Novo Enem: 41 federais aderem

Novo Enem: 41 federais aderem

Até ontem, apenas três universidades públicas rejeitaram completamente o uso da prova para alunos do ensino médio como método de ingresso. Exame substituirá integralmente o vestibular em 13 instituições

Vinte e cinco das 55 instituições federais de ensino superior vão adotar o novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como forma de ingresso sem combiná-lo a outras fases ou ao vestibular tradicional. Dessas, porém, somente 13 decidiram que a prova será a única forma de acesso. As demais vão destinar o Enem a um determinado percentual de vagas ou cursos. Ontem, foi o último dia para que as instituições interessadas em aderir ao sistema unificado se manifestassem oficialmente.

No total, 41 federais vão adotar o Enem dentro das quatro possibilidades apresentadas pelo MEC — única forma de ingresso, combinado ao vestibular, para determinados cursos ou vagas remanescentes — e três já avisaram que rejeitaram a ideia. As demais ainda estudam a proposta em conjunto com a comunidade acadêmica.

Por meio da assessoria de imprensa, o Ministério da Educação (MEC) informou que o órgão não está preocupado com “contabilidade” e que a necessidade de fixar um prazo justifica-se por questões logísticas. O ministro Fernando Haddad, porém, já declarou publicamente que está satisfeito com a quantidade de adesões — levando em conta que o projeto foi apresentado oficialmente aos reitores há somente dois meses.

De acordo com o 1º vice-presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Edward Madureira Brasil, embora os reitores achem interessante o projeto do MEC, que visa, principalmente, reestruturar o ensino médio, ainda é preciso agir com cautela. “A maioria (das instituições) aderiu, mas parcialmente. Isso é natural, porque ainda precisamos sentir o impacto que o Enem vai ter no ensino médio, além de outros fatores. Por exemplo, temos que saber se a aplicação da prova vai ser completamente segura”, diz. Sobre essa questão, o MEC já informou que pedirá auxílio da Polícia Federal nos dias de aplicação da prova — 3 e 4 de outubro.

Brasil, que também é reitor da Universidade Federal de Goiás, diz que os dirigentes das federais estão preocupados com o fato de os estudantes poderem checar, via internet, como está a concorrência para os cursos e só depois disso fazerem sua opção. As instituições que aderirem ao sistema de seleção unificada, ou seja, o Enem como única forma de ingresso, vão informar online quantas vagas têm disponíveis para cada curso, qual o peso de cada uma das quatro áreas do conhecimento que cairão na prova e o número de inscritos. O aluno poderá, assim, simular a inscrição em até cinco cursos ou instituições, durante todo o período em que o sistema ficar disponível. Se um curso ou uma instituição estiver muito concorrido, ele poderá escolher outro. “Essa questão nos intriga um pouco. O fato do aluno ficar testando diversas opções pode não ser bom para o sistema”, alega o dirigente.

O próximo passo do MEC é divulgar um simulado, com questões semelhantes às que serão cobradas no exame. A matriz de referência — forma como o conteúdo deve ser cobrado — já está disponível no site www.mec.gov.br. As inscrições para o Enem estão previstas para 15 de junho.

Paloma Oliveto, Correio Braziliense

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