Professor da FAC – UNB ganha prêmio Esso de Melhor Contribuição à Imprensa

Professor da FAC – UNB ganha prêmio Esso de Melhor Contribuição à Imprensa

Livro de Solano Nascimento mostra que investigações oficiais ganharam espaço nas duas últimas décadas. Fenômeno prejudica a qualidade dos jornais

Tese de doutorado de professor da UnB ganha prêmio Esso de Melhor Contribuição à  Imprensa em 2010. Solano Nascimento, jornalista e professor da Faculdade de Comunicação (FAC), foi reconhecido pelo livro Os Novos Escribas, que mostra como a imprensa tem perdido força ao se deixar pautar por investigações oficiais. A publicação foi patrocinada por um edital do Decanato de Pesquisa e Pós-Graduação.

“Na virada da década de 1990 para o ano 2000 comecei a notar que as reportagens com base em investigações do Estado estavam aumentando muito”, conta o professor. “Também vi que os editores e jurados de prêmios não faziam distinções entre essas matérias”.

Ao mergulhar no assunto, Solano conseguiu provar o que era apenas uma suspeita. Ele verificou que no final da década de 1980, 75% das matérias exclusivas com denúncias eram resultado da investigação do próprio repórter. Duas décadas depois, 70% dessas matérias usaram como base investigações oficiais feitas por policiais, procuradores e outros agentes a serviço do Estado. Ou seja, a investigação havia sido feita pelas fontes e não pelos repórteres.

Para chegar à conclusão, ele analisou as revistas Época, Istoé e Veja em anos eleitorais no intervalo de 1989, primeira eleição direta após a ditadura militar, a 2006, reeleição do presidente Lula.

“O cenário ideal para a sociedade é aquele em que o Estado representado pelo Ministério Público, por exemplo, faz suas investigações e os jornalistas também”, afirma. O professor não tira o crédito das investigações do governo, mas acredita que um tipo de matéria não pode substituir a outra.

Na sala de aula, Solano tenta mostrar para seus alunos que é importante divulgar as investigações oficiais, mas que a substituição é perigosa. “É completamente diferente um trabalho feito por um repórter que foi lá e investigou”. “É possível mudar esse quadro se convencermos essa nova geração de jornalistas sobre a importância de resgatar essas matérias”, afirma.

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