Ministra, Nilma Limo Gomes, realiza aula magna do Cefet/RJ

Ministra, Nilma Limo Gomes, realiza aula magna do Cefet/RJ

“A presença do tema das relações étnico-raciais em uma instituição como o Cefet/RJ, com uma trajetória na área de educação profissional, científica e tecnológica, mostra que algo está mudando na produção do conhecimento nesse campo do saber”. A afirmação marcou a abertura da aula magna do ano letivo de 2016, realizada no dia 7 de março, pela professora doutora e titular do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Nilma Lino Gomes, sobre o tema “Educação das relações étnico-raciais e a produção do conhecimento”.

A ministra destacou o protagonismo exercido pela instituição na discussão acadêmica sobre o tema. O Cefet/RJ foi um dos primeiros membros da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica a criar um Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (Neab), em 2008, aberto à participação de docentes e alunos dos níveis médio-técnico e superior. A ação do núcleo conduziu à criação, em 2009, do curso de pós-graduação lato sensu em Relações Étnico-Raciais e Educação e, em 2011, do Programa de Pós-Graduação em Relações Étnico-Raciais, com a oferta de um curso mestrado “considerado de referência pelo ministério”, na avaliação da titular da pasta.

De acordo com o diretor-geral do Cefet/RJ, Carlos Henrique Alves, as iniciativas contribuíram decisivamente para mudar a história da instituição. “A coragem e a ousadia dos docentes que levaram o projeto adiante transformaram o perfil da instituição, que deixou de seguir um eixo estritamente tecnológico para se tornar multidisciplinar.”

 

Relações étnico-raciais e produção do conhecimento

Durante a aula magna, Nilma procurou evidenciar que a associação entre as relações étnico-raciais e a produção do conhecimento envolve inflexões históricas, políticas, pessoais, acadêmicas e culturais. A exposição da ministra enfocou três dimensões: teórica, política e epistemológica.

“A discussão é teórica porque, ao incluir a temática das relações étnico-raciais como produto e produtora de conhecimento, podemos indagar verdades historicamente construídas sobre negros e brancos, sobre a relação entre negros e brancos no Brasil e sobre a relação com a nossa ancestralidade africana.” Como exemplo, Nilma cita a biografia do presidente de origem afro-brasileira Nilo Peçanha, criador da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. “Se, há tempos, essa biografia poderia passar despercebida, agora ocorre um desvelamento de facetas que permaneciam ocultas, como os processos de discriminação”, explica.

De acordo com Nilma, a discussão das relações étnico-raciais também é política, porque envolve a análise de uma realidade sócio-histórica, por sujeitos coletivos, que induz a mudanças. A ministra enfatiza que a atuação política desses sujeitos “possui não só uma dimensão de denúncia, mas também de anúncio. Ela anuncia algo novo no campo das relações étnico-raciais”.

No que diz respeito à dimensão epistemológica, Nilma afirma que a produção do conhecimento sobre a temática das relações étnico-raciais requer uma presença mais substantiva do negro nos espaços acadêmicos e de pesquisa. “Não basta apenas um olhar e escolhas epistemológicas. Precisamos da presença da corporeidade negra, com seus saberes e culturas, convivendo nos espaços acadêmicos com outros sujeitos étnico-raciais, com outras culturas e outras formas de pensamento e de produção do conhecimento. ”

DICOM – Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro

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