“O Brasil sem as universidades federais seria o pior cenário possível”, diz coordenador do COGRAD

“O Brasil sem as universidades federais seria o pior cenário possível”, diz coordenador do COGRAD

Durante os dias 25 e 26 de fevereiro, o Colégio de Pró-reitores de Graduação das IFES (COGRAD) esteve reunido em Brasília para tratar da pauta anual e realizar uma análise da conjuntura política. Estiveram presentes 52 pró-reitores, representando as 63 universidades federais brasileiras.

Ao comentar sobre o papel social das universidades para o Brasil, o coordenador, professor Edmar Tavares da Costa (UFPA) afirmou que o cenário onde não existissem as universidades federais “seria o pior possível”. “Não se pode analisar o ensino superior com base apenas no que ele é hoje. Precisamos considerar o importante processo de expansão pelo qual passamos e a imprescindível capacidade de formação das Universidades Federais. Qualquer que seja o setor, haverá profissionais egressos das universidades. Os grandes mestres e doutores brasileiros são, em sua maioria, formados nas universidades federais. Praticamente não há pesquisa e desenvolvimento cientifico e tecnológico sem que ele ocorra dentro das universidades federais. Se conseguirmos imaginar, o Brasil sem universidades federais teria um vazio muito grande. Basta avaliar o prejuízo a cada vez que temos o desenvolvimento do sistema freado, o atraso alcança décadas para ser corrigido.”

De acordo com Edmar, como ocorre a cada início de um novo governo, ainda há muita expectativa sobre como serão tratadas as políticas públicas para o ensino superior. “Iniciamos a reunião com uma manifestação de análise da conjuntura nacional feita pelo secretário executivo da Andifes, Gustavo Balduino, ponto de pauta muito importante. Ele fez uma apresentação para os pró-reitores sobre o histórico e a participação da Andifes no cenário do sistema federal de educação superior nos últimos 30 anos e nos situou sobre expectativas em termos de política nesse início de novo governo.”

O professor destacou também a participação da coordenadora da Comissão de Desenvolvimento Acadêmico, Educação à Distância e Avaliação da Andifes, reitora Joana Angélica (UFSB). “A reitora fez uma proposição interessante para implementarmos um grupo de trabalho conjunto entre a comissão e o COGRAD, possibilitando a criação de um mecanismo organizado de levantamento de dados acadêmicos, como a participação das universidades no EaD como ferramenta metodológica e sobre projetos pedagógicos inovadores que existem nessas instituições, por exemplo.”

De acordo com a reitora Joana, a participação no encontro e a receptividade do COGRAD ampliam a interlocução entre a comissão e o colégio. “Apresentei o encaminhamento deliberado na reunião da Comissão que ocorreu em dezembro, na qual foi definido que seria realizada uma coleta de informações nas nossas IFES sobre novas metodologias de Ensino e Aprendizagem e EAD. Essa pesquisa tem o objetivo de prospectar ações inovadoras já em andamento nas IFES, culminando com dois seminários: um sobre metodologias de Ensino e Aprendizagem, outro sobre EAD. A receptividade dos Pró-Reitores à proposta foi muito boa, o que gerou discussões sobre uma série de questões relativas aos temas. Foi acordado que iniciaríamos essa pesquisa para, posteriormente, definirmos as datas dos respectivos seminários. Considero que essas ações não podem ser levadas adiante sem a participação efetiva do COGRAD, que tem papel fundamental tanto no levantamento de dados quanto na própria construção dos seminários. Sabemos que nossas instituições possuem significativa quantidade de dados, entretanto, precisamos traduzi-los em informações e, o mais importante, divulgar esses resultados”, destacou.

No segundo dia de reunião, o COGRAD recebeu representantes da Diretoria de Tecnologia da Informação da Secretaria de Educação Superior (SESU) para conhecer a nova versão de um aplicativo em fase de desenvolvimento, com o objetivo de disponibilizar vagas ociosas a estudantes que queiram mudar de curso dentro ou fora da instituição e para alunos que queiram retornar ao sistema. Edmar explica que trata-se de uma questão de mobilidade acadêmica. “Realizamos uma espécie de sabatina para conhecermos melhor as características do aplicativo. Agora será formada uma comissão, no âmbito do próprio COGRAD, para se reunir com o grupo que está desenvolvendo esse aplicativo, no Ministério da Educação (MEC). Dessa forma, poderemos nos inteirar do sistema e verificar a participação das universidades.”

A pauta também foi composta pela Portaria 330, de abril de 2018, que trata sobre a emissão de diplomas de cursos superiores em formato digital. “Recebemos professores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal da Paraíba para compartilharem a experiência de estudos sobre essa temática. Essa portaria irá se tornar de cumprimento obrigatório em abril de 2020.”

Por fim, o COGRAD discutiu os impactos da Lei 13.169, sancionada no início de 2019, passando a permitir que estudantes da rede pública e privada faltem a provas ou aulas por motivos religiosos. “Estamos buscando uma forma para que essa regra possa ser seguida por todas as instituições para atender o que diz a lei. A realidade das universidades federais é muito heterogênea e, no caso de uma avaliação é algo simples, mas, no caso da extensão de ausências fica mais complicado”, finalizou.

Foram agendadas novas reuniões para avaliação dos resultados de encaminhamentos do primeiro encontro do ano e para definição das novas pautas a serem tratadas pelo colégio.

 

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