Reuni e Ciência sem Fronteiras disputam energia das instituições federais

Reuni e Ciência sem Fronteiras disputam energia das instituições federais

Os processos de expansão e internacionalização estão disputando a energia dos setores administrativos das universidades federais, segundo alguns gestores ouvidos pelo UOL na edição de 2012 do Congresso das Américas sobre Educação Internacional, que aconteceu no Rio de Janeiro, entre 25 e 28 de abril.

Se, por um lado, tanto o Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais) quanto o Ciência sem Fronteiras (programa de bolsas de graduação no exterior) são movimentos de qualificação do ensino superior. Por outro, as instituições parecem estar sobrecarregadas com a simultaneidade das políticas.

 “As universidades federais vivem um momento único”, afirmou Ênio Luiz Pedrotti, da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). E, na sua visão, serão necessários aporte de orçamento e estruturação das instituições para dar conta do desafio.

Por isso, a Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior) propõe um incremento de R$ 2 bilhões por ano nas verbas destinadas às instituições – o total sai de R$ 27,2 bilhões em 2012 e chega a R$ 36,7 bilhões em 2017 quando essa etapa estaria concluída na projeção da entidade.

A proposta da Andifes foi lançada no último dia 18, em Brasília, cidade em que a sede da entidade está localizada. O documento, de 24 páginas, propõe uma nova etapa na expansão após o Reuni, que inclui “excelência e internacionalização”.

Sem professor para os últimos anos

Um exemplo das dificuldades que um gestor pode ter é o caso dos cursos de direito e gestão ambiental do campus Três Rios da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro). Frutos da expansão proposta pelo Reuni,as duas graduações estão sem docentes para disciplinas específicas, dadas nos anos finais.

“Não se pode criar cursos novos sem ter professores para as novas especialidades”, disse a a coordenadora do campus, Luciana Nóbrega. “O Reuni criou campi fora da sede, cada um é uma coisa, [tem] uma conformação e a situação está fora de controle.” Ao mesmo tempo, o campus está enviando estudantes pelo programa Ciências sem Fronteiras “sem saber ao certo o que elas vão fazer lá”.

Uma das condições para a internacionlização, segundo o projeto da Andifes, é a “plena conclusão do atual programa Reuni”. O secretário executivo da entidade, Gustavo Balduíno, comenta que a demora na criação da última leva de cargos, por meio do projeto de lei 2134/2011, foi um “gasto de energia” a mais por parte das instituições. O projeto foi aprovado na CCJC (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania) no último dia 26.

Complementares

Balduíno, no entanto, não vê os projetos de expansão (Reuni) e internacionalização (Ciência sem Fronteiras) como concorrentes, mas, sim, como complementares, fazendo a ressalva da necessidade de uma política estruturante que tenha capacidade para a implantação dos programas.

“Certamente [as instituições] têm fôlego para isso”, afirma Balduíno. “Desde que tenham recursos, aporte de recursos humanos e materiais.”

Cerca de 20% do processo de expansão das federais ainda está por ser concluído, na estimativa de Balduíno. Nesse percentual, Balduíno inclui parte das obras de novos prédios – que, segundo ele, precisam de uma atualização nos valores dos contratos.

Por meio de nota, o ministro Aloizio Mercadante (Educação) afirmou que a contraposição do programa Ciência sem Fronteiras, iniciado quando ele ainda era titular da pasta de Ciência e Tecnologia, ao Reuni parece estar ligada à visão equivocada de que se pode dar atenção a apenas um ciclo da educação. “Temos que fazer a educação brasileira melhorar da creche à pós-graduação. Essa visão focada já foi superada”, escreveu.

 

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