Professores indígenas participam de curso de formação na UFGD

Professores indígenas participam de curso de formação na UFGD

Estimular a reflexão sobre a educação para os povos indígenas, pesquisando o ensino bilíngüe e a transculturalidade. Esta é a contribuição que a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) quer dar para o Centro-Oeste e para o Brasil, através de um curso de formação para professores indígenas.

São 11 professores de escolas indígenas que estão participando desse curso de formação. É uma oportunidade para aprofundarem seus estudos sobre as problemáticas e oportunidades vividas no ensino dentro das aldeias.

Além de contribuir para melhores práticas de ensino voltadas para os educandos indígenas, o projeto pretende ainda oferecer aos professores a capacitação para disputar vagas em programas de mestrado. O objetivo é instrumentalizar esses professores para a área da pesquisa, de forma a que possam dar continuidade aos estudos sobre educação, transculturalidade e ensino bilíngüe.

Nesse sentido, todos participantes deverão desenvolver uma pesquisa para levantar dados sobre a situação do bilingüismo e do processo de ensino nas escolas onde atuam. Ainda, o projeto visa a produção de material didático em língua guarani. A pesquisa será desenvolvida em aldeias em Dourados (Jaguapiru, Bororó e Panambizinho), Paranhos (Arroio Korá), Amambai (Limão Verde), Antonio João (Campestre) e Paranhos (Cerro Corá).

Dados sobre o curso

O curso de formação de professores chama-se Investigacões em Lingüística Aplicada entre Política Lingüística à Educação Bilíngüe: o caso dos Tekohá Kuera no MS. Faz parte de um projeto da Capes e está sendo realizado pela Pró-reitoria de Extensão e pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Faculdade de Comunicação, Artes e Letras da UFGD.

O projeto é coordenado pela professora Maria Ceres Pereira, do Programa de Mestrado em Letras da UFGD e fica sob a supervisão da pró-reitora professora Rita de Cássio Limberti.

Como o projeto é da Capes, sua realização segue as normas publicadas em edital. As secretarias municipais de educação fizeram a divulgação do curso entre os professores e a UFGD fez a seleção dos candidatos. Foram selecionados cinco educadores de Dourados e mais cinco da microrregião.

A Capes financia bolsas de pesquisa para os 11 professores. Também podem assistir às aulas, porém sem direito à bolsa, seis gestores de escolas indígenas. Os bolsistas recebem R$ 600,00 mensais e, em contrapartida, devem desenvolver projetos orientados de pesquisa, divulgar resultados parciais obtidos e apresentá-los em seminários de divulgação científica.

O curso iniciou em março e vai até novembro com aulas presenciais a cada 15 dias, totalizando 180 horas de aula. Como o curso tem a duração de um ano , os demais meses são destinados a produção do relatório da pesquisa de cada participante.

Mais informações sobre este projeto e também sobre a produção de material didático em Guarani podem ser obtidas pelo e-mail do Grupo de Pesquisa: liet010@hotmail.com

 

Projetos de extensão

Somente para este ano, a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) tem mais de 100 projetos de extensão cadastrados na Câmara de Extensão e Cultura, vinculada à Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEX). Conhecido como um dos pilares básicos de atuação da universidade, a extensão propõe atividades que unem e fortalecem as comunidades, através da troca de saberes, colocando em prática também conhecimentos teóricos adquiridos pelos acadêmicos em salas de aula.

Muitos deles vão além ainda da troca de experiências, como por exemplo, os projetos que estão voltados para a comunidade indígena e que têm foco para a construção e o exercício pleno da cidadania, para o direito à informação e a segunda alimentar e para o resgate da arte e cultura das etnias que vivem hoje na região da Grande Dourados.

Vinculado à professora Cíntia Beatriz Müller, da Faculdade de Ciências Humanas – FCH/UFGD, o projeto Construindo a Cidadania: diálogos entre antropologia, direito e políticas públicas visa a elaboração de uma publicação que ofereça à comunidade indígena um instrumento capaz de transmitir, em alguma proporção, os dilemas e as necessidades dos povos que vivem nas aldeias Jaguapiru e Panambizinho.

No projeto, a idéia é fornecer material qualificado, oriundo de pesquisas já em andamento na universidade, realizada por professores e pesquisadores, no sentido de empoderar os indígenas frente a seus pleitos, já que eles são alvo constante de estigmatização social e preconceito. A publicação prevista também é uma contrapartida moral aos povos indígenas pela confiança depositada nos pesquisadores da UFGD.

Outro projeto de destaque é da Assistência de Nutrição na Missão Evangélica Caiuá, desenvolvido pela professora Maria Cristina Corrêa de Souza, da Faculdade de Ciências da Saúde – FCS/UFGD. O objetivo é prestar assistência de nutrição à população atendida no Hospital e Maternidade Indígena Porta da Esperança através de orientações sobre o aleitamento materno às gestantes; auxiliar na gestão da Unidade de Alimentação Nutrição (UAN) hospitalar; e desenvolver ações de educação nutricional para funcionários e pacientes. O projeto visa aumento nos índices de aleitamento materno e melhoria das refeições servidas pela UAN hospitalar à população indígena, já que esta é a segunda maior do país e que vive em uma situação de insegurança alimentar, apresentando baixo peso e altos índices de anemia principalmente em crianças e mulheres em idade reprodutiva. O foco do projeto será para a lactação, tendo o leite materno como foco e como a principal fonte de nutrientes no primeiro ano de vida.

Outro projeto de extensão que já é desenvolvido na UFGD é o Ponto de Cultura, coordenado pelo poeta douradense e coordenador de cultura da universidade, Emmanuel Marinho do Nascimento Filho. A idéia é dar continuidade às oficinas, cursos e workshops já em funcionamento, incluindo os da reserva indígena de Dourados, como a Literatura e Tecelagem Indígena e o Hip-Hop. As oficinas e cursos serão oferecidas para crianças e jovens.

 

 

Compartilhar