Pesquisa da UFMA é premiada no maior evento de odontologia da América Latina

Pesquisa da UFMA é premiada no maior evento de odontologia da América Latina

O estudo concorreu com 900 trabalhos e obteve o segundo lugar.

Pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão foram premiados no maior evento de odontologia da América Latina, o Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo (Ciosp), que ocorreu entre os dias 30 de janeiro e 03 de fevereiro deste ano no Anhembi (SP). O estudo sobre o uso de jaborandi como estimulante salivar concorreu com 900 trabalhos na modalidade painel (Prêmio “José Gustavo de Paiva”) e obteve o segundo lugar, sendo o único trabalho do Nordeste a ser premiado no congresso.

A pesquisa comprova o uso da tintura de jaborandi como estimulante salivar natural, que pode ser utilizado no tratamento de xerostomia (boca seca). Essa doença causa a falta de saliva e ocorre em indivíduos usuários de mediação controlada, em pacientes que sofreram radioterapia (tratamento oncológico) na região da cabeça e pescoço, entre outros. Em casos de pós-radioterapia, a tintura exerce um papel protetor, preservando as glândulas salivares.

De acordo com a coordenadora do projeto, Kátia Maria Martins Veloso, o trabalho foi realizado com ajuda de revisão bibliográfica sobre o uso do pilocarpina – substância extraída das folhas do jaborandi (Pilocarpus microphyllus) – no tratamento auxiliar de pacientes xerostômicos. “Nós conseguimos demonstrar a aplicação da substância como estimulante salivar natural com ação terapêutica satisfatória”, afirma professora do Departamento de Ciências Fisiológicas da UFMA.

A equipe, também formada pelos alunos Bárbara Cruz Aires, Bruno Soares e Maurício Demétrio, ambos do curso de Odontologia da UFMA, recebeu muitos elogios de discentes e docentes da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal Fluminense (UFF), que demonstraram grande interesse no uso do jaborandi, vegetal disponível somente nas regiões do Norte e Nordeste, abundante entre o Maranhão e o Piauí.

Saliva artificial x tintura de jaborandi

Toda pessoa produz em média 1,5 litro de saliva por dia. Essa quantidade é suficiente para proteger os dentes e manter a saúde da boca. No entanto, quando ocorrem alterações no fluxo da produção salivar, a sua função protetora diminui, ocasionando sintomas e problemas bucais.

Além da sensação de secura bucal, os principais sintomas da xerostomia são mau hálito, dificuldade para mastigar e deglutir, língua rachada, feridas na boca, paladar reduzido, pigarros e tosse seca. Isso ocorre porque a saliva desempenha um papel essencial no combate às bactérias. Para problemas como este, a indústria farmacêutica desenvolveu a saliva artificial, um produto que ajuda a aliviar sintomas da secura bucal.

Segundo Kátia Veloso, vários fatores privilegiam a tintura de jaborandi em relação à saliva artificial: a eficácia superior, o sabor mais agradável e o baixo custo da medicação. A saliva artificial, custa em média, R$ 50,00, visto que a tintura de jaborandi custa apenas R$ 15,00 e pode ser encontrada no Herbário Ático Seabra da UFMA, onde cerca de 69 medicamentos são comercializados para a comunidade acadêmica e população maranhense.

A pesquisadora diz que diversos trabalhos científicos sobre a xerostomia enfatizam a importância das terapias alternativas. “A xerostomia pode se apresentar também como condição fisiológica natural do envelhecimento humano, sendo queixa comum em pacientes idosos que, de acordo com suas condições sistêmicas, podem vir a fazer o uso da tintura”, ressalta a Kátia.

O uso da tintura deve ser feito somente sobre orientação médico/odontológica, uma vez que, como toda mediação, existem contra-indicações que devem ser respeitadas. O medicamento deve ser tomado 3 a 4 vezes ao dia em quantidades de 5 mg, não excedendo 20 mg/dia.

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