Faculdade com quase 90% de alunos negros forma sua 1ª turma de direito

Faculdade com quase 90% de alunos negros forma sua 1ª turma de direito

Faculdade Zumbi dos Palmares tem 50% de cota para afrodescendentes. Ministro Ayres Britto, presidente do STF, será o patrono dos formandos.

A estudante Marilene de Mello foi escolhida para fazer o juramento dos alunos na formatura da primeira turma de direito a se formar na Faculdade Zumbi dos Palmares (Unipalmares), de São Paulo. A instituição de ensino superior tem quase 90% de seus alunos afrodescendentes autodeclarados, e vai promover nesta sexta-feira (14), no Memorial da América Latina, a colação de grau de 70 bacharéis em direito.

Para Marilene, de 47 anos, o curso de direito foi uma oportunidade de ganhar uma nova formação acadêmica e ainda promover, com outros estudantes de sua etnia, novas possibilidades da luta pelo negro e o direito à educação no Brasil.

Direito das minorias e teoria da justiça social são algumas das disciplinas que ela aprendeu no curso. “O direito no Brasil é usado como instrumento de dominação”, avalia Marilene, que é formada em ciências contábeis pela PUC-SP. “Este curso mostrou que podemos usar a Justiça não como dominação, mas como um direito à liberdade.”

O direito no Brasil é usado como instrumento de dominação, e o curso nos mostrou que podemos usar a Justiça como um direito à liberdade”Marilene de Mello,
formanda em direito da UnipalmaresForam cinco anos de curso até a formatura desta primeira turma de direito da Unipalmares. A universidade reserva 50% de suas vagas a estudantes autodeclarados negros, e é aberta também tem alunos de outras etnias. O curso de direito da Unipalmares foi lançado em 2007, ano em que a universidade formou sua primeira turma, do curso de administração. A mensalidade de R$ 315 permitiu aos estudantes de baixa renda cursar a graduação em direito.

O estudante Manoel Bonfim dos Santos, de 51 anos, será o orador da turma. Ele explicou ao G1 que já tentou fazer outras faculdades, mas acabou desistindo também por se sentir como minoria na turma. “Comecei a fazer engenharia química, não desmerecendo a faculdade, mas existia um certo olhar diferente por eu ser negro. Eu era uma minoria, para não dizer que era o único. A gente sentia essa dificuldade de convivência.”

Santos destaca que na sua turma a grande maioria é de estudantes negros, mas não há uma discriminação entre os alunos. “Temos excelentes alunos e professores, negros e brancos.”

A mais velha da turma é Maria Cecília dos Santos, de 75 anos. Formada em pedagogia, ela já foi diretora de escola e viu de perto as dificuldades dos estudantes negros em conseguir uma vaga em uma boa faculdade. “Presenciei alunos muito bons que não conseguiam entrar na USP porque a família não tinha condições de pagar um cursinho”, destaca.

Marilene de Mello e outras formandas da turma de direito (Foto: Arquivo pessoal)Maria Cecília diz que decidiu fazer o curso por causa de sua proposta social. “Eu me identifiquei com o projeto que a faculdade apresentava. Em outras instituições eu não encontrava pessoas da minha etnia, e isso me preocupava muito.”

Ela afirma que a lei que obriga as universidades federais a destinar 50% das vagas para alunos da rede pública é um indício de que algo está errado. “Se houver investimento no ensino fundamental, na alfabetização, com o tempo não será mais necessário ter este sistema de cotas. As famílias vão dando novas oportunidades para os filhos. Daqui a algumas décadas nossos filhos estarão em escolas boas, a educação no país estará melhor e os pais terão a consciência de sua importância para ajudar nesta formação.”

O reitor da Unipalmares, José Vicente, destaca que “essa formatura é uma expressão de quanto este tema e formas de inclusão se desenvolveu na sociedade e como ela tem reagido a mecanismo de condução neste tema”. Segundo ele, três alunos já foram aprovados no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, que dá direito ao bacharel exercer a advocacia.

A turma terá como patrono o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ayres Britto. O vice-presidente Michel Temer também deverá participar da cerimônia, entre outras autoridades.

Além da escolha de Ayres Britto como patrono da turma, Vicente destaca que a universidade fez contato com outro ministro do STF, Joaquim Barbosa, que é negro, mas não foi possível contar com ele na colação de grau. “Gostaríamos que o ministro Joaquim Barbosa estivesse conosco. Eu acho que ele é uma expressão da possibilidade para o jovem negro no país”, diz o reitor. “Mais do que poder é fazer um trabalho com essa responsabilidade, qualidade e seriedade.”

A Unipalmares iniciou suas atividades em 2004 e atualmente conta com 1.700 alunos. Oferece os cursos de administração, direito, pedagogia, publicidade e propaganda, e tecnologia de transportes terrestres. Para 2013 já está autorizado pelo MEC os cursos tecnólogos em recursos humanos e em finanças. O próximo projeto é criar o curso de engenharia. “Queremos formar engenheiros, é uma carreira na qual este público afrodescendente não se faz presente”, diz o reitor. “E é uma área que demanda muitos profissionais.”

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