Priorizar os avanços na educação

Priorizar os avanços na educação

Nós, trabalhadores, estamos cansados de ter um sistema educacional que finge que ensina enquanto induz seus alunos a fingir que aprendem

Para a União Geral dos Trabalhadores (UGT), a educação mudará a nossa realidade social e econômica, com reflexos diretos na qualidade de vida dos trabalhadores e na eficiência das empresas, se contagiar todo o país e se transformar em uma mobilização política como a que nos garantiu, por exemplo, o controle da inflação.

A exemplo do Plano Real, a UGT propõe o plano nacional de educação, que deverá ser referência cultural e política para o nosso povo.

Terminadas as eleições, já podemos avançar além dos discursos de campanha e exigir do governo, em todos os níveis, que a educação seja prioridade nacional, integrando a formação desde a educação infantil, com a básica e a secundária para desembocar numa nova capacitação universitária, mais humana, mais integrada, mais brasileira e universal.

Se é para levar a educação a sério, a ponto de termos um plano nacional de educação, temos que vincular investimentos a receitas. E o Fundo Social do pré-sal pode, e deve, financiar a educação em todos os níveis, direcionando parte dos investimentos, por exemplo, para a formação técnica e profissional.

Dessa maneira, resolveríamos um dos imensos gargalos sociais, que é a ocupação dos jovens que convivem com taxas de desemprego três vezes superiores aos níveis dos adultos. Conseguiríamos, também, ampliar a ocupação destes rapazes e moças e mantê-los estudando e se preparando para entrar no mercado um pouco mais tarde, a exemplo do que já ocorre na França e na Alemanha.

Evitaríamos, assim, a exposição às influências criminosas, que encontram campo fértil nos grandes centros urbanos, com concentração de jovens cheios de energia e desocupados.

O plano nacional de educação que a UGT propõe permeará todas as políticas públicas, responsabilizará e ao mesmo tempo mobilizará todos os níveis e estruturas dos poderes da União, dos Estados e dos municípios, comprometendo, com metas e resultados, todas as instâncias de poder. Vai também gerar políticas públicas muito mais interessantes do que discursos eleitorais.

Estamos, como brasileiros e trabalhadores, cansados de ter um sistema educacional que finge que ensina enquanto induz seus alunos a fingir que aprendem. Por isso, vamos insistir para que se estabeleçam critérios de eficiência vinculados aos fluxos de investimentos.
Para a UGT, a educação deve ser investimento na cidadania que começa desde o berço, alocando investimentos na implementação da rede pública de creches, com inovações no atendimento e na gestão, envolvendo pais e mestres.

O plano nacional de educação vai nos ajudar a caminhar com orgulho em um cenário mundial em que o Brasil ocupará o lugar que merece como agregador de valores culturais, acadêmicos e de desenvolvimento social.

Nosso povo não aceitará mais o obscurantismo das ditaduras, a brutalidade da concentração de renda e a exclusão de seus cidadãos, independente de raça, região do país, opção sexual ou religiosa.
Esse é o Brasil que queremos.

Ricardo Patah é presidente da União Geral dos Trabalhadores e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo.

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