Laboratório da UFOP cria aparelho para auxiliar no tratamento correto da Icterícia

Laboratório da UFOP cria aparelho para auxiliar no tratamento correto da Icterícia

Um grupo de pesquisadores do Laboratório de Polímeros e Propriedades Eletrônicas de Materiais (Lappem) do Departamento de Física (Defis) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) desenvolveu um dosímetro polimérico que monitora a radiação de maior eficiência no tratamento da hiperbilirrubinemia neonatal (icterícia).

Icterícia é uma condição comum em recém – nascidos. Refere-se à cor amarela da pele e do branco dos olhos causada pelo excesso de bilirrubina no sangue, pigmento gerado pelo metabolismo das células vermelhas do sangue. O acúmulo de tal pigmento é extremamente tóxico para o sistema nervoso, podendo causar lesões graves e irreversíveis se não tratado corretamente.

O tratamento mais indicado para a solução da icterícia é a fototerapia ou banho de luz, que consiste na exposição da criança a uma fonte luminosa. Porém, segundo os pesquisadores da UFOP muitos locais não têm feito este tratamento corretamente, expondo as crianças a fontes luminosas erradas, ou a distância e o mau posicionamento do recém – nascido durante o tratamento não são ideais, assim, mesmo a criança tendo ficado exposta a luz o tempo prescrito pelo médico, a absorção da radiação não é suficiente para a melhoria da icterícia.

Professor da UFOP e coordenador do Lappem, Rodrigo Fernando Bianchi, notou tais problemas quando, ainda trabalhando em São Paulo pela Universidade de São Paulo (USP), foi comprar uma lâmpada fluorescente ultravioleta e o vendedor que o atendeu comentou ser ele uma das raras pessoas que comprava a lâmpada correta, pois a maioria dos hospitais adquiria as lâmpadas azuis comuns, devido ao baixo custo. “O uso dessas lâmpadas para o tratamento de icterícia é muito inferior ao das lâmpadas corretas. O vendedor ainda alertava o erro, mas era ignorado”, relata Rodrigo.

A partir da chegada em Ouro Preto, do ingresso na UFOP, pesquisas no Lappem e visitas a Unidades de Terapia Intensiva (UTI's), Rodrigo orientou a aluna do curso de Engenharia Ambiental, Cláudia Karina Barbosa de Vasconcelos, no desenvolvimento da pesquisa e criação do dosímetro, aparelho para medir a quantidade de luz que crianças necessitam para o tratamento da icterícia.

Junto a uma equipe multidisplinar, formada pela química Geovana Ribeiro Ferreira, pelo eletricista Deilton Gonçalves Gomes e o aluno de Engenharia Metalúrgica da UFOP, André Silveira Duarte, Cláudia e Rodrigo puderam desenvolver o único aparelho no ramo, o que resultou a Cláudia o segundo lugar no Prêmio da Sociedade Mineira de Engenharia de Ciência e Tecnologia. “Até onde sabemos não existem dosímetros similares. O LAPPEM é como se fosse um laboratório – empresa, trabalhamos em equipe e com inovação. Todos os equipamentos são fabricados no próprio laboratório conforme surgem as necessidades. Os alunos que passam por aqui são formados também com grau de empreendedorismo”, afirma Bianchi.

O dosímetro consiste em uma ampola de vidro composta por uma solução a base de polímeros luminescentes, conhecidos como meh – ppv. Conforme o tempo de exposição à luz, a solução muda de cor indicando se a necessidade da criança foi ou não suprida, sendo o vermelho a cor que indica que a criança precisa da luz, e o verde a que indica que a criança não necessita mais da fonte luminosa. Entre as duas há o amarelo que mostra que o processo está desenvolvendo e que realmente a necessidade do pequeno ser está diminuindo.

Em princípio seria colocado junto à criança um conjunto de cinco ampolas para o melhor monitoramento e controle da radiação. Porém, os pesquisadores evoluíram ainda mais com a pesquisa. Desenvolveram o dosímetro polimérico na forma de selo autocolante, que pode ser colado em qualquer parte do corpo da criança, o que além de facilitar o trabalho das enfermeiras e médicos, garante a saúde dos bebês.

O dosímetro apresenta ainda leitura de dose rápida, facilidade de processamento e manufatura, possibilidade de criação de um banco de dados, confiabilidade, estabilidade, facilidade de manuseio e leitura e segurança. Outra vantagem é o baixo custo de preparação. “Um valor muito baixo se comparado aos benefícios que trará para a área neonatal”, afirma Cláudia Barbosa.

O aparelho também pode ser empregado desde a exposição à radiação com propósitos de bronzeamento artificial, até na área ambiental no setor de segurança do trabalho, em que há necessidades vitais de controle das taxas de  exposição dos trabalhadores civis e rurais a radiação UV.

Com a patente depositada em janeiro de 2007, atualmente os pesquisadores estão trabalhando para transformar o projeto em produto. A princípio pensam na possibilidade da submissão de projetos de inovação tecnológica a agências de fomento ou fazer uma transferência da tecnologia para uma empresa interessada em fabricar e comercializar o dosímetro. “É preciso divulgar e colocar no mercado o que merece destaque no âmbito científico e de cunho social tão importante para as pessoas, que muitas vezes não sabem que seus filhos estão sendo submetidos a um tratamento errado”, finaliza Rodrigo.

Os pesquisadores obtiveram recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

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