Festival: o fascínio da imagem

Festival: o fascínio da imagem

Oficinas que trabalham com a linguagem imagética são das mais demandadas no Festival de Inverno

O Festival de Inverno da UFPR tem pelo menos três oficinas voltadas para a linguagem imagética: uma relacionada à fotografia e duas ao cinema.

As duas oficinas cinematográficas são ministradas por Carlos Rocha e Luiz Carlos dos Santos, ligados ao Departamente de Comunicação da UFPR. Uma delas, que acontece pela manhã, é voltada para os não-iniciados e procura dar aos alunos noções mais básicas e teóricas a respeito da produção de curta-metragens. O curso mais avançado, que acontece durante as tardes, é mais prático ? desde o primeiro dia os alunos partem efetivamente para a produção de um curta, que será exibido para o público no sábado, último dia do Festival. ?Na oficina da tarde nós pulamos etapas, desde o primeiro dia os alunos já saem para a rua procurar atores, figurinos, locações. No segundo, nós já começamos a rodar o filme?, diz o ministrante Luiz Carlos, explicando que o resultado da oficina é prioritariamente fruto do trabalho dos alunos. ?Nós, ministrantes, tentamos interferir o mínimo possível. Claro que acabamos interferindo, mas tentamos reduzir isso o quanto for possível?.

A fim de finalizar um filme de seis ou sete minutos em menos de uma semana, o trabalho dos alunos à tarde é intenso e não raro extrapola os horários oficiais das ofinas. Na quarta-feira (14), por exemplo, o trabalho começou às duas da tarde e se estendeu até as dez da noite. ?O interessante é que a gente não obriga ninguém a fazer isso. Os alunos fazem porque compram a ideia. E a oficina continua sendo muito procurada todos os anos?, justifica Luiz, que começou a dar a oficina em 2003, mesmo ano em que passou num teste seletivo para ser professor substituto na UFPR. ?É o fascínio que a produção audiovisual exerce nas pessoas. A nossa cultura é muito visual. Todo mundo tem uma tevê em casa, pelo menos, mas pouca gente assina um jornal impresso ou uma revista?, continua ele.

Ana Paula Zadra é uma das alunas do curso prático. É o terceiro ano que ela vem de Guarapuava para Antonina exclusivamente por conta do Festival da UFPR. Antes do curso avançado, fez a oficina básica de curta-metragens. Aluna de Publicidade e Propaganda na Unicentro, explica que o curso de técnicas básicas a auxiliou inclusive na Universidade, ao dar-lhe conceitos que depois foram retomados em uma disciplina específica. Agora, ela cultiva a vontade de seguir carreira em uma produtora de cinema. ?Gosto da correria, por isso estou achando a oficina deste ano até mais legal. Olhar posição de câmera, luz, dirigir atores?, entusiasma-se ela.

Já o curso ?Olhar fotográfico?, ministrado por Eduardo Nascimento, é basicamente teórico. De acordo com o professor, o que se pretende é fazer com que o aluno seja capaz de ler uma foto, analisar sua linguagem a partir da análise técnica, estética e semântica. ?A proposta é que o aluno seja capaz de olhar para uma fotografia e falar sobre ela, explicá-la?, argumenta o professor. A oficina ofertada em Antonina é o mesmo curso que Eduardo montou um ano atrás, a pedido do Sesc-PR.

O curso prático de Eduardo foi o mais procurado da 20a edição do Festival. De novo, sobressai-se a ligação da cultura ocidental com a imagem. ?Nosso mundo é imagético, até ideologicamente falando. Você come com o olho, se veste com olho, consome através do olhar. A imagem é o principal meio de que se utiliza a cultura do consumo?, defende o ministrante.

Fotos disponíveis em www.flickr.com/ufpr.

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