‘Quem quer ser avaliado apoiará mudanças no Enade’, diz ministro

‘Quem quer ser avaliado apoiará mudanças no Enade’, diz ministro

Mercadante afirmou estranhar reclamações de universidades privadas sobre mudanças

SÃO PAULO – O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou nesta segunda-feira que as universidades que realmente querem ser avaliadas por meio do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) vão apoiar as mudanças feitas recentemente pelo ministério nas regras da prova. A afirmativa foi resposta à críticas de universidades privadas fizeram às alterações.

Na semana passada, o Ministério da Educação (MEC) decidiu tornar o Enade obrigatório para os alunos que já cursaram 80% do conteúdo disciplinar e que concluirão o curso neste ou no próximo semestre. As mudanças valerão já no Enade deste ano. Antes, quem terminava o curso no primeiro semestre do ano não precisava se submeter ao Enade. A medida foi tomada depois de denúncias contra universidades que estariam selecionando seus melhores alunos para prestar o Enade, para obter uma boa classificação no exame, e estariam até retendo alunos no penúltimo semestre.

Mercadante disse que estranha o fato de algumas universidades privadas terem reclamado das alterações no Enade.

– Não entendo qual é a dificuldade de uma instituição colocar os alunos que vão concluir o curso até o próximo semestre para fazer o exame. O que é que incomoda? Quem quer exatamente ser avaliado, como se efetivamente é, seguramente apoiará a iniciativa – afirmou.

O ministro disse que o MEC pode até fazer vistorias pessoais nas universidades denunciadas.

– A instituição de ensino tem dez dias para responder aos questionamentos do ministério e depois da resposta, os técnicos fazem uma avaliação. Se for necessário, faremos uma vistoria in loco. Evidentemente, a legislação tem instrumentos de punição se nós identificarmos algum tipo de fraude no processo – afirmou.

O Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular afirma que as mudanças no Enade teriam que ser feitas por meio de lei, e não de portaria do MEC, como foi feito. Isso por que a lei que criou o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) estabelece apenas a participação de alunos ingressantes e concluintes do curso na prova. Mercadante rebateu a entidade e disse que a portaria é um instrumento jurídico adequado e que não é necessária a aprovação de uma lei neste caso.

Sobre a crítica de que alunos de cursos técnicos seriam prejudicados, pois teriam que fazer o Enade antes de terem visto 25% do conteúdo do curso, ele afirmou que o que ficou estabelecido é que o aluno tem que ter concluído 80% do curso para fazer o exame.

Mercadante esteve em São Paulo nesta segunda-feira para o lançamento da terceira edição da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro e para um almoço com empresários.

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