EUA buscam estudantes brasileiros para vagas em 90 universidades

EUA buscam estudantes brasileiros para vagas em 90 universidades

Nem mesmo explosão da cotação do dólar deve afastar os brasileiros, avalia embaixadora americana Liliana Ayalde

BRASÍLIA – O esforço do presidente americano Barack Obama de duplicar o número de estudantes latino-americanos nos Estados Unidos e vice-versa, em cinco anos, começará hoje a ficar claro no Brasil. A Embaixada dos Estados Unidos promove feiras com representantes de quase 90 universidades americanas a partir desta quarta-feira, em São Paulo, para atrair mais de 8 mil estudantes brasileiros em busca de informações. Brasília (sábado) e Rio (segunda) também terão eventos. Nem mesmo a explosão da cotação do dólar deve afastar os brasileiros, avalia a embaixadora americana Liliana Ayalde, em entrevista exclusiva ao Estado.

“As universidades americanas gostam muito do perfil do estudante brasileiro, que é muito engajado e muito aberto ao diálogo. Qual universidade não vai querer estudantes da sétima maior economia do mundo? Temos muitos programas de bolsas e assistência financeira e sabemos que, mesmo com as dificuldades financeiras do momento, o interesse dos estudantes brasileiros é muito grande”, afirmou a embaixadora.

Cerca de 64 mil habitantes da América Latina e do Caribe vão, todos os anos, estudar em universidades americanas. Do outro lado, o número é menor: são aproximadamente 40 mil norte-americanos que frequentam faculdades latino-americanas e caribenhas. O programa “100.000 Strong” (ou “A Força dos 100 mil”, em tradução livre), lançado por Obama, pretende levar esses dois números para 100 mil estudantes até o fim de 2020.

“Estamos conscientes que vão mais brasileiros para os EUA do que o contrário. Mas é crescente o número de americanos interessados em aprender português, em aprender a cultura brasileira, e muito disso vem com o contato direto que eles têm com os brasileiros nas universidades”, disse a embaixadora Liliana, que admitiu que, no Brasil, a cultura de recepção de estudantes estrangeiros não é ainda tão “arraigada” quanto nos EUA. “A orientação para receber estudantes americanos não é tão engajada, de forma geral. Há algumas universidades muito abertas, mas de modo geral nós gostaríamos de ver mais”, disse ela.

Há uma semana, a embaixadora participou de cerimônia de aniversário do International Visitor Leadership Program (IVLP), lançado pelos Estados Unidos em 1940 e voltado a líderes, como cientistas, ambientalistas e outros, de todos os países. “Falei com muitos líderes que tiveram a chance de passar um tempo, curto ou longo, estudando nos EUA nos últimos anos. A experiência mudou profundamente a vida de cada um, segundo o relatos feitos diretamente a mim. É algo tremendamente valioso para nosso país essa interação, especialmente com o Brasil”, afirmou.

“O Brasil é um grande parceiro dos EUA e o presidente Obama entende que, pela educação, podemos nos aproximar ainda mais. Os estudantes brasileiros poderão ver os problemas que nosso país tem e a forma como nós lidamos com eles internamente. Essa é uma experiência muito rica”, disse a embaixadora.

João Villaverde – Estadão

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