O desafio da educação

O desafio da educação

Zero Hora – RS

 

Educação de qualidade é dever do Estado e prioridade social que alavanca o desenvolvimento do país.

 

A recente divulgação do Panorama da Educação 2010 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE), entidade que congrega 31 países desenvolvidos e alguns convidados, chama a atenção ao revelar que, em 2008, o Brasil possuía 11% da população com Ensino Superior completo, percentual muito abaixo da média de 35% do conjunto avaliado. Esse indicador afronta a grandeza do nosso país, pródigo em contrastes: situado entre as 10 maiores economias do planeta e entre os 15 países que mais produzem conhecimento científico e tecnológico, o Brasil possui o melhor sistema de pós-graduação da América Latina e forma mais doutores do que muitos países europeus. Esse déficit educacional da graduação, que é histórico, tem suas origens no longo período em que o gasto com educação era custo, a universidade era para poucos, não havia a valorização social do trabalho dos educadores e o sistema carecia de regulação.

 

Felizmente, o Brasil vem adotando políticas e investindo para corrigir os rumos. O gasto público com educação subiu de 11,2%, em 1995, para 16,4% em 2007, um dos maiores avanços percentuais entre todos os países avaliados. Houve uma enorme expansão da oferta de Ensino Superior público, desde 2005, cujo efeito só será consolidado após 2012. Foram criadas 14 novas universidades federais, instalada mais de uma centena de novos campi no interior do país e ampliadas as vagas de ingresso em todas as instituições existentes. Tal esforço duplicou o número de ingressos na modalidade presencial entre 2006 e 2010; no mesmo período, foram criados 187 novos institutos de educação profissional e a Universidade Aberta do Brasil passou a oferecer 300 mil vagas na modalidade à distância.

 

Mas a obrigatoriedade do ensino básico e o substancial aumento da oferta de Ensino Superior expõem uma das fraquezas do sistema educacional: a eficiência do Ensino Médio. Com elevadas taxas de evasão, em que fatores sociais e econômicos se somam às carências da escola, apenas 37% dos brasileiros maiores de 25 anos concluíram esta etapa. Qualificar e universalizar o Ensino Médio são os grandes desafios para os anos vindouros, a partir de uma visão sistêmica da educação. Será necessário articular os poderes Executivos federal, estadual e municipal, definir políticas para que a qualidade atingida na pós-graduação irrigue todos os outros níveis de ensino, através da boa formação de professores e da inovação de práticas pedagógicas.

 

Na sociedade do conhecimento, o custeio da educação não é despesa, e sim investimento no principal ativo do país, a juventude brasileira.

 

* Carlos Alexandre Netto é reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 

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