Ex-diretor de grupo privado assume Inep, responsável pelo Enem

Ex-diretor de grupo privado assume Inep, responsável pelo Enem

O sociólogo Luiz Roberto Liza Curi é o novo presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais). O órgão ligado ao MEC (Ministério da Educação) é responsável, por exemplo, pela organização do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e pelas avaliações da educação básica e do ensino superior.

Curi é membro do CNE (Conselho Nacional de Educação) e tem fortes ligações com o setor privado de educação. Até 2014, foi diretor de ensino superior do grupo Pearson no Brasil. A Pearson, empresa de origem britânica, controla o Sistema de Ensino COC, Dom Bosco e Pueri Domus. Entre os sócios da Pearson no país está Chaim Zaher, que também é acionista do Grupo Estácio –uma das maiores companhias da educação superior.

Doutor em Economia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Curi atuou na Câmara de Ensino Superior do CNE. Já foi diretor nacional de Políticas de Educação Superior do MEC e, entre outros cargos, esteve à frente da secretaria de Cultura da cidade de Campinas.

 

CARGO

A nomeação de Curi já foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União desta quarta-feira (16). Ele assume o posto do professor José Francisco Soares, que deixou o cargo no início do mês. Uma tentativa de reestruturação do Inep, que acabou não se concretizando, desgastou o antigo presidente no instituto e na cúpula do MEC. Oficialmente, ele alegou motivos pessoais para a decisão.

Após a saída de Soares, no órgão desde 2014, o comando do instituto passou a ser disputado. O nome mais forte para o posto até então era o do diretor de Avaliação e Educação Básica do Inep, Alexandre André Santos.

A Associação dos Servidores do Inep (Assinep) vai realizar uma reunião nesta quinta-feira (17), para discutir sobre a nomeação. Nesta quarta, mais cedo, a instituição divulgou nota em que diz esperar que o novo presidente “respeite a história da autarquia e as atribuições que realiza e defenda a educação pública de qualidade”.

O professor Luiz Araújo, da Universidade de Brasília (UnB), afirma a nomeação não representa sinalização de avanços no instituto. “Não me preocupo com nomes, mas a partir da origem das pessoas há uma indicação do que vai ocorrer. E tem crescido dentro do MEC peso do setor privado”, diz ele, que já presidiu o Inep. “Era hora de conquistar a autonomia do Inep, que precisa virar o Ipea da educação, para cumprir tarefa de realizar pesquisas e fundamentar as políticas do governo”.

Em nota, o MEC defende que Curi chega ao Inep “com boa receptividade da comunidade acadêmica e científica, além do apoio da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Academia Brasileira de Ciências”.

A Folha falou com Curi, que preferiu não se pronunciar sobre a indicação. Ele é o sexto presidente do Inep desde 2009.

Paulo Saldaña – Folha de São Paulo

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