Estudantes entram na Justiça para colar grau em meio à greve da UFG

Estudantes entram na Justiça para colar grau em meio à greve da UFG

Calendário está suspenso desde o início do movimento, há mais de 3 meses. Turma de engenharia conseguiu mandado e cerimônia foi realizada, em GO.

Estudantes de uma turma de engenharia civil da Universidade Federal de Goiás (UFG) recorreu à Justiça para conseguir colar grau. Isso porque, com a greve dos servidores técnicos-administrativos, que já passa de três meses, e dos professores, que entrou no 46º dia nesta terça-feira (15), todas as cerimônias foram canceladas pela instituição.

“Foi angustiante, pois após enfrentar uma concorrência enorme para entrar na universidade e das dificuldades ao longo do curso, ainda tivemos que enfrentar transtornos para assegurar nosso direito”, disse ao G1 o recém-formado Guilherme Dall’Agnol, de 23 anos.

Os funcionários técnico-administrativos paralisaram suas atividades no último dia 28 de maio. Meses depois, em 1º de agosto, os professores também aderiram à greve. A principal reivindicação dos servidores é o reajuste salarial.

Após tentar negociar com os grevistas e com a instituição de ensino, sem uma solução, a turma de Guilherme decidiu entrar com uma ação judicial. “Cada aluno já tinha gasto cerca de R$ 10 mil, incluindo a formatura, passagens aéreas de parentes, roupas. Por isso, fomos obrigados a procurar um advogado e, só assim, conseguimos colar grau no último dia 28, como previsto inicialmente”, contou.

Segundo ele, mais R$ 3 mil tiveram que ser divididos entre os 33 estudantes. “Foi um alívio muito grande quando a gente obteve a sentença liberando a colação. Era um tormento diário e ficamos apreensivos. Apesar de tudo, felizmente deu certo”, afirmou o jovem.

Nas últimas semanas, alunos dos cursos de farmácia, agronomia e veterinária também decidiram se unir e entraram com mandados de segurança para assegurar a formatura. Além disso, alguns recorreram individualmente, como Isabela Guimarães dos Santos, 23, que cursou nutrição.

“Eu consegui fazer a colação de grau especial, na última quinta-feira [10], quando a diretora do curso faz um juramento e entrega o canudo, mas não vesti a beca. Mesmo assim, fiquei feliz em assegurar o meu direito”, afirmou a jovem.

Segundo ela, do total de 17 alunos da turma, apenas quatro conseguiram se formar. “Duas dessas pessoas já tinham contratos de trabalho, por isso o comando de greve liberou, mas no meu caso e da outra foi só pela Justiça mesmo. Foi péssimo ter que passar por isso”, lamentou.

O pró-reitor de graduação da UFG, Luiz Melo, disse que a instituição aguarda o fim da paralisação para reorganizar as datas das cerimônias. “A gente espera que essa greve termine e, tão logo, será definido um novo calendário”, disse. Ele já havia assegurado que o semestre letivo não deve ser cancelado.

 

Negociações

Além da UFG, o movimento atinge outras instituições federais do estado. Entre as reivindicações dos grevistas estão aumento salarial de 27,3%, a reestruturação do plano de carreira, uma gestão mais democrática e a ampliação do leque de cursos de formação reconhecidos.

O governo federal ofereceu um reajuste de 21,3% dividido em quatro anos. Um dos diretores do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior do Estado de Goiás (Sint-Ifesgo), João Pires Junior, informou que a categoria formulou uma contra proposta, que foi apresentada durante uma reunião realizada no último dia 10.

“Diante do cenário político e econômico, chegamos à conclusão que não há como arrancar do governo o índice relativo às nossas perdas. Para não ficar pior, queremos pelo menos a reposição de 2015 e 2016. Estamos postergando para um momento mais propicio a briga por toda essa perda”, afirmou.

Segundo o diretor, os principais pedidos consistem em um reajuste de 9,5% em 2016, referente à inflação de 2015; e um aumento de 5,5% em 2017, com uma cláusula de revisão em 2016, caso o índice de inflação seja maior.

Conforme o diretor, o Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão (MPOG), deve analisar a proposta e dar uma resposta em uma nova reunião agendada para esta quarta-feira (16).

G1

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