Presidente da Andifes participa de ações contra cortes no orçamento de Ciência e Tecnologia

O presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), reitor Emmanuel Zagury Tourinho, esteve no Congresso Nacional durante todo o dia, nessa terça-feira (10), em ação contra os cortes no orçamento da Ciência e Tecnologia.

A comunidade científica afirma que o orçamento de investimentos do setor passou de R$ 8,4 bilhões em 2014 para R$ 3,2 bilhões este ano. Para 2018, o programado é ainda menor, de R$ 2,7 bilhões.

Durante toda a manhã, Tourinho esteve em Audiência Pública na Comissão de Ciência Tecnologia Inovação e Informática, solicitada pelo deputado Celso Pansera (PMDB/RJ).

“Em 2017, estamos trabalhando com 30% dos recursos que nós tínhamos há dois anos. E a proposta orçamentária para 2018 é zero! Ou seja, esse sistema que é tão fundamental para o desenvolvimento econômico e social do país não terá o oxigênio do qual precisa para sobreviver, nem via orçamento de ciência e tecnologia, nem via orçamento das universidades públicas, que é onde acontece a pesquisa científica e tecnológica. A ideia de cobrar mensalidade na universidade pública não é solução. Uma pesquisa feita pela Andifes mostrou que isso seria suficiente para apenas 30% do orçamento necessário, além de comprometer 25% da renda bruta familiar por aluno. A ideia de cobrar mensalidades tem uma única função: tirar da universidade o aluno de baixa renda. Os argumentos de que os ricos deveriam pagar seria mais bem servido por uma lei desse Congresso, que taxasse as grandes fortunas e destinasse esses recursos para a Educação”, afirmou Emmanuel Tourinho.

Ainda de acordo com Tourinho, a Andifes apoia todas as iniciativas que visem o desenvolvimento das universidades e da ciência, tecnologia e pesquisa. “O objetivo é envolver todas as instituições federais de ensino superior em defesa da ciência.”

Helena Nader, da Academia Brasileira de Ciências, disse que o trabalho dos pesquisadores está presente na alta produtividade agrícola do país e na exploração de petróleo em águas profundas. Ela disse que países como a Coreia do Sul gastam mais de 4% do Produto Interno Bruto em Ciência e Tecnologia, enquanto o Brasil investe cerca de 1%.

Estiveram presentes nas ações, também, o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher, o reitor da Universidade de Alfenas (Unifal), Paulo Márcio de Faria e Silva, e o reitor da Universidade Federal do Cariri (UFCA, Ricardo Luiz Lange Ness.

No período da tarde, a comunidade científica se reuniu no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, onde receb

eu o apoio de outros parlamentares, como os senadores Lindberg Farias (PT/RJ), Fátima Bezerra (PT/RN), Gleisi Hoffmann (PT/PR), Cristovam Buarque (PPS/DF) e do presidente do Senado em exercício, Cássio Cunha Lima (PSDB/PB), a quem foram entregues quatro volumes contendo mais de 82 mil assinaturas de brasil
eiros contra os cortes nos orçamentos federais, além dos deputados Alessandro Molon (Rede/RJ), Magarida Salomão (PT/MG), Izalci Lucas (PSDB/DF) e Jandira Feghali (PCdoB/RJ), que se uniram ao deputado Celso Pansera na defesa da Ciência, Tecnologia e Pesquisa.

A petição foi entregue, ainda, ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), que, assim como o presidente do Senado em exercício, se comprometeu em atuar para que as emendas ao Orçamento para 2018 beneficiem a Ciência.

As mais de 82 mil assinaturas foram coletadas a partir da campanha “Conhecimento sem Cortes”, uma iniciativa liderada por associações de docentes da UFRJ, Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ). A ação, iniciada em 22 de junho, junto com uma petição pública contra os cortes no orçamento, tem o apoio e parceria das principais associações científicas do país como Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e Academia Brasileira de Ciências (ABC), além de associações estudantis como a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG).

Segundo a coordenadora da campanha, Tatiana Roque, o forte engajamento de professores, pesquisadores, alunos e do conjunto da sociedade na campanha comprova que essa é uma pauta urgente e de grande apelo popular. “Estamos aqui para pressionar parlamentares para que se comprometam concretamente com o pleno funcionamento das universidades e institutos de pesquisa, garantindo o descontingenciamento dos recursos de 2017 e alocando verba adequada no orçamento de 2018, que deve ser votado ainda este mês”, explica.

Dia C da Ciência

Representando o Colégio de Pró-reitores de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação das Instituições Federais de Ensino Superior da Andifes (COPROPI), a professora Maria Clorinda Fioravanti, explicou sobre a importância do Dia C da Ciência. O movimento nacional, marcado para o dia 25 de outubro, irá realizar atividades em escolas, museus, espaços públicose ambientes institucionais. A ideia é que o Dia C da Ciência passe a ser realizado todos os anos.

No Dia C da Ciência, pesquisadores das diferentes áreas do conhecimento vão até as escolas públicas conversar com os estudantes sobre a ciência, tecnologia e inovação que estão produzindo. Também ocuparão espaços públicos diversos para essa mesma divulgação. Dessa forma, o Dia C da Ciência representa o dia em que o Brasil vai saber como as instituições de ensino e pesquisa estão mudando para melhor a vida das pessoas e do país.

Os atos que marcaram a terça-feira no Congresso Nacional reuniram representantes de cerca de 50 entidades científicas, entre reitores, professores e cientistas.

 

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