni oferece orientação e acompanhamento a pais e alunos que queiram ter esse tipo de experiência no exterior.
E há cursos de todo o tipo.

Na Brown Universtity, por exemplo, há cursos on-line, como o “So You Want to be a Doctor?” (“Então você quer ser médico?”), no valor de US$ 2.275, no qual um professor dá esclarecimentos sobre o exercício da profissão. Também na Brown, há os cursos presenciais,  em que o aluno do ensino médio pode analisar a estrutura do DNA, estudar células-tronco, artes, história ou arqueologia. Enquanto os cursos acontecem, os alunos experimentam outros aspectos da vida acadêmica. Vivem em alojamentos, praticam esportes e têm de seguir as regras dos campi universitários. Quando viveu no campus de Harvard, Zanker presenciou a expulsão de “todo o terceiro andar” de seu alojamento por consumo de bebida e drogas. Ele mesmo teve uma suspensão por barulho em horário inapropriado.

“Tínhamos que voltar ao alojamento às 21h e não mais sair após esse horário durante três dias. E lá não tem negociação. É punição.” Há também atividades recreativas, como na Columbia University, que oferece passeios turísticos por Nova York, shows de talentos e até concursos de dança. Segundo Thaïs Burmeister C. Pires, gerente do centro de aconselhamento da Alumni, além dos cursos de férias, ainda há os tradicionais intercâmbios por um período de seis meses a um ano e, também, cursos de aperfeiçoamento da língua inglesa. Pedro Henrique Ramos Figueiredo, 16, aluno do segundo ano do ensino médio, lapidou seu inglês na University of California Riverside. Ao contrário de Zanker, que passará pelo processo seletivo de Harvard, Figueiredo quer estudar no Brasil mesmo. “Meu amigo que faz “high school” lá fora me disse que, o conteúdo de matemática deles, ele já tinha visto todo aqui.”

PUXADO – Não é essa a impressão do conterrâneo que esteve em Harvard para cursar duas disciplinas: introdução à astronomia e matemática. Igor Zanker, que se expressa com a desenvoltura de um adulto, participa de olimpíadas de física e é capaz de discorrer sobre a teoria da matéria escura, achou o curso muito difícil. “Não bastava assistir à aula. Quando vi que teria aulas em apenas três dias da semana, achei que ia ter tempo livre, mas descobri que esse tempo “livre” era gasto fazendo exercícios. Só no curso de matemática, gastava 12 páginas de caderno por aula.”

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