MEC lança programa de TV e site para preparar candidatos para o Enem

MEC lança programa de TV e site para preparar candidatos para o Enem

BRASÍLIA E RIO — O ministro Aloizio Mercadante e a presidente Dilma Rousseff lançaram, nesta terça-feira, o portal “Hora do Enem”, um espaço interativo na internet voltado para alunos da última série do ensino médio. Na página, eles terão planos individualizados de estudo, vídeos com aulas, dicas de como se preparar para o exame e quatro simulados até o final do ano. O primeiro será aplicado em 30 de abril. O Ministério da Educação também lançou um programa com o mesmo nome, que será exibido na TV Escola.

O portal poderá ser acessado pelos cerca de 2,2 milhões de alunos das redes pública e privada que estão na reta final do ensino médio. As aulas ficarão disponíveis em uma plataforma batizada de Mecflix, numa alusão ao canal de filmes e séries online, Netflix, com estreia prevista para 30 de abril. A cada simulado feito por meio da página na internet, o estudante terá acesso à própria pontuação e à nota de corte do curso desejado para, dessa forma, gerenciar melhor os estudos.

– Ele poderá construir uma estratégia sobre qual curso quer entrar em função do desempenho nos simulados – explicou Mercadante.

Além do marcado para 30 de abril, os outros três simulados já têm data: 25 de junho, 13 de agosto, e 8 e 9 de outubro. Cada teste, que seguirá o formato do Enem, cobrará conhecimentos de acordo com que se espera que os alunos tenham aprendido na escola. Somente no caso do último simulado do ano, é que todo o conteúdo poderá ser cobrado. Por isso mesmo, ele está marcado para ser feito em dois dias, assim como ocorre no Enem.

Os simulados trarão provas de todas as áreas do conhecimento exigido no Enem, menos redação. Segundo Mercadante, não foi possível incluir a disciplina, por enquanto. Alunos que não dispõem de computador e internet poderão usar a estrutura de universidades, institutos, federais, escolas e instituições comunitárias para participar do simulado. Mas é preciso se inscrever, entre 11 e 15 de abril, na plataforma Hora do Enem.

No próprio portal, haverá programas diários sobre o exame, batizados também de Hora do Enem. Com comentários de professores, dicas e informações sobre cursos e universidades, os programas têm estreia prevista para maio. Além de disponíveis no próprio portal, eles serão exibidos em mais de 40 canais de todo o Brasil, especialmente em tevês públicas, comunitárias e universitárias, afirmou Mercadante.

“PÁTRIA EDUCADORA”

Em um discurso protocolar, a presidente Dilma Rousseff lembrou do lema que adotou ao tomar posse no seu segundo mandato, o da “Pátria Educadora”, e disse que um dos principais compromissos do governo é democratizar o acesso ao ensino superior. O impeachment e a grave crise política que enfrenta não foram sequer mencionados nem por ela, nem por Mercadante, nem pelo outro orador do evento, o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade.

– Um dos compromissos mais importantes do meu governo era, é e será a democratização do acesso ao ensino superior- disse.

Assim como fez na cerimônia em que artistas vieram ao Planalto manifestar apoio à presidente, na semana passada, Dilma citou a Jéssica do filme “Que horas ela volta?”, da cineasta Anna Muylaert, que é filha de uma empregada doméstica e teve a chance de entrar na universidade.

– As oportunidades têm que se afunilar no sentido de se tornarem similares para todos, que as pessoas possam ter acesso a conteúdos excepcionais de forma gratuita e que tenham de fato acesso ao ensino superior- afirmou.

Dilma não quis dar entrevista após o evento, e Mercadante se ofereceu para responder a perguntas dos jornalistas, mas se negou a falar de política. Perguntado sobre o impeachment, sobre a última decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello de que o presidente da Câmara deve aceitar o pedido de impeachment contra o vice Michel Temer, entre outros temas da crise, ele passava a falar do programa “Hora do Enem”.

Sobre a possibilidade de o Ministério da Educação (MEC) entrar na partilha de cargos para novos aliados após o desembarque do PMDB do governo, Mercadante disse que “sempre está à disposição da presidente”

– Eu acho que sobre esse tema a presidente já respondeu e deixou bastante clara a visão que ela tem de educação. Agora, qualquer cargo, no regime presidencialista, está à disposição da presidente, e eu, particularmente, sempre estarei para o que for necessário para o nosso projeto- disse.

Diante da insistência de jornalistas que perguntavam sobre outras pautas, Mercadante aceitou falar sobre a ida do ex-presidente Lula para a Casa Civil, cargo que ele próprio já assumiu. Sem querer entrar em detalhes, elogiou as habilidades políticas de Lula e disse que a decisão cabe ao Supremo.

– Você tem que perguntar para o Supremo Tribunal Federal, mas eu acho que o ex-presidente Lula já demonstrou que tem um papel fundamental na história recente do Brasil, por sua competência, sua habilidade política, na área de articulação. Acho que é uma grande aquisição e eu espero que a gente supere essa pauta e possa discutir temas que ajudem o Brasil a superar a crise, melhorar a vida do povo e hoje eu estou aqui mais uma vez tentando mostrar uma agenda que é indispensável – afirmou.

Mais cedo, Dilma fez a segunda defesa pela permanência de Mercadante à frente do MEC, após a divulgação de conversas do ministro com o assessor do ex-líder do governo Delcídio Amaral, nas quais Mercadante oferecia ajuda ao senador supostamente para evitar que ele fizesse delação premiada. Além de dizer que o MEC não está no alvo da reforma ministerial que irá fazer, Dilma transferiu para o Palácio do Planalto o evento sobre o Enem, originalmente marcado para ocorrer num instituto federal de ensino. A mudança foi feita poucas horas antes do início do evento.

Mercadante é considerado o ministro mais fiel a Dilma. Quando esteve no comando da Casa Civil, ele era chamado internamente de primeiro-ministro. A cerimônia, realizada no menor salão do Planalto, estava lotada de estudantes do instituto federal de ensino profissionalizante da rede pública.

Renata Mariz / Catarina Alencastro / Eduardo Barretto

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