Governo incentiva rede interuniversitária de melhoramento genético de cana-de-açúcar

Governo incentiva rede interuniversitária de melhoramento genético de cana-de-açúcar

A Universidade Federal de Viçosa (UFV) será a coordenadora de um projeto nacional para desenvolvimento de melhoramento genético de variedades de cana de açúcar para atender as novas demandas internacionais de produção de bionergia. O projeto de 16,5 milhões de reais será financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e administrado pela Fundação Arthur Bernardes (Funarbe) de apoio à UFV.

O projeto chamado Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do setor Sucroalcooleiro (Ridesa) reúne onze universidades federais em parceria com empresas do setor sucroalcoleiro e tem sido considerado um modelo de sucesso de parceria público/privado. O aporte financeiro da Finep à Ridesa foi sugerido pelo Governo Federal para fomentar o melhoramento genético da cana-de-açúcar no Brasil. Além do programa de melhoramento tradicional, o projeto prevê o incentivo ao desenvolvimento de ferramentas de biotecnologia para melhoramento genético. O objetivo do governo é fornecer mudas geneticamente melhoradas e fomentar a extensão tecnológica para pequenos produtores e promover a formação de recursos humanos na fase agrícola do setor sucroalcooleiro.

Segundo o pro-reitor de pesquisa e pós-graduação da UFV, este é um dos maiores projetos de pesquisa já administrado pela Universidade. “Não se trata apenas da confiança do Governo Federal na capacidade administrativa da UFV de gerenciar um projeto deste porte, mas, sobretudo, da confiança na liderança e na capacidade científica dos nossos pesquisadores”, disse o professor Cosme Damião Cruz ao anunciar que o projeto será coordenado pelo professor Márcio Barbosa, do Departamento de Fitotecnia da UFV.

Ainda segundo o Pró-reitor, o Projeto é uma prova do potencial da integração das universidades em redes de pesquisas temáticas que deveriam ser ainda mais incentivadas pelo Governo. Para o coordenador do Projeto, Márcio Barbosa, o sucesso do programa deve-se também ao apoio das empresas que participam da Ridesa. Ele explica que as universidades desenvolvem os clones geneticamente melhorados e trocam informações entre si, mas os resultados são testados e validados nas empresas que participam do Programa. “Temos mais de 90% do total de usinas e destilarias nacionais como nossas parceiras. Elas testam a performance dos clones para produção de álcool e açúcar e compram as variedades mais produtivas. A RIDESA trabalha com um modelo de gestão que nos dá agilidade na alocação e distribuição de recursos e com metas de resultados de alta aplicabilidade para as empresas”, diz Márcio Barbosa.

A UFV é a única universidade a participar da Ridesa em Minas Gerais e mantém convênio com mais de 30 empresas do setor sucroalcooleiro, que, por sua vez, ajudam a financiar as estações experimentais. Minas é o segundo estado maior produtor de cana do país, empatando com o Paraná em produção. São Paulo é o que mais produz.

Ainda segundo o coordenador do Projeto, estima-se que as variedades de cana geradas pela rede de universidades sejam responsáveis por um aumento superior a 30% da produtividade da cana do Brasil. Em 19 anos, a rede lançou 43 novas variedades que são responsáveis pela metade da área cultivada com cana atualmente no Brasil. “A cana de açúcar é um símbolo do sucesso da agricultura brasileira no passado e temos um enorme potencial de futuro com a demanda pelos biocombustíveis, mas este futuro depende do incremento de produção e o melhoramento genético, agora com a biotecnologia, é essencial para manter a vanguarda do Brasil no agronegócio do açúcar e do álcool, disse o Pró-Reitor Cosme Damião que representa a UFV na assinatura do convênio.

A Ridesa
A RIDESA é herdeira do extinto Instituto do Açúcar e do Álcool, criado na década de 1970 pelo Ministério da Indústria e Comércio para estimular a produção de  álcool combustível no Brasil. No início da década de 1990, os usineiros preferiram exportar a produção deixando o mercado interno desabastecido e desestimulando a produção de carros álcool. O episódio levou o Governo Collor a extinguir o Instituto. A Ridesa foi instituída por meio de convênio firmado entre oito Universidades Federais (UFPR, UFSCar, UFV, UFRRJ, UFS, UFAL, UFRPE e UFG) que incorporaram a infraestrutura do extinto Planalsucar- o programa de desenvolvimento de tecnologias da cana-de-açúcar criado pelo Governo Federal para atender ao Proálcool.  A partir de 1991, a competência na geração de variedades de cana geneticamente melhoradas consolidou a RIDESA e fortaleceu a cooperação entre os pesquisadores e professores das universidades participantes no desenvolvimento de variedades geneticamente melhoradas.

O projeto aprovado pela Finep prevê a entrada das Universidades Federais do Mato Grosso (UFMT), Mato Grosso do Sul (UFGD) e Piauí (UFPI) e faz com que a Ridesa seja a maior rede experimental de melhoramento genético de cana do país.

Bom para economia brasileira
O interesse do Governo na rede interuniversitária de pesquisa tem argumentos financeiros importantes. O Brasil lidera a produção mundial de etanol a partir da cana de açúcar. Na última safra (2007/2008) foram produzidas 49,5 milhões de toneladas de cana plantadas em uma área de 7,2 milhões de hectares. Metade deste montante foi destinada a produção de 19,5 bilhões de litros de álcool e pelo menos 3,4 bilhões de litros foram exportados. A estimativa para este ano é que a safra cresça cerca de 13%, destinando 60% do total da colheita para a produção de de 26,5 bilhões de litros. O sucesso dos carros chamados ‘flex” ou bicombustíveis e  demanda mundial por alternativas ao petróleo deve levar o Brasil a dobrar a área plantada com cana-de-açucar até 2018.

 

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