Programa presta apoio acadêmico e profissional a estudantes de Relações Internacionais da UFRGS

Programa presta apoio acadêmico e profissional a estudantes de Relações Internacionais da UFRGS

Com o objetivo de estruturar uma rede de apoio para estudantes de Relações Internacionais da UFRGS, a Faculdade de Ciências Econômicas (FCE) criou o Programa de Mentoria para Estudantes de Relações Internacionais (Promeri). O projeto atende alunos que ingressaram no curso pelas Ações Afirmativas a partir de critérios étnico-raciais e de renda. O programa de extensão foi criado como uma resposta aos desafios do processo de integração e de efetivo acolhimento dos discentes que ingressaram na Universidade com reserva de vagas, especialmente alunos de escolas públicas autodeclarados negros. “Há uma insuficiência de mecanismos institucionais para lidar com as especificidades desses estudantes, cujas dificuldades acabam sendo invisibilizadas ao longo do curso”, explica a professora Veronica Gonçalves, uma das coordenadoras da iniciativa.

O Promeri funciona por meio de um espaço de diálogo e acolhimento dentro da UFRGS, com a participação de professores do curso e de pós-graduandos do Programa de Pós-Graduação em Estudos Estratégicos Internacionais (PPGEEI). Cada graduando é acompanhado individualmente por um pós-graduando, que é chamado de mentor. Os mentores orientam os mentorandos e auxiliam na identificação de interesses e dificuldades dos estudantes. Tutores de outras áreas, como Psicologia e Letras, atuam como facilitadores, visando à criação de uma rede de troca de informações sobre aspectos relacionados à vida acadêmica dos graduandos. Por demanda dos próprios alunos, por exemplo, foi criado um grupo de estudos de Inglês, em razão da alta carga de leitura em língua inglesa exigida ao longo do curso de Relações Internacionais. Antes do período de distanciamento social, na própria Faculdade, os discentes vinham participando de aulas de Inglês com um professor voluntário, a fim de ampliar o vocabulário e melhorar a leitura dos textos acadêmicos. Em virtude da pandemia, as aulas, que aconteciam no intervalo entre os turnos das disciplinas do curso no prédio da FCE, passarão a ocorrer na modalidade virtual, em horários combinados pelo grupo.

Outra ação oferecida pelo Promeri é o chamado grupo de vivências, no qual os estudantes se encontram para falar sobre experiências, fazer  desabafos e reivindicações. Apenas os mentorandos do Promeri participam dessas reuniões, que são conduzidas por psicólogos voluntários do Programa. Para as coordenadoras do projeto, Veronica Gonçalves e Silvia Ferabolli, o espaço tem muitas potencialidades, estimulando a formação de laços, a reflexão crítica acerca da realidade e a organização das demandas do grupo. “Os relatos sobre o grupo de vivências são muito positivos, tanto os dos participantes, quanto os da psicóloga que acompanha as atividades, pois o grupo ajuda a ampliar a sensação de pertencimento desses estudantes na Universidade”, ressalta Veronica. Nas circunstâncias atuais, esses encontros foram retomados na modalidade virtual.

O grupo de vivências foi iniciado junto com o Promeri, com o objetivo de construir e garantir um espaço exclusivo para os mentorandos trocarem experiências, dialogarem sobre assuntos relevantes, dúvidas e sentimentos. A partir da demanda dos estudantes, o programa também pretende dar início a grupos de estudos sobre temas específicos relacionados às disciplinas das áreas de Economia e História. Para a realização desses encontros, que serão virtuais, será utilizada a plataforma Mconf.

Resultados e desafios

Há dois semestres em funcionamento, o Promeri atende hoje  11 graduandos. “Nesse período, vários deles indicaram uma melhora no desempenho acadêmico e passaram a se envolver em atividades de pesquisa e extensão”, indica a docente Silvia Ferabolli. Atualmente, um dos principais desafios do projeto é aumentar o número de estudantes atendidos. Entre as razões observadas para falta de assiduidade e de participação nas reuniões do grupo de vivências, estão as dificuldades financeiras enfrentadas pelos alunos, explica Silvia.Os estudantes precisam trabalhar e não têm tempo disponível para participar das atividades do Programa. Para contornar a situação, o Programa quer conceder bolsas aos participantes, o que funcionaria como uma ajuda de custo para despesas, como material e transporte. Tratativas junto à Pro-Reitoria de Graduação da UFRGS estão sendo feitas para obter os recursos, acrescenta a coordenadora.

Diante das questões orçamentárias da Universidade, as coordenadoras da ação vêm pensando em formas de obter recursos externos. As pessoas que desejarem colaborar para a construção de um projeto de captação podem entrar em contato pelo e-mail promeri@ufrgs.br. Além disso, ainda neste ano, há previsão da criação de um projeto de pesquisa sobre relações internacionais e questões raciais, com coordenação da professora Silvia e cooperação da Queen Mary London University.

Ações Afirmativas da UFRGS e o curso de Relações Internacionais

O programa de ações afirmativas da UFRGS está em vigor desde 2008 e tem trazido desafios específicos para o curso de Relações Internacionais. “O curso é caracterizado por um ambiente competitivo, elitista e com altas demandas de investimento em qualificação extracurricular”, comenta Silvia Ferabolli. “Apesar de ingressarem, diversos estudantes cotistas relatam uma sensação de não pertencimento ao curso, participam menos das atividades de pesquisa e extensão e abandonam a graduação em percentual maior do que os demais”, completa a docente. “Nós, professores, não somos suficientemente preparados para abarcar as diversidades de trajetórias de vida e de formação que se expressam na sala de aula, e acabamos por reforçar o processo de exclusão”, destaca Veronica.

As coordenadoras compreendem que, embora a universidade pública seja um espaço de pluralidade, diversidade, ousadia e liberdade de pensamento, por ser uma instituição social, ela também reflete desafios, barreiras e preconceitos presentes na sociedade. “O Promeri surgiu da demanda dos estudantes cotistas do curso de RI que reivindicam o protagonismo da sua formação e da sua vivência universitária, que querem produzir transformações no curso, de forma a oferecer mais apoio e incentivos para todos os estudantes. Nós, como professoras, queremos colaborar para isso”, pontua Veronica.

Novos estudantes e relatório

Com a retomada das atividades do programa, o projeto pretende ampliar o número de estudantes que recebem apoio do Promeri. Os alunos de Relações Internacionais que se interessarem em fazer parte das ações do projeto devem preencher o formulário disponibilizado neste link. Para participar do projeto, os estudantes não precisam realizar todas as atividades promovidas pelo Promeri, como as monitorias, o grupo de vivências e os grupos de estudo. As ações não são obrigatórias, de modo que o aluno pode escolher aquelas com as quais deseja estar envolvido.

Para divulgar ações e facilitar a busca por recursos que auxiliem na consolidação da iniciativa, o Promeri lançou um relatório, onde há depoimentos de participantes, histórico de atividades, eixos de atuação e desafios. O material pode ser consultado na íntegra no ufrgs.br/fce/promeri. Contatos podem ser feitos pelo promeri@ufrgs.br.

As informações são da área de Comunicação da Faculdade de Ciências Econômicas

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