Presidente da Andifes debate reforma universitária no 51º Congresso da União Nacional dos Estudantes

Presidente da Andifes debate reforma universitária no 51º Congresso da União Nacional dos Estudantes

O presidente da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) reitor Alan Barbiero (UFT) participou da mesa-redonda “A Reforma Universitária da UNE”, que ocorreu na última sexta-feira, como parte da programação do 51º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizado na Universidade de Brasília (UnB). O reitor debateu com o professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Sérgio Farias, a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Selma Baçal, o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior (Andes) Rodrigo Dantas e o diretor da UNE Rafael Chagas.
 
Diante de um auditório lotado de estudantes, o presidente da Andifes retomou a tese da Educação como bem público, recentemente defendida pela delegação da América Latina e Caribe na Conferência Mundial de Educação Superior (CMES). “A Educação tem que ser uma política de Estado, que não pode ser construída apenas com ações de curto prazo”, afirmou.
 
O reitor Alan Barbiero destacou ainda que nos próximos anos se configurará um momento muito distinto da Educação Superior. “Com a interiorização das universidades e os mais de cem novos campi criados no governo Lula, as instituições receberão demandas muito diferentes”, ressaltou o presidente da Andifes.
 
Sobre o tema da Reforma Universitária, Alan Barbiero afirmou que uma proposta de reforma tem que dar conta do conjunto e pensar o ensino superior como um sistema nacional. A aprovação do projeto de Reforma Universitária da UNE, que se tornou projeto de Lei em tramitação no Congresso Nacional é uma das propostas prioritárias da nova gestão, eleita pelos estudantes neste final de semana.
 
Discussões
A representante da mais antiga universidade brasileira, que comemorou seu centenário este ano, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), apresentou um panorama da implantação do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, o Reuni, em sua universidade. Em cinco anos, o objetivo é acrescentar 6.260 novas vagas na universidade. Porém, a expansão causa polêmica e controvérsias entre os estudantes. Em meio a discussões e representações de diferentes correntes do movimento estudantil, alguns alunos defenderam o Reuni e outros denunciaram problemas na implantação do programa em suas universidades.
 
O professor da Universidade Federal da Bahia Sérgio Farias defendeu que qualquer que seja a reforma universitária, o primeiro ponto que ela deve contemplar é a relação entre a universidade e a sociedade contemporânea. “Deve-se buscar a superação da formação de professores que sejam meramente intelectuais ou meramente executores de tarefas. Deve haver reflexão crítica, intelectual e acadêmica”, defendeu o professor Sérgio. Ele é o vice-diretor do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências, o responsável pelos bacharelados interdisciplinares, cursos recém criados na UFBA. Segundo Sério Farias, esses cursos tem currículos bastante diversificados, focalizados na flexibilidade das disciplinas, em diferentes linguagens e na cultura. Tais cursos também receberam críticas de alguns estudantes, que questionaram a validade e a funcionalidade dos diplomas dos bacharelados.
 
O vice-presidente do Andes Rodrigo Dantas analisou alguns pontos do projeto de Reforma Universitária atualmente arquivado no Congresso Nacional. Assim como o presidente da Andifes, ele também defendeu a Educação como um bem público, mas criticou aspectos como a educação a distância, que, segundo ele, é uma mercantilização do Ensino.
 
O diretor da UNE Rafael Chagas defendeu a luta política dentro da universidade, que considera um caminho para mudar a sociedade. “Hoje começamos a discutir uma possibilidade real de mudança da Educação Superior”, afirmou. Rafael também falou na luta pela regulamentação do ensino privado, outra questão que dividiu a audiência.
 
Mal havia terminado as exposições e já eram quarenta inscrições para o debate, que mostrou diferentes posições políticas e ideológicas dos estudantes em relação ao atual governo e à Educação brasileira. Encerrando a sua participação, o presidente da Andifes afirmou que essa arena para o debate é necessária. Ele deixou um exemplar da proposta de Reforma Universitária da Andifes com o representante da UNE e disse que a Associação “tem total interesse em contribuir com o projeto da União Nacional dos Estudantes”. 

 

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