Ousar no conceito de qualidade

Ousar no conceito de qualidade

Apesar de todas as críticas possíveis, não podemos esquecer que as universidades são públicas ou atuam, quando privadas, sob concessão do Estado brasileiro.

É, portanto, legítimo que a sociedade tenha referências de qualidade sobre as instituições que mantém. Ademais, tais informações são importantes para ações de políticas públicas, de regulação do Estado.

A grande questão nas avaliações e em rankings é justamente a delimitação de critérios, ou seja, para hierarquizar, precisamos expor quais as epistemes que nos guiam.

É necessária a exposição de um conceito de universidade. No caso do Ranking Universitário Folha (RUF), esse conceito baseia-se no modelo hegemônico e, felizmente, incontornável de universidade científico-tecnológica.

No entanto, a universidade não pode ser apenas isso. Ainda é contemporânea a preocupação de Alceu Amoroso Lima, que considerava insuficiente a educação ou formação profissional que faz a pessoa ser apenas uma expert em conhecimentos.

O conceito compreendido pelo RUF é muito óbvio e pouco colabora com o debate necessário ao país. Afinal, podemos falar em um conceito de universidade brasileira? O que há da experiência mais singular da universidade brasileira no RUF? Atrevo-me a responder: quase nada!

Qualquer universidade, conceitualmente, deve ter na pesquisa a sua ação basilar e, nesse aspecto, talvez os 40 pontos (em 100), destinados à pesquisa no RUF, sejam até poucos. Vale ressaltar que não é aí que está a questão, inclusive porque a simplificação conceitual da universidade que preocupa ocorre efetivamente nos outros parâmetros!

Será que não precisamos ousar sobre aquilo que tão ardentemente defendemos como “qualidade”? Pensar no conceito de universidade não deve significar também uma colaboração efetiva com a formação geral dos nossos estudantes?

A universidade precisa ir além de preparar o que William Zinsser chamou de “bárbaros altamente qualificados”. Qual o posicionamento das universidades brasileiras quanto ao recente comportamento dos nossos médicos em relação a colegas estrangeiros? Não há uma dimensão de formação acadêmica nessa questão? A consideração mais aprofundada da avaliação da formação geral presente no Enade pode contribuir para a análise de uma instituição universitária?

A busca por inserir os seus alunos na diversidade territorial brasileira não deve ser referência de qualidade, que se soma aos conceitos emitidos pela área de recursos humanos de grandes empresas, como usa o RUF? Afinal, a busca de reconhecimento das diversidades étnico-racial, geracional e de gênero não deveria ser parâmetro de qualidade em um país como o Brasil, com feridas sociais tão doídas e abertas?

Qual é a nossa opinião sincera sobre o preceito constitucional da extensão como pilar fundamental da universidade brasileira?

Não podemos esquecer que, ao determinarmos parâmetros de avaliações ou rankings, estamos também estabelecendo para a sociedade o conceito de universidade brasileira! Ao que parece, estamos nos distanciando, para o bem e para o mal, daquilo que sonhou gente como Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira.

PAULO GABRIEL SOLEDADE NACIF, 49, engenheiro agrônomo e doutor em solos, é reitor da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia)

Publicado na Folha de São Paulo

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