Instituição de ciência discrimina mulher

Instituição de ciência discrimina mulher

Estudo diz que mulheres recebem menos dinheiro para fazer pesquisa

Além disso, homens, que já estão na chefia, tendem a escolher homens para os cargos altos e importantes

Ana Paula Chiaradia, coordenadora de matemática da Unesp, na sua sala de trabalho

Quem conhece a história de Lawrence Summers, ex-reitor de Harvard, pode concordar com um estudo recente que afirma: o preconceito contra mulheres na ciência é, sobretudo, institucional.
Summers ficou conhecido em 2008 por afirmar que as mulheres teriam menos aptidão para as ciências.
A frase causou comoção e manifestações de cientistas. Três anos depois, o debate está longe de ser esgotado.
Stephen Ceci e Wendy Williams, da Universidade Cornell, EUA, debruçaram-se sobre 20 anos de dados sobre candidatura a vagas de trabalho, financiamento de pesquisa e publicação de artigos científicos nos EUA.
Eles viram que a quantidade de mulheres na ciência aumentou desde a década de 1970. Mas elas ainda não chegam ao topo por causa da chamada “discriminação institucional”.
Por exemplo, as mulheres recebem menos recursos para fazer pesquisa e têm menos oportunidades de trabalho em ciências -especialmente nos cargos de chefia.
O trabalho está publicado na revista científica PNAS (“Proceedings of the National Academy of Sciences”).
Os autores verificaram também que em algumas áreas, como na matemática, as cientistas revelam que se sentem tão isoladas e insatisfeitas no meio “masculino”, que desistem da carreira.
Para a socióloga da Unicamp Maria Conceição da Costa, que estuda gênero e ciência, a a pesquisa dos EUA faz bastante sentido.
“As mulheres não conseguem alcançar os mesmos patamares porque a maior parte dos comitês de julgamento de bolsas é formado por homens, assim como os líderes de pesquisa e chefes de departamento”, diz.
Em outras palavras: homens tendem a escolher homens para cargos de chefia.
Uma das exceções é a professora Ana Paula Marins Chiaradia, coordenadora de matemática da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Guaratinguetá.
“Nunca me senti isolada ou insatisfeita, nem percebi qualquer tipo de discriminação por ser mulher”, conta.
A matemática, no entanto, revela que teve dificuldades para conciliar a maternidade com a profissão porque os órgãos de fomento não estão “preparados” para lidar com cientistas mamães.
“A maternidade atrapalhou a minha produção científica e senti incompreensão por parte dos órgãos que me avaliam”, contou Chiaradia.
“É difícil voltar a trabalhar depois de uma licença maternidade. A cabeça está no filho e não na pesquisa”, diz.
Apesar de conquistas recentes no Brasil, como licença maternidade para bolsistas de mestrado e doutorado (concedida ano passado), as mamães pesquisadoras saem perdendo nas avaliações de produtividade.

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