O descalabro do ensino

O descalabro do ensino

Em sua coluna em VEJA da semana passada, Gustavo Ioschpe alertava os pais com filhos em escolas privadas para o fato de que as altas mensalidades e o esforço familiar para pagá-las davam a falsa ilusão de que isso era o bastante para proporcionar aos rebentos uma vantagem inicial na luta pela vida. “Tenho más notícias”, escreveu Ioschpe, e continuou: “Os tempos mudaram, e a arena de competição desta geração não é mais o Brasil, mas o mundo. (…) seu filho vai perder o emprego para um indiano, australiano ou chinês”. Esta edição de VEJA traz uma reportagem coordenada por Monica Weinberg, chefe da sucursal no Rio de Janeiro, que faz o retrato em números da situação calamitosa apontada por Ioschpe, concentrando-se nas causas do fracasso do ensino médio público e privado no Brasil.

O principal fator é o despreparo dos professores, produto de escolas de pedagogia dominadas pelo proselitismo ideológico embalado em teorias tão arcanas quanto inúteis. Apenas 20% do tempo é dedicado às questões práticas de sala de aula. Passa da hora de inverter essa fórmula maligna que forma, no jargão da esquerda, “parteiros da história” e dedicar 80% do tempo a treinar os professores para ensinar matemática, português, ciências e lógica aos alunos.

Os espantosos resultados do mais recente Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, divulgados na semana passada, reforçam os diagnósticos da reportagem, que se conclui com um artigo do economista Claudio de Moura Castro.

“Temos escola única com currículo único. É estarrecedor”, escreveu Moura Castro. A tabulação das provas do Enem feitas por 3,2 milhões de estudantes brasileiros traduz em números uma realidade que, de tão perversa, exigiria que de uma vez por todas a educação de qualidade fosse colocada como a grande prioridade nacional: apenas 6% das escolas – 1500 de um total de 23900 que participaram do exame – poderiam ser listadas como instituições de ensino que formam alunos preparados para os imensos desafios propostos pela economia global e digital do século XXI. É muito pouco. É quase nada. É um desastre. Urge mobilizar as energias do país para começar a reverter esse trágico descalabro.

Desde o início de agosto, o jornalista Otávio Cabral, de 40 anos, assina a coluna Holofote, com notas exclusivas sobre personalidades da política, economia e outros setores da vida nacional. Cabral faz parte da equipe de VEJA desde 2004. Na sucursal de Brasília, destacou-se na cobertura do escândalo do mensa150, com reportagens como a da chantagem do lobista Marcos Valério contra a cúpula do PT, para tentar safar-se da Justiça. Agora em São Paulo, Cabral vem conciliando, com sucesso, o trabalho de campo com a missão de manter a coluna Holofote entre as mais bem informadas do país e uma das mais lidas pelos leitores da revista.

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